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Testemunhos

A cadeira de rodas entrou na minha vida aos 35 anos

Susana Chávez, Buenos Aires, Argentina

21 Janeiro 2009

Etiquetas: Doença, Igreja, Viagens de catequese
Redescobri o valor de viver na graça de Deus, pelos ensinamentos do Fundador do Opus Dei


Há anos vi um filme de um encontro com o Fundador do Opus Dei no Teatro Coliseo, de Buenos Aires, e ainda hoje recordo o impacto que me causou a intervenção de uma mulher, sentada na sua cadeira de rodas. Senti-me muito identificada com ela, porque eu, naquela mesma situação, queria saber o que nós, sendo deficientes motores, podíamos fazer pelo Opus Dei, além de rezar e oferecer a Deus as nossas limitações.

Tive uma juventude bastante difícil, não só do ponto de vista familiar, mas também por ter de lidar com uma doença muscular progressiva que me ia tirando capacidades, ano após ano, sem parar. Sentia uma grande sensação de medo dos diagnósticos médicos, muitas vezes desencontrados e sem resposta, procurando incansavelmente uma possível cura, inclusivamente no estrangeiro, até que encontrei o diagnóstico final: “polimiosite crónica”. Aos 35 anos a cadeira de rodas entrou na minha vida com todo o seu dramatismo difícil de imaginar.

Foi com a leitura diária de “Caminho” que adquiri fortaleza e uma grande disciplina.
Quando se me apresentam problemas, procuro pô-los nas mãos de Deus na oração, embora não me faltem “desertos de fé”, dos quais sou afectuosamente resgatada nas visitas periódicas do sacerdote. O grande desafio que se me apresenta é equilibrar o subtil balançar da “aceitação” das minhas circunstâncias, com o trabalho de melhorar naquilo que me é possível mudar.

São Josemaria ensina-nos a ser fortes de carácter, mas suaves na oração, porque assim é como um filho ou uma filha tratam o seu Pai do céu e a Virgem Maria, mãe amorosa e protectora em quem sempre, mesmo nos momentos muito difíceis, encontro alívio e paz.

Àquela mulher que em 1974 lhe perguntou que podiam fazer os doentes pelo Opus Dei, o fundador do Opus Dei respondeu-lhe animando-a, sobretudo, a aceitar a doença com alegria. Sou consciente de que, no meu caso, nem sempre o consigo, mas consola-me recordar algo mais que também disse nessa altura e que, no decorrer dos anos, adquiriu para mim um valor incalculável. Quando já acabava de se lhe dirigir, São Josemaria disse-lhe: “Já te conheço o suficiente para ter por ti um grande carinho e para saber que tenho na Argentina uma alma que me ajudará a ser bom”.

É isto o que, desde há anos, ao saber que me escuta, peço a São Josemaria: que me ajude a ser melhor.