Documentação
Artigos
A transmissão de uma mensagem
Francisca R. Quiroga
O artigo foi publicado em Studia et Documenta, Revista do Instituto Histórico São Josemaria Escrivá (Vol. 1 – 2007)
Abstract: O artigo analisa o modo como São Josemaria Escrivá recordava e falava aos fiéis do Opus Dei sobre uma das datas fundacionais: o 14 de Fevereiro de 1930, quando compreendeu que a mensagem do 2 de Outubro de 1928 era dirigida também a mulheres. Nesta transmissão há aspectos permanentes e outros que variam ao longo do tempo. A análise apoia-se em testemunhos autobiográficos de São Josemaria, escritos e orais, em que evocou esta data.
Descarregar o artigo em pdf
Finalidade e abordagem desta nota. Fontes
A 14 de Fevereiro de 1930, São Josemaria iniciava o trabalho apostólico do Opus Dei com mulheres. Propomo-nos neste trabalho estudar alguns aspectos desse acontecimento, analisando como o fundador foi evocando essa data quando se dirigia aos membros do Opus Dei. Foram quatro as perguntas que inicialmente guiaram a nossa reflexão: Na transmissão dos factos fundacionais, concretamente do dia 14 de Fevereiro de 1930, que disse São Josemaria? Quando e com que frequência? De que modo? O que é constante e o que muda ao longo dos anos?
Conforme ia avançando o trabalho foram-se apresentando outras questões que imprimem relevo e profundidade às anteriores: que aspectos da fisionomia do Opus Dei ficam iluminados nessa comunicação do acontecimento fundacional? Que características da personalidade do fundador ficam patentes no seu modo de transmitir o que sucedeu nessa data? Finalmente, qual a eficácia difusiva das suas palavras? Os que viviam com São Josemaria começaram logo a tomar notas que, como é lógico, são mais abundantes à medida que os anos vão passando: porque são mais os que lhe estão próximos, e porque são cada vez mais conscientes da sua responsabilidade de transmitir o que disse o fundador às pessoas do Opus Dei. É o que chamaremos “apontamentos tomados” de uma homília, de uma meditação, numa reunião familiar (tertúlia), numa entrevista (1) … Serão a fonte principal para a elaboração desta nota.
Um segundo núcleo de documentos que faz referência ao tema de estudo que nos ocupa é o epistolário. Nas cartas, São Josemaria transmitia aos que estavam longe o que comunicava oralmente aos que tinha por perto, em conversas familiares e pessoais, na pregação. A primeira em que encontramos uma referência ao 14 de Fevereiro de 1930 é uma carta circular de 9 de Janeiro de 1938 (2).
Encontram-se anotações sobre essas datas também nos seus Apontamentos íntimos, isto é, nas suas notas pessoais - em que se entrevêem a sua intimidade pessoal com Deus, o seu trabalho apostólico - que foi redigindo desde os anos iniciais do Opus Dei.
Outra fonte são as notícias que se encontram nos diários dos centros (3) do Opus Dei das cidades onde residiu São Josemaria - Madrid e Roma -, a que recorreremos quando for oportuno comparar, confirmar, ou complementar o anotado nos apontamentos atrás referidos.
Utilizaram-se também cartas de fiéis do Opus Dei, contemporâneos do fundador, que relatam factos ou palavras significativas para o nosso tema de estudo.
No que se refere às fontes bibliográficas, servimo-nos de dois tipos de obras intimamente relacionadas: biografias e estudos sobre São Josemaria Escrivá (4). Entre as biografias, utilizaremos preferentemente a mais completa, documentada e extensa, que é a de Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, estruturada em três volumes (5).
Apoiar-nos-emos também em estudos sobre a fundação do Opus Dei como instituição da Igreja Católica (6) e outros que tratam especificamente da fundação, principalmente o de José Luís Illanes, Datos para la comprensión histórico-espiritual de una fecha (7).
O acontecimento fundacional do 14 de Fevereiro de 1930
Em que consistiu o acontecimento fundacional do 14 de Fevereiro de 1930? Poder-se-ia responder a esta pergunta de uma maneira concisa dizendo: São Josemaria entendeu que Deus chamava as mulheres para serem e fazerem o Opus Dei. Portanto, o que sucedeu na data que nos ocupa deve ser situado na perspectiva da realização deste projecto que teve o seu início a 2 de Outubro de 1928 (8).
O fundador referia sempre a data em que se tinha apercebido de que Deus queria a Secção feminina do Opus Dei; algumas vezes acrescentava também as circunstâncias do lugar e da situação. O lugar foi o oratório da casa da Marquesa de Onteiro, em Madrid. A situação foi enquanto celebrava a Missa; o momento preciso: imediatamente depois da Comunhão. Ele próprio anotaria mais tarde o que tinha acontecido na sua alma: “A 14 de Fevereiro de 1930, celebrava eu a missa no oratório da idosa marquesa de Onteiro (9), mãe de Luz Casanova, que eu atendia espiritualmente, quando era Capelão do Patronato. Dentro da Missa, imediatamente depois da Comunhão, toda a Obra feminina! Não posso dizer que vi, mas sim que intelectualmente, com pormenor (depois acrescentei outras coisas, ao desenvolver a visão intelectual), abrangi o que havia de ser a Secção feminina do Opus Dei” (10).
E numa meditação dirigida em Villa Tevere (11), no oratório de Pentecostes:
“Eu ia a casa de uma senhora idosa de oitenta anos que se confessava comigo, para celebrar Missa naquele pequeno oratório que tinha. E foi ali, depois da Comunhão, na Missa, quando veio ao mundo a Secção feminina. Depois, a seu tempo, dirigi-me ao meu confessor, que me disse: isto é tão de Deus como o resto” (12).
Surge nesse dia algo novo, que não é uma instituição diversa, mas sim um desenvolvimento daquilo que tinha começado a 2 de Outubro de 1928 (13). De formas diferentes, sempre que se referia ao que teve início a 14 de Fevereiro de 1930, ficava patente que havia uma continuidade com o que vira a 2 de Outubro de 1928. Exprimia-o de uma maneira muita clara numa reunião em Buenos Aires em 1974. “Foi a 2 de Outubro de vinte e oito, festa dos Santos Anjos da Guarda, quando o Senhor quis que começássemos a trabalhar. A 14 de Fevereiro de trinta, a Secção feminina completou essa grande mobilização de cristãos para a paz, para o bem-estar, para a compreensão, para a fraternidade” (14).
Vejamos também um texto mais antigo, de 1959. Reunido com algumas mulheres do Opus Dei que viviam em Roma, dizia-lhes: “Queria hoje estar convosco, minhas filhas, porque celebramos o aniversário daquele dia em que Nosso Senhor se dignou abrir às mulheres este caminho divino na Terra” (15).
Num apontamento de uma conversa com o fundador, em Fevereiro de 1955, fica claro como entendia que a integridade do Opus Dei incluía homens e mulheres. “A Obra, verdadeiramente, sem essa vontade expressa do Senhor e sem as vossas irmãs, teria ficado coxa” (16).
Homens e mulheres no Opus Dei fazem parte de uma única instituição; têm um mesmo chamamento, uma mesma missão, idêntico espírito e modos apostólicos (17); constituem uma só família que tem como cabeça o “Padre” que, desde que o Opus Dei alcançou a sua forma jurídica definitiva em 1982, é o seu Prelado próprio (18). Assim o transmitiu o fundador de formas variadíssimas, com palavras e com factos. E assim o entenderam os membros do Opus Dei desde o princípio. Parece significativa uma anotação do diário do centro de mulheres situado na Rua de Jorge Manrique, datada de 14 de fevereiro de 1943, em que se vislumbra o eco de palavras de São Josemaria: “O nosso primeiro olhar neste dia tão grande para nós foi para Jesus (sic) que do Sacrário nos preside, nele houve uma acção de graças muito profunda por ter inspirado a colaboração feminina na sua Obra” (19). A expressão “colaboração feminina”, embora sendo inexacta, reflecte bem dois aspectos que São Josemaria lhes transmitia: o Opus Dei é uma instituição única, com duas secções; a iniciativa é divina portanto, todos - as mulheres e os homens - “colaboram” com Deus.
Aspectos essenciais da mensagem
Dado que o que nasce em 1930 não é uma nova fundação mas um prolongamento daquilo que nasceu a 2 de Outubro de 1928, a mensagem é a mesma: o chamamento para a santidade na vida corrente no meio do mundo (20). Quando São Josemaria se referia ao facto do 14 de Fevereiro ficava patente que a missão a que Deus chamava as mulheres era a mesma que a dos homens. Exprimia-o com frases sintéticas e expressivas, como esta: “Deus escolheu-nos desde toda a eternidade para fazer este trabalho divino no mundo inteiro” (21).
Noutras ocasiões, São Josemaria explicava mais amplamente a finalidade do Opus Dei, como sucedeu em 1955, quando se cumpria o 25º aniversário da secção de mulheres. Dizia: “É esta a finalidade do Opus Dei. Disse-vo-lo mil vezes, e tê-lo-eis aprendido muito bem, que a actividade da Obra se resume em dar doutrina, que aquilo que é próprio de nós é ser luz que ilumina as inteligênc8as com o fulgor dos ensinamentos de Cristo, sal que preserva da corrupção os costumes das pessoas. Hoje desejo recordar-vos o mesmo, embora com outras palavras: que a finalidade do Opus Dei é tornar amável às almas o caminho da santidade” (22).
E nessa mesma meditação acrescentava: "Com o Opus Dei podemos dizer que se abriram os caminhos divinos da Terra. Ele, Jesus, é tão bom, que permitiu que andem por este caminho amplo da Obra pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades e condições: homens e mulheres, solteiros e casados, leigos e sacerdotes, sãos e doentes; todos com a mesma vocação, com idêntica ambição de serem santos, com o mesmo dever de fazer apostolado, de acordo com as exigências do estado e situação de cada um no mundo. Verdadeiramente abriram-se os caminhos divinos da terra” (23).
Seja qual for a forma utilizada por São Josemaria para se referir a este acontecimento fundacional, manifestam-se duas notas essenciais intimamente relacionadas: o protagonismo de Deus e o papel de instrumento do fundador (24).
A iniciativa, o querer, é de Deus, não de Josemaria Escrivá. Não se sentia de modo nenhum protagonista destes acontecimentos.
Nos textos que acabamos de citar o sujeito é Deus: “Ele, Jesus (…) permitiu…”; “Deus escolheu-nos…”. Na meditação do 14 de Fevereiro de 1955 afirmava com força: “Asseguro-vos que foi vontade expressa do Senhor - assinalada neste dia do ano trinta - a razão pela qual existe a Secção feminina do Opus Dei. Foi Ele quem o quis” (25).
O fundador entendia que o 2 de Outubro de 1928 era o dia em que o Senhor tinha querido manifestar a sua vontade e o seu chamamento para realizar a Obra: era o dia do início do Opus Dei e da sua vocação específica nesta instituição (26). No dia 14 de Fevereiro de 1930 compreendeu que Deus queria que as mulheres recebessem também o espírito do Opus Dei, e que era ele o instrumento para lhes transmitir a mensagem.
Exprimia-se sempre de maneira que se entendesse que era Deus quem actuava para virem as pessoas para o Opus Dei: era Jesus Cristo quem chamava, não Escrivá. Em 1966 dizia às mulheres do Opus Dei que viviam em Roma: “Minhas filhas, começamos o ano trinta e sete, e desejo dizer-vos uma coisa: eu não queria fundar nem a Secção masculina, nem a Secção feminina do Opus Dei” (27).
Como via São Josemaria o seu papel na realização do Opus Dei entre mulheres? A resposta é clara: ser instrumento divino para levar a cabo no tempo o querer divino. Numa homília, a 14 de fevereiro de 1970, quando se cumpria o 40º aniversário, o fundador começava assim:
“Temos de começar por dar graças do fundo do coração porque, sendo instrumentos inúteis, escolheu-nos Deus desde toda a eternidade para fazer este trabalho divino no mundo inteiro. Temos de dizer ao Senhor e à sua Mãe que seremos fiéis levando o amor de Deus a todos os sítios, querendo de verdade o bem e a felicidade de todas as criaturas, de qualquer país, de qualquer língua: todos somos iguais diante de Deus; na sua divina presença não há ninguém que seja menos do que nós” (28).
Sendo todos os fiéis da Obra instrumentos para fazerem o Opus Dei, há uma distinção clara: trata-se de um mesmo chamamento divino que ele cumpria como “Padre”, pai, dessa grande família, e todos os outros como seus filhos espirituais. Uma paternidade que se prolongaria através do tempo na figura dos seus sucessores, que iriam estar à frente do Opus Dei (29).
Essa responsabilidade paterna exprime-se de diversas formas nos textos que estamos a estudar: na experiência de deveres concretos, na alegria que pressupõe ser pai de uma família querida pela bondade de Deus, na dor e na preocupação que às vezes os filhos ocasionam. Numa homília dirigida em 1960 a mulheres do Opus Dei, no oratório de Pentecostes de Villa Tevere, dizia assim: “Faz hoje trinta anos que o Senhor pôs sobre os meus ombros o dever de levar para a frente a Secção feminina do Opus Dei. Trinta anos de obediência à vontade clara e terminante do Senhor: por isso estais aqui” (30).
14 de Fevereiro e consciência de fundador
Como é lógico, São Josemaria falou em diversos momentos aos membros do Opus Dei, ao longo da sua vida, dos factos fundacionais. Contudo, estudando os textos,
podemos afirmar que referia o imprescindível desses acontecimentos, mais ainda, em muitas ocasiões evitava a resposta quando lhe faziam perguntas sobre eles, como teremos ocasião de ver mais adiante. Andrés Vázquez de Prada indica que, ao relatar o sucedido a 2 de outubro de 1928, o fundador empregava formas que isolavam o acontecimento sobrenatural das circunstâncias pessoais (31); acontece o mesmo quando evocava a fundação das mulheres (32).
De que modo o dava a conhecer? Analisando os apontamentos que chegaram até nós damo-nos conta que utilizava dois modos: um taxativo, conciso, directo, solene, dentro da simplicidade habitual nele. Outro indirecto, familiar, cordial.
No primeiro grupo poderíamos situar os textos que citámos anteriormente. São pouco numerosos e têm o seu enquadramento numa celebração litúrgica. Os do segundo grupo, muito mais abundantes, devem-se situar no contexto de reuniões informais, com frequência nos dias do aniversário. Têm uma forma coloquial, calorosa, que penetrava profundamente em quem o escutava.
Uma das formas indirectas de transmitir o que significava para todos o início do apostolado do Opus Dei entre mulheres em 1930, era felicitar as suas filhas espirituais no dia 14 de Fevereiro como num aniversário (33). Ao mesmo tempo era também uma festa para ele, para o fundador, porque para um pai é sempre uma alegria recordar o nascimento dos filhos. Na mesma data fazia ver aos homens que era também um dia de celebração para eles: ter irmãs, filhas do mesmo Padre, era um motivo de alegria e agradecimento.
Algumas vezes São Josemaria referia-se ao aniversário do Opus Dei com mulheres abrindo a sua alma, manifestando que nessa data experimentou a alegria de um pai que já não esperava ter mais filhos, quando sabe que chega outro. Numa ocasião confiou-lhes: “A Secção feminina tem de ser a predilecta do meu coração. Agora, e depois, quando o Senhor me chamar a prestar contas. A mim sucedeu-me o mesmo que às mães que não esperam mais filhos e o Senhor as abençoa de novo. Esses filhos amam-se mais, sem ofensa para os outros” (34).
Nas datas próximas do 14 de Fevereiro, às vezes fazia referência ao aniversário que se avizinhava dizendo que o comemorariam como um grande acontecimento, “porque eu não vos esperava - estava-se a dirigir a mulheres do Opus Dei - e agora tenho-vos” (35).
Fosse qual fosse a forma utilizada, o fundador transmitia a clara consciência de que o Opus Dei era de Deus, não algo idealizado por ele. Fazia-os participar da sua certeza de que se tratava de uma iniciativa divina; fazia-o, sem recorrer à descrição da sua experiência espiritual interior, mas a factos exteriores que mostravam, a ele e aos outros, que o Opus Dei não era uma criação sua. Assim o explicou perante um grupo de mulheres, no Peru, em 1974:
Pensava que no Opus Dei só haveria homens. Não é que não gostasse das mulheres – amo muito a Mãe de Deus; amo muito a minha mãe e as vossas; amo muito todas as minhas filhas, que são uma bênção de Deus no mundo inteiro -, mas antes do 14 de Fevereiro de 1930, eu não sabia nada da vossa existência no Opus Dei, embora sim, latejasse no meu coração o desejo de cumprir em tudo a vontade de Deus. E quando acabei de celebrar a Santa Missa nesse dia, conhecia já que o Senhor queria a Secção feminina (36).
Não só actuava com esse critério, mas chegou inclusivamente a pô-lo por escrito mais do que uma vez. Assim aconteceu quando estudou a possibilidade de haver uma instituição que poderia servir para pôr por obra o que “tinha visto” no dia 2 de Outubro, descartou-a, entre outras coisas, porque essa instituição trabalhava com mulheres (37).
Interpretou depois este facto como uma prova tangível de que as mulheres estavam no Opus Dei, não porque o fundador o considerasse conveniente ou oportuno, mas por um expresso querer divino: “Eu tinha escrito, a propósito das diferenças entre o Opus Dei e uma instituição que existia fora de Espanha, que uma dessas era que nós não trabalharíamos nunca com mulheres. Isto deve ter acontecido nos finais de 1929. Pouco depois, a 14 de Fevereiro de 1930, estava eu a celebrar a Santa Missa na casa de uma senhora idosa, quando veio ao mundo a Secção feminina da Obra” (38). E noutra ocasião: “Para que não houvesse dúvida de que era Ele quem queria realizar a sua Obra, o Senhor apresentava coisas externas. Eu tinha escrito: nunca haverá mulheres - nem a brincar - no Opus Dei. E poucos dias depois… no dia 14 de Fevereiro, para que se visse que não era coisa minha, mas contra a minha inclinação e contra a minha vontade” (39).
Dois anos depois, também a 14 de Fevereiro, dirigindo-se a um grupo de mulheres do Opus Dei, em Roma, afirmava: “eu não queria fundar nem a Secção masculina, nem a Secção feminina do Opus Dei. Na Secção feminina nunca tinha pensado. Asseguro-vos com uma certeza física - física mesmo -, que sois filhas de Deus. Que Ele vos abençoe. Que estejais contentes com a chamada de Deus para o Opus Dei” (40).
Ocasiões em que São Josemaria falava do 14 de Fevereiro de 1930. Frequência e motivos
Estudando os textos, apercebemo-nos que as ocasiões mais recorrentes em que São Josemaria se referiu ao 14 de Fevereiro de 1930 se situam em torno dessa data: no próprio dia, na véspera ou no dia seguinte. As palavras que conservamos de outros momentos são poucas. A evocação aparecia devido a factos que conduziam à recordação do início do trabalho apostólico com as mulheres, não eram provocadas por uma pergunta directa: quando lha faziam, evitava amavelmente a resposta.
Por exemplo, num 14 de Fevereiro, um membro do Opus Dei perguntou ao fundador:
Que nos diz deste aniversário? A resposta foi claramente evasiva relativamente ao que era acidental, pelo contrário, afirmou o essencial, o que devia transmitir aos outros, e que por isso agradava a Deus, que foi sempre o motivo determinante da sua conduta:
“Não recordo nada. Sabeis que tenho pouca memória, às vezes. Se me perguntasses coisas mais antigas, recordá-las-ia. De todas as formas uma coisa te posso dizer, porque com isto não ofendo a Deus, mas agrado-Lhe: que eu, naquele 14 de Fevereiro, estava bem longe de pensar que haveria mulheres no Opus Dei.
Mais: tinha escrito que não as haveria. Antes da Missa estava nessa certeza, e depois da Missa estava na contrária. E pronto, acabámos. Não me lembro de mais” (41).
Porque razão esta resistência de São Josemaria para contar os factos fundacionais? Em relação ao acontecido a 2 de outubro de 1928, José Luís Illanes afirma: Foi sempre muito sóbrio, mais ainda, conciso (…). Normalmente limita-se a dizer que nesse dia viu - empregou sempre esta palavra - o Opus Dei. A sua resistência em descer a detalhes nascia da sua humildade - sempre evitou tudo o que de uma forma ou de outra, conduzisse a falar da sua pessoa -, mas também, e talvez sobretudo, da sua preocupação por afastar os que o escutavam de “atitudes milagreiras”, para conduzir a atenção para o fundamental: a santificação da vida normal e corrente (42).
A resposta ao chamamento divino deve basear-se na fé, não em supostos milagres. Falaria, neste sentido, de “milagrerias” para se referir à pretensão de apoiar a resposta a Deus em factos milagrosos (43).
Perante um grupo de peruanas, comentava em 1974: “Sim. Era o dia 14 de Fevereiro de 1930… O Padre não fala de milagrices. Para mim é providência ordinária, da mesma forma que as leis que Deus Nosso Senhor colocou em toda a natureza: o movimento dos astros… Tão ordinário é que se cumpram, como que se suspendam por Vontade divina. E assim, sem milagrices, com Providência ordinária, soube nessa data que o Senhor queria a Secção feminina do Opus Dei” (44).
Contudo, São Josemaria, apesar da sua resistência, deu a conhecer os acontecimentos fundacionais aos homens e às mulheres do Opus Dei, porque considerava que tinham direito a conhecê-los e portanto ele devia manifestá-los. Na sua Memória do Beato Josemaria, o actual Prelado do Opus Dei escreve: “Estando já em Roma, recebeu indicação expressa da Santa Sé para abrir a sua alma, de quando em quando, aos membros do Opus Dei, para lhes relatar esse tipo de acontecimentos que tão estreitamente estavam unidos à sua vida e à história da Obra” (45).
Ao falar às suas filhas espirituais, São Josemaria era consciente de que o acontecimento do 14 de Fevereiro de 1930 lhes dava o sentido da sua vida: a sua dedicação à realização do Opus Dei não teria explicação se não se fundamentasse num claro chamamento divino. Assim o explicava em 1966: “A vocação é um autêntico prodígio. Não há razão para que estejais aqui, na Obra e nesta casa. Demos graças a Nosso Senhor, graças à Santíssima Virgem, que nos ajudou; graças sem fim temos de as dar, porque com esta nossa vocação, em qualquer trabalho intelectual ou manual, nos estamos a santificar e ajudamos a santificar-se os que nos rodeiam” (46).
Atitude perante a recordação do 14 de fevereiro de 1930
Agradecimento
Desde o princípio do Opus Dei, São Josemaria considerou as datas fundacionais como dias de acção de graças. Assim o ensinou a viver àqueles que faziam parte do Opus Dei. O primeiro documento em que se manifesta este modo de proceder é uma carta de São Josemaria que tem data de 9 de Janeiro de 1938.
O motivo dessas letras é anunciar a inclusão da oração pelo Padre nas Preces do Opus Dei (47); e concretiza que começarão a fazê-lo “desde o próximo 14 de Fevereiro - dia de Acção de Graças, como o é o dia 2 de Outubro -“ (48).
A 13 de Fevereiro de 1939, de Vitoria, enviou várias cartas em que recordava aos destinatários que o 14 de Fevereiro é, para os do Opus Dei, um dia de acção de graças. Escrevia: “Hoje, véspera de um dos dias de acção de graças - talvez passe esquecido, para quase todos -, lembro-me de cada um com o mais intenso pensar e querer” (49).
Noutra: “Amanhã é dia de acção de graças. Se te esqueceste, fá-lo no dia seguinte a receber a minha carta… como Deus te dê a entender, pois to dará a entender, se quiseres escutá-Lo” (50). Na terceira:
Amanhã, meu “peque” (51), é dia de acção de graças. Por isso, não quero deixar de te escrever umas linhas. Pedirei ao Senhor – acção de graças … e petição - que estejas em forma, para o trabalho que nos cai em cima” (52). E noutra: “Tenho necessidade de vos escrever a todos hoje, véspera de um dia de acção de graças… Quem se lembrará?” (53). Na quinta dizia: “Amanhã, terça-feira, é dia de acção de graças: tenho a certeza de que não o terás esquecido” (54).
Um ano mais tarde escrevia a Maria Dolores Fisac, uma das primeiras mulheres do Opus Dei (55), que residia então em Damiel (Ciudad Real): “Temos pena de que não estejas hoje aqui. Espero que não te esquecerás de que este dia é de acção de graças. Tenho a certeza de que no próximo ano o Senhor disporá as coisas para celebrares a data em família. Entretanto, vive com generosidade a mais fervorosa Comunhão dos Santos” (56).
Depois de 1943 a acção de graças atingiu um duplo motivo. Com efeito, noutro 14 de Fevereiro, em 1943, São Josemaria encontrou, por luz divina, a solução para que os fiéis do Opus Dei se pudessem ordenar sacerdotes (57). Em 1947, o fundador escrevia de Roma às de Madrid que faziam parte da Assessoria Central (58): “Que o próximo dia 14, duplo dia de acção de graças, tenha muitas Admissões, muitas Oblações,
E as que fizestes a Fidelidade podeis, como vos disse, aperfeiçoá-la” (59). E no ano seguinte numa carta dirigida às mesmas destinatárias, anotava: “Queridíssimas. Poucas coisas esta semana: Aproxima-se o vosso dia, o dia 14: dia de acção de graças!” (60).
A acção de graças, que manteve sempre um tom íntimo e pessoal, concretizou-se também na vida dos primeiros centros. Em 1943, quando algumas mulheres se dispunham a passar pela primeira vez num centro a data do 14 de Fevereiro, deixaram escrito no primeiro diário: “Às seis veio o Padre para nos dizer que, como preparação para o dia 14, data tão grande para nós e de uma acção de graças muito profunda, ia dirigir-nos amanhã à tarde, das 5 ás 8, uma (…) recolecção” (61).
No dia seguinte escreveram que “o dia está cheio de uma acção de graças muito profunda por ter inspirado a colaboração feminina na Obra” (62).
Três anos mais tarde tinham-se aberto vários novos centros onde viviam mulheres do Opus Dei. À volta do dia 14 de Fevereiro, nos diários dessas casas lêem-se expressões que reflectem o mesmo tom de gratidão (63).
Na sua pregação e nas conversas com os que lhe estavam próximos, São Josemaria disseminava os motivos para dar graças. Em primeiro lugar por esse desígnio amoroso de Deus para a humanidade, e depois pela sua realização concreta em pessoas que Deus chamava. Sempre se admirava da eficácia divina quando via o fruto abundante da semente que Deus pôs no seu coração no dia 14 de Fevereiro de 1930. Quando se cumpria o 25º desta data, durante a sua oração em voz alta, no oratório do Coração de Maria, em Villa Sacchetti (64), acompanhado por mulheres de vários países, de diversas profissões e condições sociais, exprimia-se deste modo:
“Hoje tem de se manifestar a nossa gratidão a Deus com matizes novos. Damos graças por tudo o que o Senhor fez com a Obra, e especialmente convosco, chamando-vos a fazer parte desta bela família sobrenatural.
Cada vocação é uma profusão de graças divinas, e exige ao menos um pouco de correspondência por parte da pessoa chamada. Sei que no teu caso houve, não só um pouco mas uma plenitude de correspondência. Deus te abençoe minha filha, se soubeste portar-te assim!” (65).
E acrescentava: ´”É aniversário da fundação da Secção feminina do Opus Dei e toda a Obra se enche de alegria. Todo o Opus Dei, cada um dos seus membros, cada uma, cada um dos vossos irmãos, diz ao Senhor: gratias tibi, Deus, gratias tibi!” (66).
Onze anos depois, numa reunião familiar, São Josemaria fazia ver o mesmo motivo de agradecimento, o chamamento recebido para santificar o próprio trabalho: “Digo, minhas filhas, que estejais muito contentes porque o Senhor, a vós, e a mim, nos amou tanto que de um modo particular pensou em nós desde toda a eternidade e nos chamou a cada um pelo nosso nome” (67).
Alegria: dia de festa
Para São Josemaria, o agradecimento era inseparável da alegria. “Agradecer e estar contentes”, recomendava o fundador às mulheres do Opus Dei que tinham vindo para festejar com ele a data do 14 de Fevereiro de 1966. Uma alegria especial, intensa e ao memo tempo simples e discreta. Numa carta que escreveu pouco antes do 25º aniversário da Secção de mulheres escrevia:
“Queridíssimos: no próximo dia 14 de Fevereiro celebraremos as Bodas de Prata da Secção Feminina do nosso Instituto (68). Peço-vos que em toda a Obra, se viva esta festa com especial acção de graças ao Senhor e a sua Mãe Santíssima, com alegria e sem ruído” (69).
Tudo se poderia resumir dizendo que para São Josemaria tanto o 2 de Outubro como o 14 de Fevereiro, eram “festas de família”. Numa meditação que pregou a 14 de fevereiro de 1955 glosou essa ideia:
“Perguntar-vos-ão, filhas da minha alma, porque celebramos esta festa.
E respondo-vos que este modo de fazer é muito próprio do nosso espírito, que não gosta de manifestações aparatosas. Preferimos celebrá-lo assim, na intimidade da nossa família, com uma alegria interior que transcende todas as coisas, que inunda a alma de cada uma das minhas filhas, de cada um dos meus filhos, e o ambiente dos nossos Centros. Gostamos de o celebrar com naturalidade, com silêncio: é este o nosso espírito” (70).
Em 1970 na mesma data, comentava-lhes: Não gosto das solenidades, já o sabeis, evito-as. É natural que estejais muito contentes, que façais muitas acções de graças. Eu também as faço, mas não faremos nenhuma coisa fora do normal, que não é o próprio do Opus Dei” (71).
Com o seu exemplo e com a sua palavra, o fundador ensinou aos membros do Opus Dei como celebrar as festas de uma maneira simples, mas profunda, alegre, sumamente grata. Em primeiro lugar sugeriu desde o princípio que nos centros houvesse algum acto de culto que não se vivesse nos dias normais.
Assim na festa do 14 de Fevereiro - quando era possível - tinham Missa à meia-noite (72), para começar esse grande dia com a acção de graças fulcral, que é o Sacrifício eucarístico (73). Desde o primeiro 14 de Fevereiro celebrado num centro - o da rua de Jorge Manrique - tiveram exposição do Santíssimo Sacramento e Bênção (74).
Também se esmeravam em confeccionar para esse dia algum paramento ou alfaia litúrgica nova, mais digna, que faziam chegar ao Padre, ou um vaso sagrado mais rico. Numa carta de 10 de Janeiro de 1956, dirigida aos membros do Opus Dei que residiam em Madrid, São Josemaria escrevia: “Muito bonito, o cálice: usá-lo-emos, pela primeira vez, no próximo 14 de Fevereiro: as vossas irmãs ‘guardaram segredo’ deste facto. Que Deus as abençoe”(75).
Seguindo o espírito que Deus inspirou a São Josemaria em que se unem o sobrenatural e o humano, nos dias de festa, concretamente na do 14 de Fevereiro, celebra-se na vida dos centros com refeições mais variadas, adequadas a uma família que sabe exprimir o agradecimento e o carinho nestes pormenores. Os diários dos centros de mulheres, desde os primeiros anos, reflectem o entusiasmo e o empenho com que se esmeravam nesses pormenores para dar brilho à celebração. No diário de Villa Sacchetti de 13 de Fevereiro de 1950 anotavam: “Como amanhã é um dia grande (…), temos andado nos preparativos para a Missa da meia-noite, para a ceia (76), para o almoço e lanche do dia” (77). Algo semelhante haveria que dizer do arranjo pessoal de quem está em festa.
Certamente a celebração do 14 de Fevereiro distinguia-se pelas calorosas reuniões de família, especialmente alegres quando o fundador, o Padre, participava nelas. É significativo o que escreveram na administração de Pompeo Magno, um centro de Roma, no 14 de fevereiro de 1951. “Por várias vezes tivemos hoje a sorte de o Padre vir à Administração e estar um momento connosco” (78).
Como resumo desse tom de alegria que São Josemaria imprimia às datas fundacionais, reproduzimos o que escreveram no diário de Villa Sacchetti no dia 14 de Fevereiro de 1950: “Hoje é um dia grande, feliz, cheio de alegria para nós. É dia de tocarem todos os sinos de Roma, dia de passar todo o dia a dar graças a Deus. E dia também para o celebrar porque é como se fossem os aniversários de todas nós. E já somos umas quantas! Assim celebrámo-lo com toda a nossa alma por dentro e por fora” (79).
Responsabilidade de responder à chamada divina
Recordar a vontade divina, que tinha querido abrir novos caminhos de santidade no mundo, era para São Josemaria uma chamada à responsabilidade. Desde os primeiros anos, o aniversário do 14 de Fevereiro era um momento em que se perguntava a si próprio que tinha feito para promover e formar vocações para o Opus Dei entre as mulheres, e avivava a sua fé na oração para que o Senhor enviasse mais pessoas. Nos seus Apontamentos íntimos escreveu a 14 de Fevereiro de 1933 que elas ainda eram poucas (80). E um ano depois anotou: “Dia 14 de fevereiro de 1934: passam quatro anos hoje desde que o Senhor inspirou o ramo feminino. (…) Vamos ver quando é que me envias, Deus meu, a mulher que pode ficar à frente delas ao princípio, deixando-se formar!” (81).
No dia 13 de Fevereiro de 1942 São Josemaria dirigiu a meditação a um grupo de mulheres que atendia espiritualmente nesse ano. Vieram somente quatro. E dizia-lhes que via nelas muitas outras que haviam de chegar nos próximos anos (82).
Também nessas datas costumava apelar ao sentido de responsabilidade dos membros do Opus Dei: urgia-os a uma maior exigência pessoal na luta pela santidade e a abrir o caminho com generosidade procurando as pessoas que Deus chamara desde a eternidade, mas que queria que contribuíssem para as encontrar. Em 1942 escrevia a duas que viviam em Valência, Encarnación Ortega e Enrica Botella (83), com palavras que não me parece arriscado supor que foram consequência da sua oração do dia anterior.
São umas linhas escritas à mão, com traços fortes, cheias de fé e de amor e ao mesmo tempo extremamente práticas, operativas. Dizia-lhes que fossem estar com um seu amigo sacerdote, que lhes apresentaria mulheres que poderiam entender o chamamento para o Opus Dei. “Ide encontrar-vos com o Pe. António Rodilla (84) (acabo de lhe escrever) e dizei-lhe da minha parte que Jesus necessita que venham muito rapidamente, à vossa casa de Madrid, sete valencianas (nem uma menos)” (85).
Referimo-nos atrás à recolecção que dirigiu a 13 de Fevereiro de 1943, no centro que se tinha aberto recentemente (86). No diário desse dia anotaram a impressão muito profunda que produzira nelas a pregação do fundador, estimulando a sua responsabilidade diante da tarefa que Deus lhes estava a pedir: “Todas ficámos muito impressionadas e com o desejo de mudar o que falta mudar para podermos ser, como o Padre nos disse, os alicerces da Obra” (87).
Dirigindo uma meditação a mulheres do Opus Dei que viviam em Roma em 1954, São Josemaria fazia uma chamada à sua responsabilidade. “Pensa quantas coisas grandes dependem de ti, de que tu queiras ser instrumento” (88). Dois anos depois, na acção de graças da Missa, abria-lhes o amplíssimo panorama apostólico que tinham por diante; quando a Secção feminina do Opus Dei fazia 26 anos, e já os frutos do trabalho eram patentes, não deixa de lançar um apelo sério à sua responsabilidade apostólica.
“Minhas filhas, eu quereria que hoje vos désseis conta de tantas coisas como o Senhor, a Igreja, a humanidade inteira esperam da Secção feminina do Opus Dei, e que, conhecendo a grandeza da vossa vocação, a ameis cada dia mais. Decididas a ser o instrumento que o Senhor necessita, com optimismo, com alegria, com sentido sobrenatural. Em frente, minhas filhas, que o Senhor espera muito de todas vós, mas que se vos meta bem no coração isto: não faremos nada se não formos santos (89).
O impulso que era para São Josemaria a consideração das datas fundacionais dirigia-se sobretudo à vida interior, que considerava a verdadeira fonte da acção apostólica. Abria amplos horizontes e, ao mesmo tempo, descia ao pormenor concreto, factível, ao alcance da mão. Numa reunião familiar em 1956, fazia ver às que tinham ido a Villa Sacchetti para festejar o 14 de Fevereiro, que a gratidão e a alegria autênticas são operativas, responsáveis: “Eu mesmo quero agradecer convosco este catorze de Fevereiro: é uma data para agradecer a providência de Deus e o seu amor pela Obra. Mas a melhor maneira de ser agradecidos é que vivamos dando-nos conta de que a nossa vida inteira se fez vida em Deus, vida em Jesus Cristo. Não actuamos, não pensamos, não desejamos mais do que santificar o que nos rodeia, sendo primeiro nós realmente santos. E isto sem perder o sentido humano da vida. Somos criaturas débeis, humanas, e não nos tem de preocupar ter erros nem descobri-los em nós” (90).
E mais adiante, na conversa com elas, comentou: “Hoje não é dia para tristezas, é dia de acção de graças. Hoje é dia de renovar por devoção, no fundo da alma, esta dedicação ao serviço de Deus no mundo, através do trabalho. Não é dia de tristezas… alegres! Se, porque temos defeitos, nos pomos tristes, não melhoraremos. Dia de lutar com ânimo desportista. Até agora não saltei este obstáculo?... Sim, mas vou saltá-lo! Temos de ir com alegria, com perfeição humana, para fazer esta Obra de Deus: para tornar obra de Deus o trabalho de cada dia, cada uma o que lhe couber, com perfeição. Não é uma perfeição só interior; é também uma perfeição humana. Pelo menos pomos toda a nossa vontade em aprender a fazer bem todas as coisas que temos de fazer pela nossa dedicação. E, se ainda assim, alguma coisa sai mal, porque - dada a fragilidade humana - nem tudo tem de sair sempre bem, é preciso continuar com sentido desportivo tentando dar o salto” (91).
Nas anotações dos diários dos centros reflecte-se o apelo a um agradecimento responsável. Assim, no diário de Villa Sacchetti do dia 14 de Fevereiro de 1967 escreviam que, a homília da Missa celebrada por São Josemaria, a que assistiram algumas do centro, “fez-nos sentir a juventude perene que temos de ter e a nossa responsabilidade de ser santas para ajudar a Igreja inteira” (92).
Aspectos permanentes e mutáveis na transmissão dos factos fundacionais
Elementos permanentes
Agrupando por ordem cronológica o conjunto de documentos analisado, comprova-se que a transmissão dos elementos essenciais da mensagem permanece inalterável ao longo dos anos. Como seria de esperar, mencionam-se sempre, de igual modo, a data, o lugar, o momento. Também o conteúdo permanece igual ainda que expresso de diferentes maneiras
Constante é a referência à Santíssima Virgem, mesmo que nem sempre explícita. S. Josemaria referia-se, desde o dia 2 de Outubro de 1928, a uma particular presença da Mãe de Deus na origem e na história da Obra; insistia nesta consideração quando se referia ao começo da Secção de mulheres. Na meditação que dirigiu no dia 14 de Fevereiro de 1957, expressava-o assim: “A Providência quis que na terra, não tivésseis fundadora: e eu entendo-o e, sempre assim o entendi, que a vossa Fundadora é a Mãe do Céu, Santa Maria” (93).
Outra consideração inalterável é a de que a coincidência entre as datas fundacionais do dia 14 de Fevereiro de 1930 e 14 de Fevereiro de 1943 não era um acaso, era a confirmação de que todos tinham uma única missão: homens e mulheres, sacerdotes e leigos. Em 1974 dizia a um grupo numeroso de mulheres do Opus Dei, em Roma: “Vós sabeis que hoje é o aniversário da fundação da secção feminina da Obra e da fundação da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz. Evidentemente que o Senhor quis – porque foi Ele – que os sacerdotes tivessem o mesmo empenho em trabalhar para as duas secções; e quer também que, tanto a secção feminina como a masculina, rezem muito para que os sacerdotes sejam santos” (94).
Olhava para a coincidência de datas como um sinal da providência divina, um grande bem – a unidade do Opus Dei – que era preciso proteger e fomentar.
“Estou convencido que começastes o dia de hoje dando graças a Deus por ter querido indicar-nos, no dia 14 de Fevereiro de 1930, que o caminho por Ele aberto em 1928 era também para as minhas filhas, chamadas a realizar um grande trabalho sobrenatural no meio dos afazeres terrenos. Não vos esqueçais também que nesta data, no dia 14 de Fevereiro de 1943, o Senhor quis coroar - tantas vezes o tenho repetido, com estas mesmas palavras – o edifício divino do Opus Dei. Comovi-me ao ler o Santo Evangelho de hoje e ao contemplar essas imagens que há por detrás do altar, no retábulo: Cristo na Cruz, e Nossa Senhora, as outras santas mulheres e o discípulo amado: o sacerdote. E pensei que hoje, de verdade, agradeceríeis a unidade da Obra” (95).
Em 1970, usando uma imagem que lhe era muito querida, a do burrinho (96), dizia: “Temos de amar a unidade da Obra que é uma grande bênção de Deus. A secção masculina, nascida antes da feminina, não vai por um caminho diferente: puxamos o carro do amor de Deus e do serviço à humanidade na mesma direcção” (97).
Traços que se acentuam em momentos diferentes
Durante os primeiros anos dominava a urgência em responder ao dom de Deus com oração, sacrifício e acção: estava tudo por fazer. Por isso, a chegada de cada 14 de Fevereiro levava o fundador a fazer um balanço que se traduzia num novo impulso: mais santidade pessoal, metas apostólicas mais ambiciosas.
Pouco a pouco os frutos começaram a amadurecer: pessoas que tornavam seu o ideal de santificação na profissão, novas iniciativas apostólicas, mudanças no ambiente em virtude da irradiação do cristianismo transmitido por homens e mulheres do Opus Dei. A partir de meados da década de 50 começa a perceber-se uma nova perspectiva nos textos sobre o 14 de Fevereiro. A gratidão vai in crescendo pela eficácia divina que quer servir-se de instrumentos inadequados para alcançar frutos esplêndidos; e aumenta também a gratidão pela fidelidade dos que correspondiam com lealdade à chamada divina.
Escolhemos vários textos dos anos 50, 60 e 70 que nos parecem demonstrar esta evolução.
Fevereiro de 1950. As mulheres do Opus Dei eram ainda poucas, e estavam dispersas pelos horizontes apostólicos que se abriam ante elas. Uma das primeiras, Encarnación Ortega, escrevia para um centro de Madrid contando como tinham passado em Roma o 14 de Fevereiro desse ano:
“Certamente todas têm um enorme desejo de que lhes conte o que nos disse o nosso Padre. Não é assim? (…) Disse-nos que a Secção feminina do Opus Dei está a crescer. Que este ano se irá dar um grande impulso começando muitas coisas ao mesmo tempo e aperfeiçoando as que já se iniciaram. Mas que, para que isto se torne realidade, é necessário que a nossa entrega seja total, esquecendo-nos dos nossos problemas – que deixam de sê-lo quando os colocamos nas mãos de Deus” (98).
1960. O dia 14 de Fevereiro coincide com um momento importante do desenvolvimento do trabalho apostólico das mulheres do Opus Dei: várias iriam partir: umas para o Quénia, outras para o Japão, nações geograficamente distantes do seu lugar de origem, diferentes na sua cultura, história e condições de vida, com uma evangelização incipiente (99). Tornava-se realidade o que o fundador tinha visto no dia 2 de Outubro de 1928: o cariz universal do trabalho que Deus lhe pedia. Na homilia da Missa disse-lhes:
“Hoje, na epístola da Missa que, com autorização da Santa Sé, celebrámos em acção de graças à Mãe de Deus pelo dom maravilhoso da vossa vocação, lê-se: Ego quasi vitis…. Fala da vide e dos sarmentos. Assim, a Obra, assim, a Secção feminina do Opus Dei se tem vindo a encher de frutos com um odor maravilhoso, cresceu generosamente em virtudes silenciosas, ocultas, eficazes: de trabalho, para poder estender-se por todo o mundo (...) Como demonstração da nossa gratidão, Senhor, um punhado de filhas minhas vai para fora com todo o gosto, com alegria e entusiasmo. Fiéis, fiéis com uma fidelidade inquebrantável” (100).
Seis anos mais tarde, S. Josemaria reuniu-se com fiéis de vários países na sede central do Opus Dei. Depois de umas palavras em que expressava, de um modo determinante, a sua convicção sobre a origem divina da Secção feminina do Opus Dei, acrescentou algo que não tinha dito em anos anteriores: “Estai contentes com o chamamento de Deus para o Opus Dei. A Obra dá rosas em todo o lado. Um florescer de rosas que é sinal de grande predilecção do Senhor. O Opus Dei é uma grande sementeira de santidade. Tende paciência. A colheita virá. Chegarão as rosas. Naturalmente virão também os espinhos. Seria bom que não encontrássemos espinhos nesta colheita de rosas que é o nosso apostolado! Mas, se apertarmos com amor os espinhos, também nas nossas feridas florescerão rosas novas…” (101)
Em 1974, falando com um numeroso grupo de mulheres do Opus Dei, faz uma das mais longas evocações do 14 de Fevereiro de 1930. Já a citámos parcialmente sublinhando alguns aspectos. Vale a pena reproduzi-la integralmente: “Eu pressentia o amor de Deus, mas não sabia que era tão imenso. E, naquele 2 de Outubro de 1928, festa dos seus Anjos da Guarda, Nosso Senhor quis o Opus Dei. Peço-lhe perdão porque nunca soube trabalhar bem. Pensava que no Opus Dei só haveria homens. Não é que não gostasse das mulheres – amo muito a Mãe de Deus: amo a minha mãe e as vossas; gosto de todas as minhas filhas que são uma bênção de Deus no mundo inteiro – mas, antes do 14 de Fevereiro de 1930, eu não sabia da vossa existência no Opus Dei ainda que sim, no meu coração, latejasse o desejo de cumprir em tudo a vontade de Deus. E, quando acabei de celebrar a Missa naquele dia, sabia já que o Senhor queria a Secção feminina. Depois, no dia 14 de Fevereiro de 1943, quis coroar com a Cruz o seu edifício: A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz.
Minhas filhas, hoje, sois já de todas as cores: do branco pálido do norte da Europa até ao negro mais retinto de África, passando pelo amarelo e o acobreado com todos os seus tons intermédios. É uma bênção de Deus!” (102).
Nos últimos anos, quando os frutos apostólicos eram já abundantes, começa a falar do que sofreu quando começou o trabalho com mulheres. No dia 15 de Maio de 1974, em Madrid, onde viviam muitas das primeiras do Opus Dei, entre elas Maria Dolores Fisac, Guadalupe Ortiz de Landázuri e Carmen Gutiérrez Rios (103), confiava-lhes:
“Filhas minhas da primeira hora – que não é a primeira, mas a segunda – (104), posso dizer-vos, como S. Paulo, que me custastes as dores de parto. Vê-se que Satanás se empenhou em que não existissem no mundo estas filhas de Deus. Mas o Senhor queria-vos e agora estais espalhadas pela terra inteira, por todos os continentes, trabalhando com pessoas de todas as raças e de todas as cores. Dá vontade de louvar a Deus cantando-lhe Salmos – hinos aconselha o Espírito Santo –, quando se ouve a forma de sentir de irmãs vossas de outra cor de pele, de outro ambiente, de outra cultura e se vê que vivem, amam e trabalham como vós” (105).
Glosando a imagem que tantas vezes tinha empregue para explicar o início da Secção feminina do Opus Dei, o nascimento de uma nova criatura, começou a falar de que o nascimento das mulheres lhe tinha custado “dores de parto”. Numa longa confidência a fiéis do Opus Dei brasileiras, durante a sua viajem à América, em 1974, dizia “Trouxe-vos ao mundo da Igreja, minhas filhas, com dores de parto, conforme as palavras de S. Paulo. Gosto muito de vós porque me haveis custado muito. Mas agora, dai a Jesus e à Santíssima Virgem muitas alegrias” (106).
No ano seguinte, numa reunião com mulheres do Opus Dei venezuelanas expressava-se de maneira semelhante. “Lembra-me (D. Alvaro del Portillo) que amanhã é dia 14 de Fevereiro. Não vos zangais se vos digo que fostes para mim… a filha inesperada Não tinha previsto que houvesse mulheres no Opus Dei. Até cheguei a escrevê-lo. E, dias depois, no dia 14 de Fevereiro de 1930, celebrando a Santa Missa, viestes ao mundo... Encontrava-me num oratório pequeno, nada bonito, que não era nosso mas de uma senhora conhecida minha que vivia numa vivenda. Anos depois demoliram-na e construíram um prédio de apartamentos. Pois, na Santa Missa, assim que comunguei, o Senhor fez-me ver que queria a Secção feminina, e aqui estais. Bom! Destes-me cada desgosto…! Sois terríveis!” (107).
Os últimos meses da vida terrena do fundador
Se bem que, durante muitos anos, S. Josemaria raramente falasse do início do trabalho apostólico com mulheres fora da sua data do aniversário, no final da vida, a partir de Maio de 1974, referir-se-á a este facto em numerosas ocasiões e a audiências numerosas.
A primeira foi no encontro com algumas mulheres do Opus Dei, em Madrid a 15 de Maio de 1974 (108); poucos dias depois, a 27 desse mesmo mês, no decurso de uma reunião com um grupo de brasileiras (109). Refere-se, de novo, ao início do trabalho apostólico com mulheres durante a sua estadia na Argentina, no dia 26 de Junho, na ampla sala do teatro Coliseo de Buenos Aires (110); também no Chile, a 5 de Julho (111); e no Peru, onde o recorda longamente, a 11 do mesmo mês (112). Em 1975, por volta do dia 14 de Fevereiro, aludiu a este mesmo facto, durante uma viajem à Venezuela (113).
Termino com o último encontro, de volta a Roma, depois da viagem à América, a 28 de Março de 1975, quando celebrou os cinquenta anos da sua ordenação sacerdotal: “Fico muito contente por estar convosco e fico muito contente ver esta filha que não esperava, a Secção feminina – porque eu pensava que não haveria mulheres no Opus Dei mas Nosso Senhor quis que houvesse –, e vê-la desenvolver-se maravilhosamente” (114).
Considerações finais
Perguntávamos, no início deste trabalho, que traços essenciais da fisionomia do Opus Dei se manifestavam na forma como S. Josemaria transmitia os factos fundacionais. Fica especialmente claro o próprio núcleo da mensagem: a universalidade da santidade em todas as ocupações próprias da vida humana na terra: todos são chamados, homens e mulheres, com a mesma missão, igual responsabilidade; uns e outras com a sua contribuição peculiar. Por isso, desde o dia 14 de Fevereiro de 1930, o Fundador viu com clareza crescente o papel que as mulheres eram chamadas a desempenhar na família, na sociedade civil e na Igreja (115).
Os acontecimentos que relatámos realçam também alguns traços da personalidade de S. Josemaria, dos quais destacaria quatro: Primeiro, a sua Fé em Deus e na Sua Providência sapiente e amorosa; a sua segurança de que o Opus Dei se realizaria, fundada na certeza de que não era um projecto pessoal mas um desígnio que Deus lhe confiava e através dele a todos os que chamaria ao longo do tempo. Em segundo lugar, a sua humildade. Nunca quis aparecer como protagonista “ocultar-me e desaparecer é o que me é próprio, que só Jesus brilhe” (116), escrevia em 1975, poucos meses antes do seu falecimento.
Da forma como transmitiu os factos fundacionais, concretamente o de 14 de Fevereiro de 1930, percebe-se que não queria apropriar-se do que pertencia à glória de Deus (117). Terceiro: responsabilidade sacerdotal e paterna. Via-se a si mesmo como instrumento querido por Deus para procurar as pessoas que Ele tinha chamado e para as formar segundo o espírito que havia recebido. Por último, alegria e agradecimento, inseparavelmente unidos; não só pelo seu carácter, mas enraizados na fé, na esperança e no amor.
Finalmente, uma terceira pergunta: Qual a eficácia das suas palavras quando transmitiu às mulheres que “se tinham aberto os caminhos divinos da terra” (118)?
No início dos anos 40, as mulheres do Opus Dei eram um reduzido grupo de jovens espanholas (119). Uma delas, Nisa González Guzmán (120), recordava que durante o Verão de 1942, quando se começava o centro da rua de Jorge Manrique, certo dia S. Josemaria, chamou-a a ela e a Encarnación Ortega, para lhes explicar o panorama apostólico que tinham ela frente: centros de formação profissional para a mulher, residências universitárias, actividades no mundo da moda, centros de difusão de cultura, clínicas em todas as cidades do mundo… E, mais importante, o apostolado pessoal de cada uma no seu trabalho: “um mar sem limites”. Ante o seu olhar de assombro, o Fundador disse-lhes umas palavras que Nisa anotou: “Perante isto, podemos ter duas reacções: uma, a de pensar que é algo muito bonito, mas quimérico e irrealizável; e outra, de confiança no Senhor que, se nos pede isto, nos ajudará a levá-lo por diante. Espero que tenhais a segunda” (121).
Trinta anos depois, em 1975, ainda em vida de S. Josemaria, a semente do Opus Dei tinha-se tomado raízes em milhares de mulheres, em todas as latitudes. Vendo que o espírito recebido de Deus se plasmava em pessoas de cultura e profissão tão variadas, de todas as idades e condições sociais, não se habituava, pasmava ante a generosidade do Senhor. O panorama que se vislumbrava no final da vida do Fundador foi crescendo depois do seu falecimento: são muitas as mulheres que descobriram esse “mar sem limites” que S. Josemaria lhes mostrou a partir de 14 de Fevereiro de 1930. Mas, descrever essa história deverá ficar para outro momento.
++++
A autora licenciou-se em Filosofia na Universidade Complutense (Madrid) e doutorou-se na Universidade de Navarra. Professora de Filosofia da Educação no Istituto Internazionale di Scienze dell’Educazione (Castel Gandolfo / Roma, 1965 a 1991). Até Setembro de 2006 deu cursos de Antropologia e Ética, e dedicou-se a trabalhos de investigação na Faculdade de Filosofia da Pontificia Università della Santa Croce. Autora de vários artigos em revistas especializadas, de Filosofia e de Pedagogia.
Notas
1. Características da expressão oral de São Josemaria eram a sua vivacidade espontânea, a correcção sintáctica, o vocabulário rico e preciso que são patentes nas notas que recolhem palavras suas. Cfr. José Miguel Ibañez de Langlois, Josemaría Escrivá como escritor, Madrid, Rialp, 2002, p.93-95. Carta circular, 9-I-1938, Archivo General de la Prelatura (AGP), Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp.11.
2. Carta Circular, 9-I-1938, Archivo General de la Prelatura (AGP), Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp.11.
3. Nos centros em que vivem fiéis da Prelatura anotam-se diariamente, num estilo simples e familiar, os factos mais importantes do dia. Conservam-se no Arquivo Geral da Prelatura (AGP). Os que forem citados têm a mesma referência: AGP; Fondo IV, Secc. N Série 3 (Diários), com o número correspondente.
4. José Orlandis, “Mons. Josemaría Escrivá de Balaguer, maestro de vida cristiana”, Nuestro Tiempo, 257 (1975), p. 22-33. Salvador Bernal, Mons. Josemaria Escrivá de Balaguer. Apuntes sobre la vida del Fundador del Opus Dei, Madrid, Rialp, 1976. François Gondrand, Au pas de Dieu. Josemaría Escrivá de Balaguer, fondateur de l’Opus Dei, Paris, France-Empire, 1982. Peter Berglar, Opus Dei. Leben und Werk des Gründers Josemaría Escrivá, Salzburg, Otto Müller Verlag, 1983. Hugo de Azevedo, Uma luz no mundo. Vida do Servo de Deus Monsenhor José María Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, Lisboa, Prumo-Rei dos Livros, 1988. Ana Sastre, Tiempo de caminar. Semblanza de Mons. Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1989. Álvaro del Portillo, Una vida para Dios. Reflexiones en torno a la figura de Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1992. Idem, Intervista sul Fondatore dell’Opus Dei, Milano, Ares, 1992. Javier Echevarría, “Mons. Escrivá de Balaguer, un corazón que sabía amar”, em La personalidad del Beato Josemaría, Madrid, Rialp, 2000. John F. Coverdale, Uncommon Faith. The early years of Opus Dei (1928-1943), New York, Scepter, 2002. Javier Echevarría, “Maestro, sacerdote, Padre. Perfil humano y sobrenatural del Beato Josemaria Escrivá de Balaguer” en La grandezza della vita quotidiana. Vocazione e missione del cristiano in mezzo del mondo, vol. I, Roma, Edizioni Università della Santa Croce, 2002, p.67-89. Marlies Kücking, “Trazos para el perfil de un Fundador”, en Mariano Fazio (ed.), San Josemaría Josemaría Escrivá, Contesto storico. Personalità. Scritti, Roma, Edizioni Università della Santa Croce, 2002, p. 181-184. César Ortiz (ed.), Josemaría Escrivá. Profile einer Gründergestalt, Köln, Adamas, 2002. Andrés Vázquez de Prada, El Fundador del Opus Dei. Vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1997-2003.
Antonio Aranda, “Perfiles Teológicos de la espiritualidad del Opus Dei”, Scripta Theologica, 22/1, (1990), p. 89-111. Javier Echevarría, “Il cammino dell’Opera”, Romana. Bolletino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 24 (1997). Amadeo de Fuenmayor – Valentín Gómez-Iglesias – José Luis Illanes, El itinerario jurídico del Opus Dei. Historia y defensa de un carisma, Pamplona, EUNSA, 1989. Dominique Le Tourneau, L’Opus Dei, Paris, Presses Universitaires de France, 1984. Pedro Rodríguez – Fernando Ocáriz – José Luis Illanes, El Opus Dei en la Iglesia, Madrid, Rialp, 1993.
5. Andrés Vázquez de Prada, El Fundador del Opus Dei. Vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, Rialp, 1997-2003.
6. Antonio Aranda, “Perfiles teológicos de la espiritualidad del Opus Dei”, Scripta Theologica, 22 / 1, (1990), p. 89-111. Javier Echevarría, “Il cammino dell’Opera”, Romana. Bollettino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 24 (1997), p.95-99. Amadeo de Fuenmayor – Valentín Gómez-Iglesias – José Luis Illanes, El itinerario jurídico del Opus Dei. Historia e defensa de un carisma, Pamplona, EUNSA, 1989. Dominique Le Tourneau, Presses Universitaires de France, 1984. Pedro Rodríguez – Fernando Ocáriz – José Luis Illanes, El Opus Dei en la Iglesia, Madrid, Rialp, 1993.
7. José Luis Illanes, “Datos para la comprensión histórico espiritual de una fecha”, Cuadernos del Centro de Documentación y Estudios Josemaría Escrivá de Balaguer, 6 (2002), p. 105-147. Antonio Aranda, “El Beato Josemaría Escrivá de Balaguer ante su propia misión”, em Un Mensaje siempre actual, Actas del Congreso “Hacia el centenario del nacimiento del Beato Josemaría Escrivá de Balaguer”, Buenos Aires, Universidad Austral, 2002, p. 117-142. Danilo Eterovic Garret, “La luz del 2 de octubre: un estudio de fuentes”, em ibid., p. 521-539. Gonzalo Redondo, “El 2 de octubre de 1928 en el contexto de la historia cultural contemporánea”, Cuadernos del Centro de Documentación y Estudios Josemaría Escrivá de Balaguer, 6 (2002), p. 149-191.
8. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 251-324.
9. Dona Leónides García San Miguel, Marquesa de Onteiro. Cfr. ibid., p. 258, nota 17. A sua casa era uma vivenda situada na rua de Alcalá Galiano; foi demolida anos mais tarde para se construir um edifício de apartamentos. Cfr. Ana Sastre, op. cit., p. 101-102.
10. Josemaria Escrivá, Apontamentos íntimos, n. 1871, anotação feita em 1948. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 323. Sobre a relevância histórica e teológica deste texto, cfr. Antonio Aranda, “El Beato Josemaría…”, p. 131-136.
11. Villa Tevere é o nome do conjunto de edifícios que albergam a sede central do Opus Dei em Roma: cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. III, p. 105.
12. Apontamentos tomados de uma meditação, 14-II-1964, AGP, Sec. P09, p. 74. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 315-324.
13. “Nos meses que se seguem ao 2 de Outubro de 1928, o Pe. Josemaria Escrivá, se bem que tivesse entendido o alcance universal da luz que recebera, pensou que o Opus Dei era só para homens. No dia 14 de Fevereiro de 1930, enquanto celebrava a Santa Missa, viu que devia promover essa vocação também entre as mulheres, dando assim origem a um novo ramo ou secção do Opus Dei. A Prelatura do Opus Dei – que constitui uma unidade pastoral orgânica e indivisível – leva a cabo os seus apostolados por meio da Secção de varões e da Secção de mulheres, sob o governo e direcção do Prelado que outorga e assegura a unidade fundamental de espírito e de jurisdição entre as duas Secções”. José Luís Illanes, op.cit., p.130, nota 74.
14. Apontamentos tirados numa reunião em Buenos Aires, em 26-VI-1974, AGP, Sec. P05, 1974, I, p. 595.
15. Apontamentos tirados numa palestra em 14-II-1959, AGP, Sec. P02, 1992, p. 600.
16. Apontamentos de uma conversa, Fevereiro 1955, AGP, Sec. P01, II-1955, p. 6.
17. Cfr. Pedro Rodríguez et al., op. cit., p. 69-86 e 162 -198.
18. Cfr. Statuta, n. 1 e 130, em Amadeo de Fuenmayor et al, op. cit., p. 628 y 647.
19. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
20. Cfr. Constitução apostólica Ut Sit, 2-V-1983, pela qual João Paulo II erigiu o Opus Dei em prelatura pessoal de âmbito internacional, AAS 75 (1983), p. 423-425.
21. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1970, AGP, Sec. P06, V, 434.
22. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 453.
23. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 453-454.
24. Como diz José Luis Illanes, São Josemaria sentia urgência em afirmar que o que tinha acontecido na sua vida – a fundação – “não era algo que tivesse nascido do seu próprio ser, dos seus sentimentos, ânsias ou desejos, mas sim fruto de uma livre iniciativa divina”; op. cit., p. 131.
25. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 451-452.
26. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 297.
27. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1966, AGP, Sec. P06, V, 434.
28. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1970, AGP, Sec. P06, V, 434.
29. Cfr. Pedro Rodríguez et al., op. cit., p. 104-112; ver também p. 168-173 e p. 296-300.
30. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1960, AGP, Sec. P02, III-1960, p. 12.
31. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 296.
32. Cfr. textos de referência em notas 21, 22 , 24, 26 y 29.
33. Entre outros lugares, figura em AGP, Sec. P02, II-1957, p. 10.
34. Apontamentos tirados de uma conversa, AGP, Sec. P02, II-1965, p. 14-16.
35. Apontamentos tirados de uma conversa, AGP, Sec. P02, II-1962 , p. 36.
36. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, II, 1974, p. 343.
37. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 321-322.
38. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1960, AGP, Sec. P17, II, p. 455.
39. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1964, AGP, Sec. P09, p. 74.
40. Apontamentos tirados de uma reunião, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, II-1966 , p. 16.
41. Apontamentos tirados de uma conversa, 14-II-1971, AGP, Sec. A, Serie A-4.
42. José Luis Illanes, op. cit., p. 127.
43. Cfr. ibid.
44. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, II, pp. 343-344.
45. Javier Echevarría, Memoria del Beato Josemaría…, p. 181.
46. Apontamentos tirados de uma reunião, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, III-1966 , p. 17.
47. Breves orações que os fiéis do Opus Dei recitam todos os dias: cfr. Statuta, n. 82, 1º, Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 639.
48. Carta circular, 9-I-1938, AGP, Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp. 11.
49. Carta de São Josemaria para Álvaro del Portillo e Vicente Rodríguez Casado, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
50. Carta de São Josemaria a Enrique Alonso-Martínez Saumell, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 2.
51. “Peque” é uma abreviatura da palavra “pequeño”, na acepção de alguém de pouca idade. É uma maneira coloquial de dirigir-se a uma pessoa mais nova.
52. Carta de São Josemaria para Pedro Casciaro Ramírez, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
53. Carta de São Josemaria a Ricardo Fernández Vallespín, 3-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
54. Carta de São Josemaria a Juan Jiménez Vargas, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
55. María Dolores Fisac, nascida em Daimiel (Espanha) a 15 de Dezembro de 1909, pediu a admissão no Opus Dei em 1937, e recebeu directamente de São Josemaria a primeira formação no espírito da Obra. Viveu principalmente em Madrid. Teve oportunidade de conhecer e ser amiga da mãe e da irmã de São Josemaria. Depois de uma doença prolongada, levada com serenidade e espírito cristão, faleceu em Madrid, a 31 de Março de 2005. Cfr. outros dados en Ana Sastre, op. cit., p. 274-275, 277.
56. Carta, 14-II-1940, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 4.
57. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. II, p. 593-611.
58. Conselho que assiste o Prelado na direcção do trabalho apostólico que as mulheres do Opus Dei levam a cabo. Cfr. Statuta, n. 146, em Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 651.
59. Carta, 7-II-1947, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 2. A Admissão, a Oblação e a Fidelidade são os três momentos da adscrição no Opus Dei: cfr. Statuta, c. III, n. 17, em ibid., p. 631.
60. Carta, 5-II-1948, AGP, Sec. A, Leg. 26 0, Carp. 1.
61. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 12-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
62. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
63. Diário do centro Los Rosales, 14-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1358; Diário da administrão de Moncloa, 13-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-122 4; Diário da Residência Zurbarán, 14-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1575.
64. Villa Sacchetti é o primeiro centro de mulheres do Opus Dei em Roma, situado na rua que tem o mesmo nome.
65. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 452.
66. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 451-452.
67. Apontamentos tirados numa tertúlia, el 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, II-1966 , p. 17.
68. Denominação que se aplicava ao Opus Dei enquanto, transitoriamente, era Instituto Secular: cfr. Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 145-192.
69. Carta, 9-I-1955, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 5.
70. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 452.
71. Apontamentos tirados numa tertúlia, 14-II-1970, AGP, Sec. P02, 1970, pp. 200-201.
72. Conserva-se uma carta de São Josemaria, datada de Roma a 27 de Julho de 1946, dirigida aos membros do Conselho Geral que residiam em Madrid, em que se refere ao bom andamento dos trâmites para obter a possibilidade de celebrar a Santa Missa da meia-noite de 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro, de 13 para 14 de Fevereiro e de 1 para 2 de Outubro. Cfr. Carta, 27-VII-1946, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 1.
73. Diário das que se ocupavam da administração doméstica da casa de Città Leonina, onde residia nesse momento o fundador. AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2862 , 12 y 13-II-1947; Diário de Villa Sacchetti, 13-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870; Diário da administração do centro da rua de Pompeo Magno, 13 y 14-II-1951, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-6905.
74. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1004.
75. Carta, 10-I-1956, AGP, Sec. A, Leg. 258, Carp. 2.
76. No original ‘resopón’. A palavra ‘resopón’ é uma forma castelhanizada do termo catalão ‘ressopó’, que significa uma refeição ligeira que se toma de noite, quando as pessoas se vão deitar tarde, depois do jantar: cfr. Institut d’Estudis Catalans, Diccionari de la llèngua catalana, Barcelona, 1995.
77. Diário de Villa Sacchetti, 13-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870.
78. Diário da administração do centro da rua de Pompeo Magno, 14-II-1951, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-6905.
79. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870.
80. Cfr. Apontamentos íntimos, n. 931, em Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 458.
81. Ibid., n. 1136, em Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 458-459.
82. Apontamentos tirados de uma meditação, 13-II-1942, AGP, Sec. P16, 2000, p. 166.
83. Encarnación Ortega Pardo nasceu a 5 de Maio de 1920, em Puente Caldelas (Espanha). Pediu a admissão no Opus Dei em 1941. Esteve presente, junto com outras fiéis da Obra, nos inícios do centro da rua de Jorge Manrique. Em 1946 foi para Roma, onde se dedicou a tarefas de formação e de governo do Opus Dei, em estreita colaboração com São Josemaria. De regresso a Espanha, viveu em Barcelona, Oviedo e, desde 1973 até ao seu falecimento, a 1 de Dezembro de 1995, em Valhadolid. Cfr. Romana. Bollettino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 21 (1995), p. 428. Enrica Botella nasceu a 27 de Setembro de 1917 em Alcoy (Espanha). Pediu a admissão em 1941. Em 1949 foi viver para Itália, onde permaneceu até ao ano de 1966, trabalhando em Roma, Nápoles y Milão. Depois foi para Barcelona (Espanha), onde faleceu, a 26 de Setembro de 2000. Cfr. Romana. Boletín de la Prelatura de la Santa Cruz y Opus Dei, 31 (2000), p. 290. Outros dados em Ana Sastre, op. cit., p. 275-276.
84. O Pe. Antonio Rodilla Zanón nasceu em 1897; foi ordenado sacerdote em 1921. Director do Colégio de São João de Ribera, de Valência, de 1923 a 1939 e Reitor do Seminário Maior da mesma cidade desde 1939 a 1969. Morreu em 1984: cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. II, p. 261.
85. Carta, 15-II-1942, AGP, Sec. A, Leg. 257, Carp. 4.
86. Cfr. nota 61.
87. Diario del centro de la calle Jorge Manrique, 13-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1004.
88. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1954, AGP, Sec. P02, III-1954, p. 11.
89. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1956, AGP, Sec. P02, III-1956, p. 24.
90. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1965, AGP, Sec. P02, II-1965, p. 16-17.
91. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1965, AGP, Sec. A, Serie A.4.
92. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1967, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2899. Também se encontram estas idéias no diário do centro La Montagnola, na mesma data, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2830.
93. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1957, AGP, Sec. P02, II-1957, p. 10.
94. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1974, AGP, Sec. P02, 1974, p. 308.
95. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1958, AGP, Sec. P06, V, 436. A Santa Missa foi celebrada no oratório do Santo Cristo, na sede central do Opus Dei, em Roma.
96. Gostava deste animal por várias razões, entre elas as que descrevia em Cristo que passa, n. 181: “Pensai nas características de um jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais formosos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo preferiu este para se apresentar como rei diante do povo que O aclamava”. Cfr. também Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 416-417.
97. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1970, AGP, Sec. P02, 1970, p. 201.
98. Carta de Encarnación Ortega para o centro Los Rosales (Villaviciosa de Odón, Madrid), 14 de Fevereiro de 1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.2 [Cartas], Carp. 2, n. IV.
99. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1960, AGP Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, [Diarios], D-2886 e Diário do centro La Montagnola, na mesma data, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2822 .
100. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1960, AGP, Sec. P02, III-1960, pp. 14-15.
101. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, III-1966 , p. 16.
102. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, 1974, II, pp. 343.
103. Guadalupe Ortiz de Landázuri (1916-1975) pediu a admissão no Opus Dei no ano de 1944. Em 1950 foi para o México para começar o trabalho apostólico com mulheres nesse país, permanecendo ali até 1956. Depois de estar dois anos em Roma, regressou a Madrid, onde se doutorou em Química. Faleceu em Pamplona a 16 de Julho de 1975. Em Novembro de 2001 a arquidiocese de Madrid iniciou a sua causa de Canonização. Carmen Gutiérrez Ríos solicitou a admissão no Opus Dei em 1945: cfr. Ana Sastre, op. cit., p.309 e Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 8-IV-1945, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1009.
104. Seria interessante analisar por que razão o fundador diz que não são as da primeira hora, mas da segunda, mas isso excede o propósito deste estudo.
105. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 15-V-1974, AGP, Sec. P02, 1974, p. 1020.
106. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 27-V-1974, AGP, Sec. P05, 1974, I, p. 120.
107. Então, uma das que assistia disse-lhe espontaneamente: “E agora Padre?” “Agora sei que me dareis cada dia mais alegrias. E acima de tudo, a Jesus Senhor Nosso e a Santa Maria, que é a Mãe de todos nós”. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 13-II-1975, AGP, Sec. P05, 1975, III, p. 182.
108. Cfr. nota 105.
109. Cfr. nota 106.
110. Cfr. nota 14.
111. AGP, Sec. P05, II, 1974, pp. 343-344.
112. Cfr. nota 36.
113. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 13-II-1975, AGP, Sec. P05, 1975, III, p. 182.
114. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 28-III-1975, AGP, Sec. P02, 1975, p. 283.
115. Cfr. Josemaria Escrivá, Temas actuais do Cristianismo, Madrid, Rialp, 1967, n. 87-90.
116. Carta, 28-I-1975, AGP, Sec. A, Leg. 309, Carp. 2.
117. Tinha escrito no número 780 de Camino, que apropriar-se da glória de Deus era como um roubo sacrílego, e vê-se que esta convicção guiava a sua conduta.
118. Josemaria Escrivá, Cristo que pasa, Madrid, Rialp, 1963, n. 21.
119. Cfr. Ana Sastre, op. cit., pp. 273-278.
120. Nisa González Guzmán, nascida en Ceboallos (Espanha) a 12 de Julho de 1907, havia pedido a admissão em 1941. Em 1950 foi para os Estados Unidos, depois sucessivamente para o Canadá e Inglaterra. Ao regressar a Espanha viveu em Valência, onde faleceu no dia 2 de Maio de 1998. Cfr. Romana, Boletín de la Prelatura de la Santa Cruz y Opus Dei, 26 (1998), p. 135.
121. Notas tomadas numa conversa, AGP, Sec. P02, 1978, p. 977.
Abstract: O artigo analisa o modo como São Josemaria Escrivá recordava e falava aos fiéis do Opus Dei sobre uma das datas fundacionais: o 14 de Fevereiro de 1930, quando compreendeu que a mensagem do 2 de Outubro de 1928 era dirigida também a mulheres. Nesta transmissão há aspectos permanentes e outros que variam ao longo do tempo. A análise apoia-se em testemunhos autobiográficos de São Josemaria, escritos e orais, em que evocou esta data.
Descarregar o artigo em pdf

São Josemaria e à direita a autora do artigo, em 1970, em Roma
A 14 de Fevereiro de 1930, São Josemaria iniciava o trabalho apostólico do Opus Dei com mulheres. Propomo-nos neste trabalho estudar alguns aspectos desse acontecimento, analisando como o fundador foi evocando essa data quando se dirigia aos membros do Opus Dei. Foram quatro as perguntas que inicialmente guiaram a nossa reflexão: Na transmissão dos factos fundacionais, concretamente do dia 14 de Fevereiro de 1930, que disse São Josemaria? Quando e com que frequência? De que modo? O que é constante e o que muda ao longo dos anos?
Conforme ia avançando o trabalho foram-se apresentando outras questões que imprimem relevo e profundidade às anteriores: que aspectos da fisionomia do Opus Dei ficam iluminados nessa comunicação do acontecimento fundacional? Que características da personalidade do fundador ficam patentes no seu modo de transmitir o que sucedeu nessa data? Finalmente, qual a eficácia difusiva das suas palavras? Os que viviam com São Josemaria começaram logo a tomar notas que, como é lógico, são mais abundantes à medida que os anos vão passando: porque são mais os que lhe estão próximos, e porque são cada vez mais conscientes da sua responsabilidade de transmitir o que disse o fundador às pessoas do Opus Dei. É o que chamaremos “apontamentos tomados” de uma homília, de uma meditação, numa reunião familiar (tertúlia), numa entrevista (1) … Serão a fonte principal para a elaboração desta nota.
Um segundo núcleo de documentos que faz referência ao tema de estudo que nos ocupa é o epistolário. Nas cartas, São Josemaria transmitia aos que estavam longe o que comunicava oralmente aos que tinha por perto, em conversas familiares e pessoais, na pregação. A primeira em que encontramos uma referência ao 14 de Fevereiro de 1930 é uma carta circular de 9 de Janeiro de 1938 (2).
Encontram-se anotações sobre essas datas também nos seus Apontamentos íntimos, isto é, nas suas notas pessoais - em que se entrevêem a sua intimidade pessoal com Deus, o seu trabalho apostólico - que foi redigindo desde os anos iniciais do Opus Dei.
Outra fonte são as notícias que se encontram nos diários dos centros (3) do Opus Dei das cidades onde residiu São Josemaria - Madrid e Roma -, a que recorreremos quando for oportuno comparar, confirmar, ou complementar o anotado nos apontamentos atrás referidos.

São Josemaria com um grupo de universitárias
Utilizaram-se também cartas de fiéis do Opus Dei, contemporâneos do fundador, que relatam factos ou palavras significativas para o nosso tema de estudo.
No que se refere às fontes bibliográficas, servimo-nos de dois tipos de obras intimamente relacionadas: biografias e estudos sobre São Josemaria Escrivá (4). Entre as biografias, utilizaremos preferentemente a mais completa, documentada e extensa, que é a de Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, estruturada em três volumes (5).
Apoiar-nos-emos também em estudos sobre a fundação do Opus Dei como instituição da Igreja Católica (6) e outros que tratam especificamente da fundação, principalmente o de José Luís Illanes, Datos para la comprensión histórico-espiritual de una fecha (7).
O acontecimento fundacional do 14 de Fevereiro de 1930
Em que consistiu o acontecimento fundacional do 14 de Fevereiro de 1930? Poder-se-ia responder a esta pergunta de uma maneira concisa dizendo: São Josemaria entendeu que Deus chamava as mulheres para serem e fazerem o Opus Dei. Portanto, o que sucedeu na data que nos ocupa deve ser situado na perspectiva da realização deste projecto que teve o seu início a 2 de Outubro de 1928 (8).
O fundador referia sempre a data em que se tinha apercebido de que Deus queria a Secção feminina do Opus Dei; algumas vezes acrescentava também as circunstâncias do lugar e da situação. O lugar foi o oratório da casa da Marquesa de Onteiro, em Madrid. A situação foi enquanto celebrava a Missa; o momento preciso: imediatamente depois da Comunhão. Ele próprio anotaria mais tarde o que tinha acontecido na sua alma: “A 14 de Fevereiro de 1930, celebrava eu a missa no oratório da idosa marquesa de Onteiro (9), mãe de Luz Casanova, que eu atendia espiritualmente, quando era Capelão do Patronato. Dentro da Missa, imediatamente depois da Comunhão, toda a Obra feminina! Não posso dizer que vi, mas sim que intelectualmente, com pormenor (depois acrescentei outras coisas, ao desenvolver a visão intelectual), abrangi o que havia de ser a Secção feminina do Opus Dei” (10).
E numa meditação dirigida em Villa Tevere (11), no oratório de Pentecostes:
“Eu ia a casa de uma senhora idosa de oitenta anos que se confessava comigo, para celebrar Missa naquele pequeno oratório que tinha. E foi ali, depois da Comunhão, na Missa, quando veio ao mundo a Secção feminina. Depois, a seu tempo, dirigi-me ao meu confessor, que me disse: isto é tão de Deus como o resto” (12).
Surge nesse dia algo novo, que não é uma instituição diversa, mas sim um desenvolvimento daquilo que tinha começado a 2 de Outubro de 1928 (13). De formas diferentes, sempre que se referia ao que teve início a 14 de Fevereiro de 1930, ficava patente que havia uma continuidade com o que vira a 2 de Outubro de 1928. Exprimia-o de uma maneira muita clara numa reunião em Buenos Aires em 1974. “Foi a 2 de Outubro de vinte e oito, festa dos Santos Anjos da Guarda, quando o Senhor quis que começássemos a trabalhar. A 14 de Fevereiro de trinta, a Secção feminina completou essa grande mobilização de cristãos para a paz, para o bem-estar, para a compreensão, para a fraternidade” (14).
Vejamos também um texto mais antigo, de 1959. Reunido com algumas mulheres do Opus Dei que viviam em Roma, dizia-lhes: “Queria hoje estar convosco, minhas filhas, porque celebramos o aniversário daquele dia em que Nosso Senhor se dignou abrir às mulheres este caminho divino na Terra” (15).
Num apontamento de uma conversa com o fundador, em Fevereiro de 1955, fica claro como entendia que a integridade do Opus Dei incluía homens e mulheres. “A Obra, verdadeiramente, sem essa vontade expressa do Senhor e sem as vossas irmãs, teria ficado coxa” (16).
Homens e mulheres no Opus Dei fazem parte de uma única instituição; têm um mesmo chamamento, uma mesma missão, idêntico espírito e modos apostólicos (17); constituem uma só família que tem como cabeça o “Padre” que, desde que o Opus Dei alcançou a sua forma jurídica definitiva em 1982, é o seu Prelado próprio (18). Assim o transmitiu o fundador de formas variadíssimas, com palavras e com factos. E assim o entenderam os membros do Opus Dei desde o princípio. Parece significativa uma anotação do diário do centro de mulheres situado na Rua de Jorge Manrique, datada de 14 de fevereiro de 1943, em que se vislumbra o eco de palavras de São Josemaria: “O nosso primeiro olhar neste dia tão grande para nós foi para Jesus (sic) que do Sacrário nos preside, nele houve uma acção de graças muito profunda por ter inspirado a colaboração feminina na sua Obra” (19). A expressão “colaboração feminina”, embora sendo inexacta, reflecte bem dois aspectos que São Josemaria lhes transmitia: o Opus Dei é uma instituição única, com duas secções; a iniciativa é divina portanto, todos - as mulheres e os homens - “colaboram” com Deus.
Aspectos essenciais da mensagem
Dado que o que nasce em 1930 não é uma nova fundação mas um prolongamento daquilo que nasceu a 2 de Outubro de 1928, a mensagem é a mesma: o chamamento para a santidade na vida corrente no meio do mundo (20). Quando São Josemaria se referia ao facto do 14 de Fevereiro ficava patente que a missão a que Deus chamava as mulheres era a mesma que a dos homens. Exprimia-o com frases sintéticas e expressivas, como esta: “Deus escolheu-nos desde toda a eternidade para fazer este trabalho divino no mundo inteiro” (21).
Noutras ocasiões, São Josemaria explicava mais amplamente a finalidade do Opus Dei, como sucedeu em 1955, quando se cumpria o 25º aniversário da secção de mulheres. Dizia: “É esta a finalidade do Opus Dei. Disse-vo-lo mil vezes, e tê-lo-eis aprendido muito bem, que a actividade da Obra se resume em dar doutrina, que aquilo que é próprio de nós é ser luz que ilumina as inteligênc8as com o fulgor dos ensinamentos de Cristo, sal que preserva da corrupção os costumes das pessoas. Hoje desejo recordar-vos o mesmo, embora com outras palavras: que a finalidade do Opus Dei é tornar amável às almas o caminho da santidade” (22).
E nessa mesma meditação acrescentava: "Com o Opus Dei podemos dizer que se abriram os caminhos divinos da Terra. Ele, Jesus, é tão bom, que permitiu que andem por este caminho amplo da Obra pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades e condições: homens e mulheres, solteiros e casados, leigos e sacerdotes, sãos e doentes; todos com a mesma vocação, com idêntica ambição de serem santos, com o mesmo dever de fazer apostolado, de acordo com as exigências do estado e situação de cada um no mundo. Verdadeiramente abriram-se os caminhos divinos da terra” (23).
Seja qual for a forma utilizada por São Josemaria para se referir a este acontecimento fundacional, manifestam-se duas notas essenciais intimamente relacionadas: o protagonismo de Deus e o papel de instrumento do fundador (24).
A iniciativa, o querer, é de Deus, não de Josemaria Escrivá. Não se sentia de modo nenhum protagonista destes acontecimentos.
Nos textos que acabamos de citar o sujeito é Deus: “Ele, Jesus (…) permitiu…”; “Deus escolheu-nos…”. Na meditação do 14 de Fevereiro de 1955 afirmava com força: “Asseguro-vos que foi vontade expressa do Senhor - assinalada neste dia do ano trinta - a razão pela qual existe a Secção feminina do Opus Dei. Foi Ele quem o quis” (25).
O fundador entendia que o 2 de Outubro de 1928 era o dia em que o Senhor tinha querido manifestar a sua vontade e o seu chamamento para realizar a Obra: era o dia do início do Opus Dei e da sua vocação específica nesta instituição (26). No dia 14 de Fevereiro de 1930 compreendeu que Deus queria que as mulheres recebessem também o espírito do Opus Dei, e que era ele o instrumento para lhes transmitir a mensagem.
Exprimia-se sempre de maneira que se entendesse que era Deus quem actuava para virem as pessoas para o Opus Dei: era Jesus Cristo quem chamava, não Escrivá. Em 1966 dizia às mulheres do Opus Dei que viviam em Roma: “Minhas filhas, começamos o ano trinta e sete, e desejo dizer-vos uma coisa: eu não queria fundar nem a Secção masculina, nem a Secção feminina do Opus Dei” (27).
Como via São Josemaria o seu papel na realização do Opus Dei entre mulheres? A resposta é clara: ser instrumento divino para levar a cabo no tempo o querer divino. Numa homília, a 14 de fevereiro de 1970, quando se cumpria o 40º aniversário, o fundador começava assim:
“Temos de começar por dar graças do fundo do coração porque, sendo instrumentos inúteis, escolheu-nos Deus desde toda a eternidade para fazer este trabalho divino no mundo inteiro. Temos de dizer ao Senhor e à sua Mãe que seremos fiéis levando o amor de Deus a todos os sítios, querendo de verdade o bem e a felicidade de todas as criaturas, de qualquer país, de qualquer língua: todos somos iguais diante de Deus; na sua divina presença não há ninguém que seja menos do que nós” (28).
Sendo todos os fiéis da Obra instrumentos para fazerem o Opus Dei, há uma distinção clara: trata-se de um mesmo chamamento divino que ele cumpria como “Padre”, pai, dessa grande família, e todos os outros como seus filhos espirituais. Uma paternidade que se prolongaria através do tempo na figura dos seus sucessores, que iriam estar à frente do Opus Dei (29).
Essa responsabilidade paterna exprime-se de diversas formas nos textos que estamos a estudar: na experiência de deveres concretos, na alegria que pressupõe ser pai de uma família querida pela bondade de Deus, na dor e na preocupação que às vezes os filhos ocasionam. Numa homília dirigida em 1960 a mulheres do Opus Dei, no oratório de Pentecostes de Villa Tevere, dizia assim: “Faz hoje trinta anos que o Senhor pôs sobre os meus ombros o dever de levar para a frente a Secção feminina do Opus Dei. Trinta anos de obediência à vontade clara e terminante do Senhor: por isso estais aqui” (30).
14 de Fevereiro e consciência de fundador
Como é lógico, São Josemaria falou em diversos momentos aos membros do Opus Dei, ao longo da sua vida, dos factos fundacionais. Contudo, estudando os textos,
podemos afirmar que referia o imprescindível desses acontecimentos, mais ainda, em muitas ocasiões evitava a resposta quando lhe faziam perguntas sobre eles, como teremos ocasião de ver mais adiante. Andrés Vázquez de Prada indica que, ao relatar o sucedido a 2 de outubro de 1928, o fundador empregava formas que isolavam o acontecimento sobrenatural das circunstâncias pessoais (31); acontece o mesmo quando evocava a fundação das mulheres (32).
De que modo o dava a conhecer? Analisando os apontamentos que chegaram até nós damo-nos conta que utilizava dois modos: um taxativo, conciso, directo, solene, dentro da simplicidade habitual nele. Outro indirecto, familiar, cordial.
No primeiro grupo poderíamos situar os textos que citámos anteriormente. São pouco numerosos e têm o seu enquadramento numa celebração litúrgica. Os do segundo grupo, muito mais abundantes, devem-se situar no contexto de reuniões informais, com frequência nos dias do aniversário. Têm uma forma coloquial, calorosa, que penetrava profundamente em quem o escutava.
Uma das formas indirectas de transmitir o que significava para todos o início do apostolado do Opus Dei entre mulheres em 1930, era felicitar as suas filhas espirituais no dia 14 de Fevereiro como num aniversário (33). Ao mesmo tempo era também uma festa para ele, para o fundador, porque para um pai é sempre uma alegria recordar o nascimento dos filhos. Na mesma data fazia ver aos homens que era também um dia de celebração para eles: ter irmãs, filhas do mesmo Padre, era um motivo de alegria e agradecimento.
Algumas vezes São Josemaria referia-se ao aniversário do Opus Dei com mulheres abrindo a sua alma, manifestando que nessa data experimentou a alegria de um pai que já não esperava ter mais filhos, quando sabe que chega outro. Numa ocasião confiou-lhes: “A Secção feminina tem de ser a predilecta do meu coração. Agora, e depois, quando o Senhor me chamar a prestar contas. A mim sucedeu-me o mesmo que às mães que não esperam mais filhos e o Senhor as abençoa de novo. Esses filhos amam-se mais, sem ofensa para os outros” (34).
Nas datas próximas do 14 de Fevereiro, às vezes fazia referência ao aniversário que se avizinhava dizendo que o comemorariam como um grande acontecimento, “porque eu não vos esperava - estava-se a dirigir a mulheres do Opus Dei - e agora tenho-vos” (35).
Fosse qual fosse a forma utilizada, o fundador transmitia a clara consciência de que o Opus Dei era de Deus, não algo idealizado por ele. Fazia-os participar da sua certeza de que se tratava de uma iniciativa divina; fazia-o, sem recorrer à descrição da sua experiência espiritual interior, mas a factos exteriores que mostravam, a ele e aos outros, que o Opus Dei não era uma criação sua. Assim o explicou perante um grupo de mulheres, no Peru, em 1974:
Pensava que no Opus Dei só haveria homens. Não é que não gostasse das mulheres – amo muito a Mãe de Deus; amo muito a minha mãe e as vossas; amo muito todas as minhas filhas, que são uma bênção de Deus no mundo inteiro -, mas antes do 14 de Fevereiro de 1930, eu não sabia nada da vossa existência no Opus Dei, embora sim, latejasse no meu coração o desejo de cumprir em tudo a vontade de Deus. E quando acabei de celebrar a Santa Missa nesse dia, conhecia já que o Senhor queria a Secção feminina (36).
Não só actuava com esse critério, mas chegou inclusivamente a pô-lo por escrito mais do que uma vez. Assim aconteceu quando estudou a possibilidade de haver uma instituição que poderia servir para pôr por obra o que “tinha visto” no dia 2 de Outubro, descartou-a, entre outras coisas, porque essa instituição trabalhava com mulheres (37).
Interpretou depois este facto como uma prova tangível de que as mulheres estavam no Opus Dei, não porque o fundador o considerasse conveniente ou oportuno, mas por um expresso querer divino: “Eu tinha escrito, a propósito das diferenças entre o Opus Dei e uma instituição que existia fora de Espanha, que uma dessas era que nós não trabalharíamos nunca com mulheres. Isto deve ter acontecido nos finais de 1929. Pouco depois, a 14 de Fevereiro de 1930, estava eu a celebrar a Santa Missa na casa de uma senhora idosa, quando veio ao mundo a Secção feminina da Obra” (38). E noutra ocasião: “Para que não houvesse dúvida de que era Ele quem queria realizar a sua Obra, o Senhor apresentava coisas externas. Eu tinha escrito: nunca haverá mulheres - nem a brincar - no Opus Dei. E poucos dias depois… no dia 14 de Fevereiro, para que se visse que não era coisa minha, mas contra a minha inclinação e contra a minha vontade” (39).
Dois anos depois, também a 14 de Fevereiro, dirigindo-se a um grupo de mulheres do Opus Dei, em Roma, afirmava: “eu não queria fundar nem a Secção masculina, nem a Secção feminina do Opus Dei. Na Secção feminina nunca tinha pensado. Asseguro-vos com uma certeza física - física mesmo -, que sois filhas de Deus. Que Ele vos abençoe. Que estejais contentes com a chamada de Deus para o Opus Dei” (40).
Ocasiões em que São Josemaria falava do 14 de Fevereiro de 1930. Frequência e motivos
Estudando os textos, apercebemo-nos que as ocasiões mais recorrentes em que São Josemaria se referiu ao 14 de Fevereiro de 1930 se situam em torno dessa data: no próprio dia, na véspera ou no dia seguinte. As palavras que conservamos de outros momentos são poucas. A evocação aparecia devido a factos que conduziam à recordação do início do trabalho apostólico com as mulheres, não eram provocadas por uma pergunta directa: quando lha faziam, evitava amavelmente a resposta.
Por exemplo, num 14 de Fevereiro, um membro do Opus Dei perguntou ao fundador:
Que nos diz deste aniversário? A resposta foi claramente evasiva relativamente ao que era acidental, pelo contrário, afirmou o essencial, o que devia transmitir aos outros, e que por isso agradava a Deus, que foi sempre o motivo determinante da sua conduta:
“Não recordo nada. Sabeis que tenho pouca memória, às vezes. Se me perguntasses coisas mais antigas, recordá-las-ia. De todas as formas uma coisa te posso dizer, porque com isto não ofendo a Deus, mas agrado-Lhe: que eu, naquele 14 de Fevereiro, estava bem longe de pensar que haveria mulheres no Opus Dei.
Mais: tinha escrito que não as haveria. Antes da Missa estava nessa certeza, e depois da Missa estava na contrária. E pronto, acabámos. Não me lembro de mais” (41).
Porque razão esta resistência de São Josemaria para contar os factos fundacionais? Em relação ao acontecido a 2 de outubro de 1928, José Luís Illanes afirma: Foi sempre muito sóbrio, mais ainda, conciso (…). Normalmente limita-se a dizer que nesse dia viu - empregou sempre esta palavra - o Opus Dei. A sua resistência em descer a detalhes nascia da sua humildade - sempre evitou tudo o que de uma forma ou de outra, conduzisse a falar da sua pessoa -, mas também, e talvez sobretudo, da sua preocupação por afastar os que o escutavam de “atitudes milagreiras”, para conduzir a atenção para o fundamental: a santificação da vida normal e corrente (42).
A resposta ao chamamento divino deve basear-se na fé, não em supostos milagres. Falaria, neste sentido, de “milagrerias” para se referir à pretensão de apoiar a resposta a Deus em factos milagrosos (43).
Perante um grupo de peruanas, comentava em 1974: “Sim. Era o dia 14 de Fevereiro de 1930… O Padre não fala de milagrices. Para mim é providência ordinária, da mesma forma que as leis que Deus Nosso Senhor colocou em toda a natureza: o movimento dos astros… Tão ordinário é que se cumpram, como que se suspendam por Vontade divina. E assim, sem milagrices, com Providência ordinária, soube nessa data que o Senhor queria a Secção feminina do Opus Dei” (44).
Contudo, São Josemaria, apesar da sua resistência, deu a conhecer os acontecimentos fundacionais aos homens e às mulheres do Opus Dei, porque considerava que tinham direito a conhecê-los e portanto ele devia manifestá-los. Na sua Memória do Beato Josemaria, o actual Prelado do Opus Dei escreve: “Estando já em Roma, recebeu indicação expressa da Santa Sé para abrir a sua alma, de quando em quando, aos membros do Opus Dei, para lhes relatar esse tipo de acontecimentos que tão estreitamente estavam unidos à sua vida e à história da Obra” (45).
Ao falar às suas filhas espirituais, São Josemaria era consciente de que o acontecimento do 14 de Fevereiro de 1930 lhes dava o sentido da sua vida: a sua dedicação à realização do Opus Dei não teria explicação se não se fundamentasse num claro chamamento divino. Assim o explicava em 1966: “A vocação é um autêntico prodígio. Não há razão para que estejais aqui, na Obra e nesta casa. Demos graças a Nosso Senhor, graças à Santíssima Virgem, que nos ajudou; graças sem fim temos de as dar, porque com esta nossa vocação, em qualquer trabalho intelectual ou manual, nos estamos a santificar e ajudamos a santificar-se os que nos rodeiam” (46).
Atitude perante a recordação do 14 de fevereiro de 1930
Agradecimento
Desde o princípio do Opus Dei, São Josemaria considerou as datas fundacionais como dias de acção de graças. Assim o ensinou a viver àqueles que faziam parte do Opus Dei. O primeiro documento em que se manifesta este modo de proceder é uma carta de São Josemaria que tem data de 9 de Janeiro de 1938.
O motivo dessas letras é anunciar a inclusão da oração pelo Padre nas Preces do Opus Dei (47); e concretiza que começarão a fazê-lo “desde o próximo 14 de Fevereiro - dia de Acção de Graças, como o é o dia 2 de Outubro -“ (48).
A 13 de Fevereiro de 1939, de Vitoria, enviou várias cartas em que recordava aos destinatários que o 14 de Fevereiro é, para os do Opus Dei, um dia de acção de graças. Escrevia: “Hoje, véspera de um dos dias de acção de graças - talvez passe esquecido, para quase todos -, lembro-me de cada um com o mais intenso pensar e querer” (49).
Noutra: “Amanhã é dia de acção de graças. Se te esqueceste, fá-lo no dia seguinte a receber a minha carta… como Deus te dê a entender, pois to dará a entender, se quiseres escutá-Lo” (50). Na terceira:
Amanhã, meu “peque” (51), é dia de acção de graças. Por isso, não quero deixar de te escrever umas linhas. Pedirei ao Senhor – acção de graças … e petição - que estejas em forma, para o trabalho que nos cai em cima” (52). E noutra: “Tenho necessidade de vos escrever a todos hoje, véspera de um dia de acção de graças… Quem se lembrará?” (53). Na quinta dizia: “Amanhã, terça-feira, é dia de acção de graças: tenho a certeza de que não o terás esquecido” (54).
Um ano mais tarde escrevia a Maria Dolores Fisac, uma das primeiras mulheres do Opus Dei (55), que residia então em Damiel (Ciudad Real): “Temos pena de que não estejas hoje aqui. Espero que não te esquecerás de que este dia é de acção de graças. Tenho a certeza de que no próximo ano o Senhor disporá as coisas para celebrares a data em família. Entretanto, vive com generosidade a mais fervorosa Comunhão dos Santos” (56).
Depois de 1943 a acção de graças atingiu um duplo motivo. Com efeito, noutro 14 de Fevereiro, em 1943, São Josemaria encontrou, por luz divina, a solução para que os fiéis do Opus Dei se pudessem ordenar sacerdotes (57). Em 1947, o fundador escrevia de Roma às de Madrid que faziam parte da Assessoria Central (58): “Que o próximo dia 14, duplo dia de acção de graças, tenha muitas Admissões, muitas Oblações,
E as que fizestes a Fidelidade podeis, como vos disse, aperfeiçoá-la” (59). E no ano seguinte numa carta dirigida às mesmas destinatárias, anotava: “Queridíssimas. Poucas coisas esta semana: Aproxima-se o vosso dia, o dia 14: dia de acção de graças!” (60).
A acção de graças, que manteve sempre um tom íntimo e pessoal, concretizou-se também na vida dos primeiros centros. Em 1943, quando algumas mulheres se dispunham a passar pela primeira vez num centro a data do 14 de Fevereiro, deixaram escrito no primeiro diário: “Às seis veio o Padre para nos dizer que, como preparação para o dia 14, data tão grande para nós e de uma acção de graças muito profunda, ia dirigir-nos amanhã à tarde, das 5 ás 8, uma (…) recolecção” (61).
No dia seguinte escreveram que “o dia está cheio de uma acção de graças muito profunda por ter inspirado a colaboração feminina na Obra” (62).
Três anos mais tarde tinham-se aberto vários novos centros onde viviam mulheres do Opus Dei. À volta do dia 14 de Fevereiro, nos diários dessas casas lêem-se expressões que reflectem o mesmo tom de gratidão (63).
Na sua pregação e nas conversas com os que lhe estavam próximos, São Josemaria disseminava os motivos para dar graças. Em primeiro lugar por esse desígnio amoroso de Deus para a humanidade, e depois pela sua realização concreta em pessoas que Deus chamava. Sempre se admirava da eficácia divina quando via o fruto abundante da semente que Deus pôs no seu coração no dia 14 de Fevereiro de 1930. Quando se cumpria o 25º desta data, durante a sua oração em voz alta, no oratório do Coração de Maria, em Villa Sacchetti (64), acompanhado por mulheres de vários países, de diversas profissões e condições sociais, exprimia-se deste modo:
“Hoje tem de se manifestar a nossa gratidão a Deus com matizes novos. Damos graças por tudo o que o Senhor fez com a Obra, e especialmente convosco, chamando-vos a fazer parte desta bela família sobrenatural.
Cada vocação é uma profusão de graças divinas, e exige ao menos um pouco de correspondência por parte da pessoa chamada. Sei que no teu caso houve, não só um pouco mas uma plenitude de correspondência. Deus te abençoe minha filha, se soubeste portar-te assim!” (65).
E acrescentava: ´”É aniversário da fundação da Secção feminina do Opus Dei e toda a Obra se enche de alegria. Todo o Opus Dei, cada um dos seus membros, cada uma, cada um dos vossos irmãos, diz ao Senhor: gratias tibi, Deus, gratias tibi!” (66).
Onze anos depois, numa reunião familiar, São Josemaria fazia ver o mesmo motivo de agradecimento, o chamamento recebido para santificar o próprio trabalho: “Digo, minhas filhas, que estejais muito contentes porque o Senhor, a vós, e a mim, nos amou tanto que de um modo particular pensou em nós desde toda a eternidade e nos chamou a cada um pelo nosso nome” (67).
Alegria: dia de festa
Para São Josemaria, o agradecimento era inseparável da alegria. “Agradecer e estar contentes”, recomendava o fundador às mulheres do Opus Dei que tinham vindo para festejar com ele a data do 14 de Fevereiro de 1966. Uma alegria especial, intensa e ao memo tempo simples e discreta. Numa carta que escreveu pouco antes do 25º aniversário da Secção de mulheres escrevia:
“Queridíssimos: no próximo dia 14 de Fevereiro celebraremos as Bodas de Prata da Secção Feminina do nosso Instituto (68). Peço-vos que em toda a Obra, se viva esta festa com especial acção de graças ao Senhor e a sua Mãe Santíssima, com alegria e sem ruído” (69).
Tudo se poderia resumir dizendo que para São Josemaria tanto o 2 de Outubro como o 14 de Fevereiro, eram “festas de família”. Numa meditação que pregou a 14 de fevereiro de 1955 glosou essa ideia:
“Perguntar-vos-ão, filhas da minha alma, porque celebramos esta festa.
E respondo-vos que este modo de fazer é muito próprio do nosso espírito, que não gosta de manifestações aparatosas. Preferimos celebrá-lo assim, na intimidade da nossa família, com uma alegria interior que transcende todas as coisas, que inunda a alma de cada uma das minhas filhas, de cada um dos meus filhos, e o ambiente dos nossos Centros. Gostamos de o celebrar com naturalidade, com silêncio: é este o nosso espírito” (70).
Em 1970 na mesma data, comentava-lhes: Não gosto das solenidades, já o sabeis, evito-as. É natural que estejais muito contentes, que façais muitas acções de graças. Eu também as faço, mas não faremos nenhuma coisa fora do normal, que não é o próprio do Opus Dei” (71).
Com o seu exemplo e com a sua palavra, o fundador ensinou aos membros do Opus Dei como celebrar as festas de uma maneira simples, mas profunda, alegre, sumamente grata. Em primeiro lugar sugeriu desde o princípio que nos centros houvesse algum acto de culto que não se vivesse nos dias normais.
Assim na festa do 14 de Fevereiro - quando era possível - tinham Missa à meia-noite (72), para começar esse grande dia com a acção de graças fulcral, que é o Sacrifício eucarístico (73). Desde o primeiro 14 de Fevereiro celebrado num centro - o da rua de Jorge Manrique - tiveram exposição do Santíssimo Sacramento e Bênção (74).
Também se esmeravam em confeccionar para esse dia algum paramento ou alfaia litúrgica nova, mais digna, que faziam chegar ao Padre, ou um vaso sagrado mais rico. Numa carta de 10 de Janeiro de 1956, dirigida aos membros do Opus Dei que residiam em Madrid, São Josemaria escrevia: “Muito bonito, o cálice: usá-lo-emos, pela primeira vez, no próximo 14 de Fevereiro: as vossas irmãs ‘guardaram segredo’ deste facto. Que Deus as abençoe”(75).
Seguindo o espírito que Deus inspirou a São Josemaria em que se unem o sobrenatural e o humano, nos dias de festa, concretamente na do 14 de Fevereiro, celebra-se na vida dos centros com refeições mais variadas, adequadas a uma família que sabe exprimir o agradecimento e o carinho nestes pormenores. Os diários dos centros de mulheres, desde os primeiros anos, reflectem o entusiasmo e o empenho com que se esmeravam nesses pormenores para dar brilho à celebração. No diário de Villa Sacchetti de 13 de Fevereiro de 1950 anotavam: “Como amanhã é um dia grande (…), temos andado nos preparativos para a Missa da meia-noite, para a ceia (76), para o almoço e lanche do dia” (77). Algo semelhante haveria que dizer do arranjo pessoal de quem está em festa.
Certamente a celebração do 14 de Fevereiro distinguia-se pelas calorosas reuniões de família, especialmente alegres quando o fundador, o Padre, participava nelas. É significativo o que escreveram na administração de Pompeo Magno, um centro de Roma, no 14 de fevereiro de 1951. “Por várias vezes tivemos hoje a sorte de o Padre vir à Administração e estar um momento connosco” (78).
Como resumo desse tom de alegria que São Josemaria imprimia às datas fundacionais, reproduzimos o que escreveram no diário de Villa Sacchetti no dia 14 de Fevereiro de 1950: “Hoje é um dia grande, feliz, cheio de alegria para nós. É dia de tocarem todos os sinos de Roma, dia de passar todo o dia a dar graças a Deus. E dia também para o celebrar porque é como se fossem os aniversários de todas nós. E já somos umas quantas! Assim celebrámo-lo com toda a nossa alma por dentro e por fora” (79).
Responsabilidade de responder à chamada divina
Recordar a vontade divina, que tinha querido abrir novos caminhos de santidade no mundo, era para São Josemaria uma chamada à responsabilidade. Desde os primeiros anos, o aniversário do 14 de Fevereiro era um momento em que se perguntava a si próprio que tinha feito para promover e formar vocações para o Opus Dei entre as mulheres, e avivava a sua fé na oração para que o Senhor enviasse mais pessoas. Nos seus Apontamentos íntimos escreveu a 14 de Fevereiro de 1933 que elas ainda eram poucas (80). E um ano depois anotou: “Dia 14 de fevereiro de 1934: passam quatro anos hoje desde que o Senhor inspirou o ramo feminino. (…) Vamos ver quando é que me envias, Deus meu, a mulher que pode ficar à frente delas ao princípio, deixando-se formar!” (81).
No dia 13 de Fevereiro de 1942 São Josemaria dirigiu a meditação a um grupo de mulheres que atendia espiritualmente nesse ano. Vieram somente quatro. E dizia-lhes que via nelas muitas outras que haviam de chegar nos próximos anos (82).
Também nessas datas costumava apelar ao sentido de responsabilidade dos membros do Opus Dei: urgia-os a uma maior exigência pessoal na luta pela santidade e a abrir o caminho com generosidade procurando as pessoas que Deus chamara desde a eternidade, mas que queria que contribuíssem para as encontrar. Em 1942 escrevia a duas que viviam em Valência, Encarnación Ortega e Enrica Botella (83), com palavras que não me parece arriscado supor que foram consequência da sua oração do dia anterior.
São umas linhas escritas à mão, com traços fortes, cheias de fé e de amor e ao mesmo tempo extremamente práticas, operativas. Dizia-lhes que fossem estar com um seu amigo sacerdote, que lhes apresentaria mulheres que poderiam entender o chamamento para o Opus Dei. “Ide encontrar-vos com o Pe. António Rodilla (84) (acabo de lhe escrever) e dizei-lhe da minha parte que Jesus necessita que venham muito rapidamente, à vossa casa de Madrid, sete valencianas (nem uma menos)” (85).
Referimo-nos atrás à recolecção que dirigiu a 13 de Fevereiro de 1943, no centro que se tinha aberto recentemente (86). No diário desse dia anotaram a impressão muito profunda que produzira nelas a pregação do fundador, estimulando a sua responsabilidade diante da tarefa que Deus lhes estava a pedir: “Todas ficámos muito impressionadas e com o desejo de mudar o que falta mudar para podermos ser, como o Padre nos disse, os alicerces da Obra” (87).
Dirigindo uma meditação a mulheres do Opus Dei que viviam em Roma em 1954, São Josemaria fazia uma chamada à sua responsabilidade. “Pensa quantas coisas grandes dependem de ti, de que tu queiras ser instrumento” (88). Dois anos depois, na acção de graças da Missa, abria-lhes o amplíssimo panorama apostólico que tinham por diante; quando a Secção feminina do Opus Dei fazia 26 anos, e já os frutos do trabalho eram patentes, não deixa de lançar um apelo sério à sua responsabilidade apostólica.
“Minhas filhas, eu quereria que hoje vos désseis conta de tantas coisas como o Senhor, a Igreja, a humanidade inteira esperam da Secção feminina do Opus Dei, e que, conhecendo a grandeza da vossa vocação, a ameis cada dia mais. Decididas a ser o instrumento que o Senhor necessita, com optimismo, com alegria, com sentido sobrenatural. Em frente, minhas filhas, que o Senhor espera muito de todas vós, mas que se vos meta bem no coração isto: não faremos nada se não formos santos (89).
O impulso que era para São Josemaria a consideração das datas fundacionais dirigia-se sobretudo à vida interior, que considerava a verdadeira fonte da acção apostólica. Abria amplos horizontes e, ao mesmo tempo, descia ao pormenor concreto, factível, ao alcance da mão. Numa reunião familiar em 1956, fazia ver às que tinham ido a Villa Sacchetti para festejar o 14 de Fevereiro, que a gratidão e a alegria autênticas são operativas, responsáveis: “Eu mesmo quero agradecer convosco este catorze de Fevereiro: é uma data para agradecer a providência de Deus e o seu amor pela Obra. Mas a melhor maneira de ser agradecidos é que vivamos dando-nos conta de que a nossa vida inteira se fez vida em Deus, vida em Jesus Cristo. Não actuamos, não pensamos, não desejamos mais do que santificar o que nos rodeia, sendo primeiro nós realmente santos. E isto sem perder o sentido humano da vida. Somos criaturas débeis, humanas, e não nos tem de preocupar ter erros nem descobri-los em nós” (90).
E mais adiante, na conversa com elas, comentou: “Hoje não é dia para tristezas, é dia de acção de graças. Hoje é dia de renovar por devoção, no fundo da alma, esta dedicação ao serviço de Deus no mundo, através do trabalho. Não é dia de tristezas… alegres! Se, porque temos defeitos, nos pomos tristes, não melhoraremos. Dia de lutar com ânimo desportista. Até agora não saltei este obstáculo?... Sim, mas vou saltá-lo! Temos de ir com alegria, com perfeição humana, para fazer esta Obra de Deus: para tornar obra de Deus o trabalho de cada dia, cada uma o que lhe couber, com perfeição. Não é uma perfeição só interior; é também uma perfeição humana. Pelo menos pomos toda a nossa vontade em aprender a fazer bem todas as coisas que temos de fazer pela nossa dedicação. E, se ainda assim, alguma coisa sai mal, porque - dada a fragilidade humana - nem tudo tem de sair sempre bem, é preciso continuar com sentido desportivo tentando dar o salto” (91).
Nas anotações dos diários dos centros reflecte-se o apelo a um agradecimento responsável. Assim, no diário de Villa Sacchetti do dia 14 de Fevereiro de 1967 escreviam que, a homília da Missa celebrada por São Josemaria, a que assistiram algumas do centro, “fez-nos sentir a juventude perene que temos de ter e a nossa responsabilidade de ser santas para ajudar a Igreja inteira” (92).
Aspectos permanentes e mutáveis na transmissão dos factos fundacionais
Elementos permanentes
Agrupando por ordem cronológica o conjunto de documentos analisado, comprova-se que a transmissão dos elementos essenciais da mensagem permanece inalterável ao longo dos anos. Como seria de esperar, mencionam-se sempre, de igual modo, a data, o lugar, o momento. Também o conteúdo permanece igual ainda que expresso de diferentes maneiras
Constante é a referência à Santíssima Virgem, mesmo que nem sempre explícita. S. Josemaria referia-se, desde o dia 2 de Outubro de 1928, a uma particular presença da Mãe de Deus na origem e na história da Obra; insistia nesta consideração quando se referia ao começo da Secção de mulheres. Na meditação que dirigiu no dia 14 de Fevereiro de 1957, expressava-o assim: “A Providência quis que na terra, não tivésseis fundadora: e eu entendo-o e, sempre assim o entendi, que a vossa Fundadora é a Mãe do Céu, Santa Maria” (93).
Outra consideração inalterável é a de que a coincidência entre as datas fundacionais do dia 14 de Fevereiro de 1930 e 14 de Fevereiro de 1943 não era um acaso, era a confirmação de que todos tinham uma única missão: homens e mulheres, sacerdotes e leigos. Em 1974 dizia a um grupo numeroso de mulheres do Opus Dei, em Roma: “Vós sabeis que hoje é o aniversário da fundação da secção feminina da Obra e da fundação da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz. Evidentemente que o Senhor quis – porque foi Ele – que os sacerdotes tivessem o mesmo empenho em trabalhar para as duas secções; e quer também que, tanto a secção feminina como a masculina, rezem muito para que os sacerdotes sejam santos” (94).
Olhava para a coincidência de datas como um sinal da providência divina, um grande bem – a unidade do Opus Dei – que era preciso proteger e fomentar.
“Estou convencido que começastes o dia de hoje dando graças a Deus por ter querido indicar-nos, no dia 14 de Fevereiro de 1930, que o caminho por Ele aberto em 1928 era também para as minhas filhas, chamadas a realizar um grande trabalho sobrenatural no meio dos afazeres terrenos. Não vos esqueçais também que nesta data, no dia 14 de Fevereiro de 1943, o Senhor quis coroar - tantas vezes o tenho repetido, com estas mesmas palavras – o edifício divino do Opus Dei. Comovi-me ao ler o Santo Evangelho de hoje e ao contemplar essas imagens que há por detrás do altar, no retábulo: Cristo na Cruz, e Nossa Senhora, as outras santas mulheres e o discípulo amado: o sacerdote. E pensei que hoje, de verdade, agradeceríeis a unidade da Obra” (95).
Em 1970, usando uma imagem que lhe era muito querida, a do burrinho (96), dizia: “Temos de amar a unidade da Obra que é uma grande bênção de Deus. A secção masculina, nascida antes da feminina, não vai por um caminho diferente: puxamos o carro do amor de Deus e do serviço à humanidade na mesma direcção” (97).
Traços que se acentuam em momentos diferentes
Durante os primeiros anos dominava a urgência em responder ao dom de Deus com oração, sacrifício e acção: estava tudo por fazer. Por isso, a chegada de cada 14 de Fevereiro levava o fundador a fazer um balanço que se traduzia num novo impulso: mais santidade pessoal, metas apostólicas mais ambiciosas.
Pouco a pouco os frutos começaram a amadurecer: pessoas que tornavam seu o ideal de santificação na profissão, novas iniciativas apostólicas, mudanças no ambiente em virtude da irradiação do cristianismo transmitido por homens e mulheres do Opus Dei. A partir de meados da década de 50 começa a perceber-se uma nova perspectiva nos textos sobre o 14 de Fevereiro. A gratidão vai in crescendo pela eficácia divina que quer servir-se de instrumentos inadequados para alcançar frutos esplêndidos; e aumenta também a gratidão pela fidelidade dos que correspondiam com lealdade à chamada divina.
Escolhemos vários textos dos anos 50, 60 e 70 que nos parecem demonstrar esta evolução.
Fevereiro de 1950. As mulheres do Opus Dei eram ainda poucas, e estavam dispersas pelos horizontes apostólicos que se abriam ante elas. Uma das primeiras, Encarnación Ortega, escrevia para um centro de Madrid contando como tinham passado em Roma o 14 de Fevereiro desse ano:
“Certamente todas têm um enorme desejo de que lhes conte o que nos disse o nosso Padre. Não é assim? (…) Disse-nos que a Secção feminina do Opus Dei está a crescer. Que este ano se irá dar um grande impulso começando muitas coisas ao mesmo tempo e aperfeiçoando as que já se iniciaram. Mas que, para que isto se torne realidade, é necessário que a nossa entrega seja total, esquecendo-nos dos nossos problemas – que deixam de sê-lo quando os colocamos nas mãos de Deus” (98).
1960. O dia 14 de Fevereiro coincide com um momento importante do desenvolvimento do trabalho apostólico das mulheres do Opus Dei: várias iriam partir: umas para o Quénia, outras para o Japão, nações geograficamente distantes do seu lugar de origem, diferentes na sua cultura, história e condições de vida, com uma evangelização incipiente (99). Tornava-se realidade o que o fundador tinha visto no dia 2 de Outubro de 1928: o cariz universal do trabalho que Deus lhe pedia. Na homilia da Missa disse-lhes:
“Hoje, na epístola da Missa que, com autorização da Santa Sé, celebrámos em acção de graças à Mãe de Deus pelo dom maravilhoso da vossa vocação, lê-se: Ego quasi vitis…. Fala da vide e dos sarmentos. Assim, a Obra, assim, a Secção feminina do Opus Dei se tem vindo a encher de frutos com um odor maravilhoso, cresceu generosamente em virtudes silenciosas, ocultas, eficazes: de trabalho, para poder estender-se por todo o mundo (...) Como demonstração da nossa gratidão, Senhor, um punhado de filhas minhas vai para fora com todo o gosto, com alegria e entusiasmo. Fiéis, fiéis com uma fidelidade inquebrantável” (100).
Seis anos mais tarde, S. Josemaria reuniu-se com fiéis de vários países na sede central do Opus Dei. Depois de umas palavras em que expressava, de um modo determinante, a sua convicção sobre a origem divina da Secção feminina do Opus Dei, acrescentou algo que não tinha dito em anos anteriores: “Estai contentes com o chamamento de Deus para o Opus Dei. A Obra dá rosas em todo o lado. Um florescer de rosas que é sinal de grande predilecção do Senhor. O Opus Dei é uma grande sementeira de santidade. Tende paciência. A colheita virá. Chegarão as rosas. Naturalmente virão também os espinhos. Seria bom que não encontrássemos espinhos nesta colheita de rosas que é o nosso apostolado! Mas, se apertarmos com amor os espinhos, também nas nossas feridas florescerão rosas novas…” (101)
Em 1974, falando com um numeroso grupo de mulheres do Opus Dei, faz uma das mais longas evocações do 14 de Fevereiro de 1930. Já a citámos parcialmente sublinhando alguns aspectos. Vale a pena reproduzi-la integralmente: “Eu pressentia o amor de Deus, mas não sabia que era tão imenso. E, naquele 2 de Outubro de 1928, festa dos seus Anjos da Guarda, Nosso Senhor quis o Opus Dei. Peço-lhe perdão porque nunca soube trabalhar bem. Pensava que no Opus Dei só haveria homens. Não é que não gostasse das mulheres – amo muito a Mãe de Deus: amo a minha mãe e as vossas; gosto de todas as minhas filhas que são uma bênção de Deus no mundo inteiro – mas, antes do 14 de Fevereiro de 1930, eu não sabia da vossa existência no Opus Dei ainda que sim, no meu coração, latejasse o desejo de cumprir em tudo a vontade de Deus. E, quando acabei de celebrar a Missa naquele dia, sabia já que o Senhor queria a Secção feminina. Depois, no dia 14 de Fevereiro de 1943, quis coroar com a Cruz o seu edifício: A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz.
Minhas filhas, hoje, sois já de todas as cores: do branco pálido do norte da Europa até ao negro mais retinto de África, passando pelo amarelo e o acobreado com todos os seus tons intermédios. É uma bênção de Deus!” (102).
Nos últimos anos, quando os frutos apostólicos eram já abundantes, começa a falar do que sofreu quando começou o trabalho com mulheres. No dia 15 de Maio de 1974, em Madrid, onde viviam muitas das primeiras do Opus Dei, entre elas Maria Dolores Fisac, Guadalupe Ortiz de Landázuri e Carmen Gutiérrez Rios (103), confiava-lhes:
“Filhas minhas da primeira hora – que não é a primeira, mas a segunda – (104), posso dizer-vos, como S. Paulo, que me custastes as dores de parto. Vê-se que Satanás se empenhou em que não existissem no mundo estas filhas de Deus. Mas o Senhor queria-vos e agora estais espalhadas pela terra inteira, por todos os continentes, trabalhando com pessoas de todas as raças e de todas as cores. Dá vontade de louvar a Deus cantando-lhe Salmos – hinos aconselha o Espírito Santo –, quando se ouve a forma de sentir de irmãs vossas de outra cor de pele, de outro ambiente, de outra cultura e se vê que vivem, amam e trabalham como vós” (105).
Glosando a imagem que tantas vezes tinha empregue para explicar o início da Secção feminina do Opus Dei, o nascimento de uma nova criatura, começou a falar de que o nascimento das mulheres lhe tinha custado “dores de parto”. Numa longa confidência a fiéis do Opus Dei brasileiras, durante a sua viajem à América, em 1974, dizia “Trouxe-vos ao mundo da Igreja, minhas filhas, com dores de parto, conforme as palavras de S. Paulo. Gosto muito de vós porque me haveis custado muito. Mas agora, dai a Jesus e à Santíssima Virgem muitas alegrias” (106).
No ano seguinte, numa reunião com mulheres do Opus Dei venezuelanas expressava-se de maneira semelhante. “Lembra-me (D. Alvaro del Portillo) que amanhã é dia 14 de Fevereiro. Não vos zangais se vos digo que fostes para mim… a filha inesperada Não tinha previsto que houvesse mulheres no Opus Dei. Até cheguei a escrevê-lo. E, dias depois, no dia 14 de Fevereiro de 1930, celebrando a Santa Missa, viestes ao mundo... Encontrava-me num oratório pequeno, nada bonito, que não era nosso mas de uma senhora conhecida minha que vivia numa vivenda. Anos depois demoliram-na e construíram um prédio de apartamentos. Pois, na Santa Missa, assim que comunguei, o Senhor fez-me ver que queria a Secção feminina, e aqui estais. Bom! Destes-me cada desgosto…! Sois terríveis!” (107).
Os últimos meses da vida terrena do fundador
Se bem que, durante muitos anos, S. Josemaria raramente falasse do início do trabalho apostólico com mulheres fora da sua data do aniversário, no final da vida, a partir de Maio de 1974, referir-se-á a este facto em numerosas ocasiões e a audiências numerosas.
A primeira foi no encontro com algumas mulheres do Opus Dei, em Madrid a 15 de Maio de 1974 (108); poucos dias depois, a 27 desse mesmo mês, no decurso de uma reunião com um grupo de brasileiras (109). Refere-se, de novo, ao início do trabalho apostólico com mulheres durante a sua estadia na Argentina, no dia 26 de Junho, na ampla sala do teatro Coliseo de Buenos Aires (110); também no Chile, a 5 de Julho (111); e no Peru, onde o recorda longamente, a 11 do mesmo mês (112). Em 1975, por volta do dia 14 de Fevereiro, aludiu a este mesmo facto, durante uma viajem à Venezuela (113).
Termino com o último encontro, de volta a Roma, depois da viagem à América, a 28 de Março de 1975, quando celebrou os cinquenta anos da sua ordenação sacerdotal: “Fico muito contente por estar convosco e fico muito contente ver esta filha que não esperava, a Secção feminina – porque eu pensava que não haveria mulheres no Opus Dei mas Nosso Senhor quis que houvesse –, e vê-la desenvolver-se maravilhosamente” (114).
Considerações finais
Perguntávamos, no início deste trabalho, que traços essenciais da fisionomia do Opus Dei se manifestavam na forma como S. Josemaria transmitia os factos fundacionais. Fica especialmente claro o próprio núcleo da mensagem: a universalidade da santidade em todas as ocupações próprias da vida humana na terra: todos são chamados, homens e mulheres, com a mesma missão, igual responsabilidade; uns e outras com a sua contribuição peculiar. Por isso, desde o dia 14 de Fevereiro de 1930, o Fundador viu com clareza crescente o papel que as mulheres eram chamadas a desempenhar na família, na sociedade civil e na Igreja (115).
Os acontecimentos que relatámos realçam também alguns traços da personalidade de S. Josemaria, dos quais destacaria quatro: Primeiro, a sua Fé em Deus e na Sua Providência sapiente e amorosa; a sua segurança de que o Opus Dei se realizaria, fundada na certeza de que não era um projecto pessoal mas um desígnio que Deus lhe confiava e através dele a todos os que chamaria ao longo do tempo. Em segundo lugar, a sua humildade. Nunca quis aparecer como protagonista “ocultar-me e desaparecer é o que me é próprio, que só Jesus brilhe” (116), escrevia em 1975, poucos meses antes do seu falecimento.
Da forma como transmitiu os factos fundacionais, concretamente o de 14 de Fevereiro de 1930, percebe-se que não queria apropriar-se do que pertencia à glória de Deus (117). Terceiro: responsabilidade sacerdotal e paterna. Via-se a si mesmo como instrumento querido por Deus para procurar as pessoas que Ele tinha chamado e para as formar segundo o espírito que havia recebido. Por último, alegria e agradecimento, inseparavelmente unidos; não só pelo seu carácter, mas enraizados na fé, na esperança e no amor.
Finalmente, uma terceira pergunta: Qual a eficácia das suas palavras quando transmitiu às mulheres que “se tinham aberto os caminhos divinos da terra” (118)?
No início dos anos 40, as mulheres do Opus Dei eram um reduzido grupo de jovens espanholas (119). Uma delas, Nisa González Guzmán (120), recordava que durante o Verão de 1942, quando se começava o centro da rua de Jorge Manrique, certo dia S. Josemaria, chamou-a a ela e a Encarnación Ortega, para lhes explicar o panorama apostólico que tinham ela frente: centros de formação profissional para a mulher, residências universitárias, actividades no mundo da moda, centros de difusão de cultura, clínicas em todas as cidades do mundo… E, mais importante, o apostolado pessoal de cada uma no seu trabalho: “um mar sem limites”. Ante o seu olhar de assombro, o Fundador disse-lhes umas palavras que Nisa anotou: “Perante isto, podemos ter duas reacções: uma, a de pensar que é algo muito bonito, mas quimérico e irrealizável; e outra, de confiança no Senhor que, se nos pede isto, nos ajudará a levá-lo por diante. Espero que tenhais a segunda” (121).
Trinta anos depois, em 1975, ainda em vida de S. Josemaria, a semente do Opus Dei tinha-se tomado raízes em milhares de mulheres, em todas as latitudes. Vendo que o espírito recebido de Deus se plasmava em pessoas de cultura e profissão tão variadas, de todas as idades e condições sociais, não se habituava, pasmava ante a generosidade do Senhor. O panorama que se vislumbrava no final da vida do Fundador foi crescendo depois do seu falecimento: são muitas as mulheres que descobriram esse “mar sem limites” que S. Josemaria lhes mostrou a partir de 14 de Fevereiro de 1930. Mas, descrever essa história deverá ficar para outro momento.
++++
A autora licenciou-se em Filosofia na Universidade Complutense (Madrid) e doutorou-se na Universidade de Navarra. Professora de Filosofia da Educação no Istituto Internazionale di Scienze dell’Educazione (Castel Gandolfo / Roma, 1965 a 1991). Até Setembro de 2006 deu cursos de Antropologia e Ética, e dedicou-se a trabalhos de investigação na Faculdade de Filosofia da Pontificia Università della Santa Croce. Autora de vários artigos em revistas especializadas, de Filosofia e de Pedagogia.
Notas
1. Características da expressão oral de São Josemaria eram a sua vivacidade espontânea, a correcção sintáctica, o vocabulário rico e preciso que são patentes nas notas que recolhem palavras suas. Cfr. José Miguel Ibañez de Langlois, Josemaría Escrivá como escritor, Madrid, Rialp, 2002, p.93-95. Carta circular, 9-I-1938, Archivo General de la Prelatura (AGP), Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp.11.
2. Carta Circular, 9-I-1938, Archivo General de la Prelatura (AGP), Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp.11.
3. Nos centros em que vivem fiéis da Prelatura anotam-se diariamente, num estilo simples e familiar, os factos mais importantes do dia. Conservam-se no Arquivo Geral da Prelatura (AGP). Os que forem citados têm a mesma referência: AGP; Fondo IV, Secc. N Série 3 (Diários), com o número correspondente.
4. José Orlandis, “Mons. Josemaría Escrivá de Balaguer, maestro de vida cristiana”, Nuestro Tiempo, 257 (1975), p. 22-33. Salvador Bernal, Mons. Josemaria Escrivá de Balaguer. Apuntes sobre la vida del Fundador del Opus Dei, Madrid, Rialp, 1976. François Gondrand, Au pas de Dieu. Josemaría Escrivá de Balaguer, fondateur de l’Opus Dei, Paris, France-Empire, 1982. Peter Berglar, Opus Dei. Leben und Werk des Gründers Josemaría Escrivá, Salzburg, Otto Müller Verlag, 1983. Hugo de Azevedo, Uma luz no mundo. Vida do Servo de Deus Monsenhor José María Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, Lisboa, Prumo-Rei dos Livros, 1988. Ana Sastre, Tiempo de caminar. Semblanza de Mons. Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1989. Álvaro del Portillo, Una vida para Dios. Reflexiones en torno a la figura de Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1992. Idem, Intervista sul Fondatore dell’Opus Dei, Milano, Ares, 1992. Javier Echevarría, “Mons. Escrivá de Balaguer, un corazón que sabía amar”, em La personalidad del Beato Josemaría, Madrid, Rialp, 2000. John F. Coverdale, Uncommon Faith. The early years of Opus Dei (1928-1943), New York, Scepter, 2002. Javier Echevarría, “Maestro, sacerdote, Padre. Perfil humano y sobrenatural del Beato Josemaria Escrivá de Balaguer” en La grandezza della vita quotidiana. Vocazione e missione del cristiano in mezzo del mondo, vol. I, Roma, Edizioni Università della Santa Croce, 2002, p.67-89. Marlies Kücking, “Trazos para el perfil de un Fundador”, en Mariano Fazio (ed.), San Josemaría Josemaría Escrivá, Contesto storico. Personalità. Scritti, Roma, Edizioni Università della Santa Croce, 2002, p. 181-184. César Ortiz (ed.), Josemaría Escrivá. Profile einer Gründergestalt, Köln, Adamas, 2002. Andrés Vázquez de Prada, El Fundador del Opus Dei. Vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, Madrid, Rialp, 1997-2003.
Antonio Aranda, “Perfiles Teológicos de la espiritualidad del Opus Dei”, Scripta Theologica, 22/1, (1990), p. 89-111. Javier Echevarría, “Il cammino dell’Opera”, Romana. Bolletino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 24 (1997). Amadeo de Fuenmayor – Valentín Gómez-Iglesias – José Luis Illanes, El itinerario jurídico del Opus Dei. Historia y defensa de un carisma, Pamplona, EUNSA, 1989. Dominique Le Tourneau, L’Opus Dei, Paris, Presses Universitaires de France, 1984. Pedro Rodríguez – Fernando Ocáriz – José Luis Illanes, El Opus Dei en la Iglesia, Madrid, Rialp, 1993.
5. Andrés Vázquez de Prada, El Fundador del Opus Dei. Vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, Rialp, 1997-2003.
6. Antonio Aranda, “Perfiles teológicos de la espiritualidad del Opus Dei”, Scripta Theologica, 22 / 1, (1990), p. 89-111. Javier Echevarría, “Il cammino dell’Opera”, Romana. Bollettino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 24 (1997), p.95-99. Amadeo de Fuenmayor – Valentín Gómez-Iglesias – José Luis Illanes, El itinerario jurídico del Opus Dei. Historia e defensa de un carisma, Pamplona, EUNSA, 1989. Dominique Le Tourneau, Presses Universitaires de France, 1984. Pedro Rodríguez – Fernando Ocáriz – José Luis Illanes, El Opus Dei en la Iglesia, Madrid, Rialp, 1993.
7. José Luis Illanes, “Datos para la comprensión histórico espiritual de una fecha”, Cuadernos del Centro de Documentación y Estudios Josemaría Escrivá de Balaguer, 6 (2002), p. 105-147. Antonio Aranda, “El Beato Josemaría Escrivá de Balaguer ante su propia misión”, em Un Mensaje siempre actual, Actas del Congreso “Hacia el centenario del nacimiento del Beato Josemaría Escrivá de Balaguer”, Buenos Aires, Universidad Austral, 2002, p. 117-142. Danilo Eterovic Garret, “La luz del 2 de octubre: un estudio de fuentes”, em ibid., p. 521-539. Gonzalo Redondo, “El 2 de octubre de 1928 en el contexto de la historia cultural contemporánea”, Cuadernos del Centro de Documentación y Estudios Josemaría Escrivá de Balaguer, 6 (2002), p. 149-191.
8. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 251-324.
9. Dona Leónides García San Miguel, Marquesa de Onteiro. Cfr. ibid., p. 258, nota 17. A sua casa era uma vivenda situada na rua de Alcalá Galiano; foi demolida anos mais tarde para se construir um edifício de apartamentos. Cfr. Ana Sastre, op. cit., p. 101-102.
10. Josemaria Escrivá, Apontamentos íntimos, n. 1871, anotação feita em 1948. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 323. Sobre a relevância histórica e teológica deste texto, cfr. Antonio Aranda, “El Beato Josemaría…”, p. 131-136.
11. Villa Tevere é o nome do conjunto de edifícios que albergam a sede central do Opus Dei em Roma: cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. III, p. 105.
12. Apontamentos tomados de uma meditação, 14-II-1964, AGP, Sec. P09, p. 74. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 315-324.
13. “Nos meses que se seguem ao 2 de Outubro de 1928, o Pe. Josemaria Escrivá, se bem que tivesse entendido o alcance universal da luz que recebera, pensou que o Opus Dei era só para homens. No dia 14 de Fevereiro de 1930, enquanto celebrava a Santa Missa, viu que devia promover essa vocação também entre as mulheres, dando assim origem a um novo ramo ou secção do Opus Dei. A Prelatura do Opus Dei – que constitui uma unidade pastoral orgânica e indivisível – leva a cabo os seus apostolados por meio da Secção de varões e da Secção de mulheres, sob o governo e direcção do Prelado que outorga e assegura a unidade fundamental de espírito e de jurisdição entre as duas Secções”. José Luís Illanes, op.cit., p.130, nota 74.
14. Apontamentos tirados numa reunião em Buenos Aires, em 26-VI-1974, AGP, Sec. P05, 1974, I, p. 595.
15. Apontamentos tirados numa palestra em 14-II-1959, AGP, Sec. P02, 1992, p. 600.
16. Apontamentos de uma conversa, Fevereiro 1955, AGP, Sec. P01, II-1955, p. 6.
17. Cfr. Pedro Rodríguez et al., op. cit., p. 69-86 e 162 -198.
18. Cfr. Statuta, n. 1 e 130, em Amadeo de Fuenmayor et al, op. cit., p. 628 y 647.
19. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
20. Cfr. Constitução apostólica Ut Sit, 2-V-1983, pela qual João Paulo II erigiu o Opus Dei em prelatura pessoal de âmbito internacional, AAS 75 (1983), p. 423-425.
21. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1970, AGP, Sec. P06, V, 434.
22. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 453.
23. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 453-454.
24. Como diz José Luis Illanes, São Josemaria sentia urgência em afirmar que o que tinha acontecido na sua vida – a fundação – “não era algo que tivesse nascido do seu próprio ser, dos seus sentimentos, ânsias ou desejos, mas sim fruto de uma livre iniciativa divina”; op. cit., p. 131.
25. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, pp. 451-452.
26. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 297.
27. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1966, AGP, Sec. P06, V, 434.
28. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1970, AGP, Sec. P06, V, 434.
29. Cfr. Pedro Rodríguez et al., op. cit., p. 104-112; ver também p. 168-173 e p. 296-300.
30. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1960, AGP, Sec. P02, III-1960, p. 12.
31. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 296.
32. Cfr. textos de referência em notas 21, 22 , 24, 26 y 29.
33. Entre outros lugares, figura em AGP, Sec. P02, II-1957, p. 10.
34. Apontamentos tirados de uma conversa, AGP, Sec. P02, II-1965, p. 14-16.
35. Apontamentos tirados de uma conversa, AGP, Sec. P02, II-1962 , p. 36.
36. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, II, 1974, p. 343.
37. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 321-322.
38. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1960, AGP, Sec. P17, II, p. 455.
39. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1964, AGP, Sec. P09, p. 74.
40. Apontamentos tirados de uma reunião, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, II-1966 , p. 16.
41. Apontamentos tirados de uma conversa, 14-II-1971, AGP, Sec. A, Serie A-4.
42. José Luis Illanes, op. cit., p. 127.
43. Cfr. ibid.
44. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, II, pp. 343-344.
45. Javier Echevarría, Memoria del Beato Josemaría…, p. 181.
46. Apontamentos tirados de uma reunião, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, III-1966 , p. 17.
47. Breves orações que os fiéis do Opus Dei recitam todos os dias: cfr. Statuta, n. 82, 1º, Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 639.
48. Carta circular, 9-I-1938, AGP, Sec. A, Leg. 10, Carp. 2, Exp. 11.
49. Carta de São Josemaria para Álvaro del Portillo e Vicente Rodríguez Casado, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
50. Carta de São Josemaria a Enrique Alonso-Martínez Saumell, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 2.
51. “Peque” é uma abreviatura da palavra “pequeño”, na acepção de alguém de pouca idade. É uma maneira coloquial de dirigir-se a uma pessoa mais nova.
52. Carta de São Josemaria para Pedro Casciaro Ramírez, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
53. Carta de São Josemaria a Ricardo Fernández Vallespín, 3-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
54. Carta de São Josemaria a Juan Jiménez Vargas, 13-II-1939, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 2.
55. María Dolores Fisac, nascida em Daimiel (Espanha) a 15 de Dezembro de 1909, pediu a admissão no Opus Dei em 1937, e recebeu directamente de São Josemaria a primeira formação no espírito da Obra. Viveu principalmente em Madrid. Teve oportunidade de conhecer e ser amiga da mãe e da irmã de São Josemaria. Depois de uma doença prolongada, levada com serenidade e espírito cristão, faleceu em Madrid, a 31 de Março de 2005. Cfr. outros dados en Ana Sastre, op. cit., p. 274-275, 277.
56. Carta, 14-II-1940, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 4.
57. Cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. II, p. 593-611.
58. Conselho que assiste o Prelado na direcção do trabalho apostólico que as mulheres do Opus Dei levam a cabo. Cfr. Statuta, n. 146, em Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 651.
59. Carta, 7-II-1947, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 2. A Admissão, a Oblação e a Fidelidade são os três momentos da adscrição no Opus Dei: cfr. Statuta, c. III, n. 17, em ibid., p. 631.
60. Carta, 5-II-1948, AGP, Sec. A, Leg. 26 0, Carp. 1.
61. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 12-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
62. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1004.
63. Diário do centro Los Rosales, 14-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1358; Diário da administrão de Moncloa, 13-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-122 4; Diário da Residência Zurbarán, 14-II-1946, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1575.
64. Villa Sacchetti é o primeiro centro de mulheres do Opus Dei em Roma, situado na rua que tem o mesmo nome.
65. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 452.
66. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 451-452.
67. Apontamentos tirados numa tertúlia, el 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, II-1966 , p. 17.
68. Denominação que se aplicava ao Opus Dei enquanto, transitoriamente, era Instituto Secular: cfr. Amadeo de Fuenmayor et al., op. cit., p. 145-192.
69. Carta, 9-I-1955, AGP, Sec. A, Leg. 256, Carp. 5.
70. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1955, AGP, Sec. P17, II, p. 452.
71. Apontamentos tirados numa tertúlia, 14-II-1970, AGP, Sec. P02, 1970, pp. 200-201.
72. Conserva-se uma carta de São Josemaria, datada de Roma a 27 de Julho de 1946, dirigida aos membros do Conselho Geral que residiam em Madrid, em que se refere ao bom andamento dos trâmites para obter a possibilidade de celebrar a Santa Missa da meia-noite de 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro, de 13 para 14 de Fevereiro e de 1 para 2 de Outubro. Cfr. Carta, 27-VII-1946, AGP, Sec. A, Leg. 259, Carp. 1.
73. Diário das que se ocupavam da administração doméstica da casa de Città Leonina, onde residia nesse momento o fundador. AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2862 , 12 y 13-II-1947; Diário de Villa Sacchetti, 13-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870; Diário da administração do centro da rua de Pompeo Magno, 13 y 14-II-1951, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-6905.
74. Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 14-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1004.
75. Carta, 10-I-1956, AGP, Sec. A, Leg. 258, Carp. 2.
76. No original ‘resopón’. A palavra ‘resopón’ é uma forma castelhanizada do termo catalão ‘ressopó’, que significa uma refeição ligeira que se toma de noite, quando as pessoas se vão deitar tarde, depois do jantar: cfr. Institut d’Estudis Catalans, Diccionari de la llèngua catalana, Barcelona, 1995.
77. Diário de Villa Sacchetti, 13-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870.
78. Diário da administração do centro da rua de Pompeo Magno, 14-II-1951, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-6905.
79. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2870.
80. Cfr. Apontamentos íntimos, n. 931, em Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 458.
81. Ibid., n. 1136, em Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 458-459.
82. Apontamentos tirados de uma meditação, 13-II-1942, AGP, Sec. P16, 2000, p. 166.
83. Encarnación Ortega Pardo nasceu a 5 de Maio de 1920, em Puente Caldelas (Espanha). Pediu a admissão no Opus Dei em 1941. Esteve presente, junto com outras fiéis da Obra, nos inícios do centro da rua de Jorge Manrique. Em 1946 foi para Roma, onde se dedicou a tarefas de formação e de governo do Opus Dei, em estreita colaboração com São Josemaria. De regresso a Espanha, viveu em Barcelona, Oviedo e, desde 1973 até ao seu falecimento, a 1 de Dezembro de 1995, em Valhadolid. Cfr. Romana. Bollettino della Prelatura della Santa Croce e Opus Dei, 21 (1995), p. 428. Enrica Botella nasceu a 27 de Setembro de 1917 em Alcoy (Espanha). Pediu a admissão em 1941. Em 1949 foi viver para Itália, onde permaneceu até ao ano de 1966, trabalhando em Roma, Nápoles y Milão. Depois foi para Barcelona (Espanha), onde faleceu, a 26 de Setembro de 2000. Cfr. Romana. Boletín de la Prelatura de la Santa Cruz y Opus Dei, 31 (2000), p. 290. Outros dados em Ana Sastre, op. cit., p. 275-276.
84. O Pe. Antonio Rodilla Zanón nasceu em 1897; foi ordenado sacerdote em 1921. Director do Colégio de São João de Ribera, de Valência, de 1923 a 1939 e Reitor do Seminário Maior da mesma cidade desde 1939 a 1969. Morreu em 1984: cfr. Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. II, p. 261.
85. Carta, 15-II-1942, AGP, Sec. A, Leg. 257, Carp. 4.
86. Cfr. nota 61.
87. Diario del centro de la calle Jorge Manrique, 13-II-1943, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-1004.
88. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1954, AGP, Sec. P02, III-1954, p. 11.
89. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1956, AGP, Sec. P02, III-1956, p. 24.
90. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1965, AGP, Sec. P02, II-1965, p. 16-17.
91. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1965, AGP, Sec. A, Serie A.4.
92. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1967, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2899. Também se encontram estas idéias no diário do centro La Montagnola, na mesma data, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2830.
93. Apontamentos tirados de uma meditação, 14-II-1957, AGP, Sec. P02, II-1957, p. 10.
94. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1974, AGP, Sec. P02, 1974, p. 308.
95. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1958, AGP, Sec. P06, V, 436. A Santa Missa foi celebrada no oratório do Santo Cristo, na sede central do Opus Dei, em Roma.
96. Gostava deste animal por várias razões, entre elas as que descrevia em Cristo que passa, n. 181: “Pensai nas características de um jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais formosos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo preferiu este para se apresentar como rei diante do povo que O aclamava”. Cfr. também Andrés Vázquez de Prada, op. cit., vol. I, p. 416-417.
97. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1970, AGP, Sec. P02, 1970, p. 201.
98. Carta de Encarnación Ortega para o centro Los Rosales (Villaviciosa de Odón, Madrid), 14 de Fevereiro de 1950, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.2 [Cartas], Carp. 2, n. IV.
99. Diário de Villa Sacchetti, 14-II-1960, AGP Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, [Diarios], D-2886 e Diário do centro La Montagnola, na mesma data, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3, D-2822 .
100. Apontamentos tirados de uma homilia, 14-II-1960, AGP, Sec. P02, III-1960, pp. 14-15.
101. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 14-II-1966 , AGP, Sec. P02, III-1966 , p. 16.
102. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 11-VII-1974, AGP, Sec. P05, 1974, II, pp. 343.
103. Guadalupe Ortiz de Landázuri (1916-1975) pediu a admissão no Opus Dei no ano de 1944. Em 1950 foi para o México para começar o trabalho apostólico com mulheres nesse país, permanecendo ali até 1956. Depois de estar dois anos em Roma, regressou a Madrid, onde se doutorou em Química. Faleceu em Pamplona a 16 de Julho de 1975. Em Novembro de 2001 a arquidiocese de Madrid iniciou a sua causa de Canonização. Carmen Gutiérrez Ríos solicitou a admissão no Opus Dei em 1945: cfr. Ana Sastre, op. cit., p.309 e Diário do centro da rua de Jorge Manrique, 8-IV-1945, AGP, Fondo IV, Sec. N, Serie N.3 [Diarios], D-1009.
104. Seria interessante analisar por que razão o fundador diz que não são as da primeira hora, mas da segunda, mas isso excede o propósito deste estudo.
105. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 15-V-1974, AGP, Sec. P02, 1974, p. 1020.
106. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 27-V-1974, AGP, Sec. P05, 1974, I, p. 120.
107. Então, uma das que assistia disse-lhe espontaneamente: “E agora Padre?” “Agora sei que me dareis cada dia mais alegrias. E acima de tudo, a Jesus Senhor Nosso e a Santa Maria, que é a Mãe de todos nós”. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 13-II-1975, AGP, Sec. P05, 1975, III, p. 182.
108. Cfr. nota 105.
109. Cfr. nota 106.
110. Cfr. nota 14.
111. AGP, Sec. P05, II, 1974, pp. 343-344.
112. Cfr. nota 36.
113. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 13-II-1975, AGP, Sec. P05, 1975, III, p. 182.
114. Apontamentos tirados de uma tertúlia, 28-III-1975, AGP, Sec. P02, 1975, p. 283.
115. Cfr. Josemaria Escrivá, Temas actuais do Cristianismo, Madrid, Rialp, 1967, n. 87-90.
116. Carta, 28-I-1975, AGP, Sec. A, Leg. 309, Carp. 2.
117. Tinha escrito no número 780 de Camino, que apropriar-se da glória de Deus era como um roubo sacrílego, e vê-se que esta convicção guiava a sua conduta.
118. Josemaria Escrivá, Cristo que pasa, Madrid, Rialp, 1963, n. 21.
119. Cfr. Ana Sastre, op. cit., pp. 273-278.
120. Nisa González Guzmán, nascida en Ceboallos (Espanha) a 12 de Julho de 1907, havia pedido a admissão em 1941. Em 1950 foi para os Estados Unidos, depois sucessivamente para o Canadá e Inglaterra. Ao regressar a Espanha viveu em Valência, onde faleceu no dia 2 de Maio de 1998. Cfr. Romana, Boletín de la Prelatura de la Santa Cruz y Opus Dei, 26 (1998), p. 135.
121. Notas tomadas numa conversa, AGP, Sec. P02, 1978, p. 977.
Português









Oração
RSS