São Josemaria
Textos de São Josemaria
5º Mistério luminoso. A instituição da Eucaristia

Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa com os apóstolos e disse-lhes: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer, porque vos digo que não mais a comerei até que ela se cumpra no Reino de Deus”. Tendo tomado o cálice, deu graças, e disse: “Tomai e distribui-o entre vós, porque vos declaro que não tornarei a beber do fruto da vide até que chegue o Reino de Deus”. Depois tomou um pão, deu graças, partiu-o deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós, fazei em memória de mim”. Depois da ceia fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que é derramado por vós”.
Lc 22, 14-20
Textos de S. Josemaria:
Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim (Jo 13, 1).
Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição.
Jesus ficou na Eucaristia por amor…, por ti.
Ficou, sabendo como o receberiam os homens… e como o recebes tu.
Ficou, para que O comas, para que O visites e Lhe contes as tuas coisas e, falando intimamente com Ele na oração junto do Sacrário e na recepção do Sacramento, te apaixones cada dia mais e faças com que outras almas – muitas! – sigam o mesmo caminho.
– Menino bom: como beijam as flores, as cartas, as recordações de quem amam, os enamorados da terra!…
– E tu? Poderás esquecer-te alguma vez de que O tens sempre a teu lado… a Ele!? Esqueces-te… de que O podes comer?
– Senhor, que eu não volte a voar pegado à terra, que esteja sempre iluminado pelos raios do Teu divino Sol – Cristo – na Eucaristia, que o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do Teu Coração!
Santo Rosário, Apêndice, 5º mistério luminoso
Devemos começar desde já por pedir ao Espírito Santo que nos prepare de forma a podermos compreender todas as expressões e todos os gestos de Jesus Cristo, porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se nos oferecer como alimento da alma e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna.
A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: nós acreditamos e conhecemos que tu és Cristo, Filho de Deus. E é também ela, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a audácia de João. Assim, aproximamo-nos de Jesus e reclinamos a cabeça no peito do Mestre que, como acabamos de ouvir, por amar ardentemente os seus, os iria amar até ao fim.
Lembremo-nos da experiência tão humana da despedida de duas pessoas muito amigas. Desejariam ficar sempre juntas, mas o dever - ou seja o que for - obriga-as a afastar-se uma da outra. Não podem, portanto, continuar uma junto das outra, como seria do seu gosto. Nestas ocasiões, o amor humano, que por maior que seja, é sempre limitado, costuma recorrer aos símbolos. As pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia onde se escreve uma dedicatória tão calorosa, que até admira que não arda o papel. Mas não podem ir além disso, porque o poder das criaturas não vai tão longe como o seu querer.
Ora o que não está na nossa mão, consegue-o o Senhor. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens. Não nos deixará um simples presente que nos faça evocar a sua memória, alguma imagem que tenda a apagar-se com o tempo, como uma fotografia que a pouco e pouco se vai esvaindo e amarelecendo até perder o sentido para quem não interveio naquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a alma e a sua Divindade.
Cristo que passa, 83
A Missa, centro da vida interior
Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa sua outra delicadeza: não quis limitar a sua presença ao momento do Sacrifício do Altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.
Dir-vos-ei que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde Lhe podemos contar as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, as nossas aspirações e as nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que aqueles amigos seus Marta, Maria e Lázaro lhe falavam. Por isso, ao percorrer as ruas de alguma cidade ou de alguma aldeia, alegra-me descobrir, ainda que ao longe, a silhueta duma igreja: é um novo Sacrário, mais uma ocasião para deixar a alma escapar-se para estar, em desejo, junto do Senhor Sacramentado.
Cristo que passa, 154
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