São Josemaria
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A compaixão de Jesus

Etiquetas: Jesus Cristo, Coração, Amor
Em seguida, dirigiu-Se a uma cidade chamada Naim, indo com Ele os Seus discípulos e grande multidão. Quando Se aproximava da porta da cidade, traziam um defunto a enterrar, filho único de sua mãe. Esta era viúva, e vinha a acompanhá-la bastante gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: Não chores. Aproximando-Se, tocou no caixão e estacaram os que o transportavam. Depois disse: Meu rapaz, Eu to digo, levanta-te. O morto sentou-se e começou a falar; e Ele entregou-o à mãe. Encheram-se todos de temor e davam glória a Deus, dizendo: Surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o Seu povo (Lc 7, 11-16).

«Recordai a cena que nos conta S. Lucas, quando Cristo andava nos arredores da cidade de Naim (Cfr. Lc 7, 11-17). Jesus vê a angústia daquelas pessoas, com quem Se cruzou ocasionalmente. Podia ter passado de lado, ou ter esperado que O chamassem Lhe fizessem um pedido. Mas não Se afasta, nem fica na expectativa. Toma Ele próprio a iniciativa, movido pela aflição de uma viúva que perdera a única coisa que lhe restava – o filho.

Explica o evangelista que Jesus Se compadeceu; talvez a sua comoção tivesse também sinais externos, como pela morte de Lázaro. Jesus não era, nem é, insensível ao padecimento que nasce do amor, nem sente prazer em separar os filhos dos pais: passa além da morte, para dar a vida, para que aqueles que se amam convivam. Não é apenas antes mas ao mesmo tempo que exige a preeminência do Amor divino que deve informar a autêntica existência cristã.

Cristo sabe que O rodeia uma grande multidão, a quem o milagre encherá de pasmo e que há-de ir apregoando o sucedido por toda aquela região. Mas o Senhor não procede de uma maneira artificial, para praticar um feito: sente-Se singelamente afectado pelo sofrimento daquela mulher, não pode deixar de a consolar. Então, aproximou-Se e disse-lhe: não chores (Lc 7, 13). Que é como se lhe dissesse: não te quero ver desfeita em lágrimas, pois Eu vim trazer à Terra a alegria e a paz. E imediatamente se dá o milagre, manifestação do poder de Cristo- Deus. Mas, antes, já se dera a comoção da sua alma, manifestação evidente da ternura do coração de Cristo- Homem.
Se não aprendermos com Jesus, não amaremos nunca. Se pensássemos, como alguns pensam, que conservar um coração limpo, digno de Deus, significa não o misturar, não o contaminar com afectos humanos, o resultado lógico seria tornarmo-nos insensíveis à dor dos outros. Só seríamos capazes de uma caridade oficial, seca e sem alma; não da verdadeira caridade de Jesus Cristo, que é ternura, amor humano. E com isto não dou lugar a falsas teorias, tristes escusas para o desvio dos corações, afastando-os de Deus, e levando-os a más ocasiões e à perdição (…).

Se queremos ajudar os outros, temos de os amar – deixai-me insistir – com um amor que seja compreensão e entrega, afecto e humildade voluntária. Assim compreenderemos por que quis o Senhor resumir toda a Lei nesse duplo mandamento, que é afinal um mandamento só: o amor de Deus e o amor do próximo com todo o coração (Mt 22, 40) ».

Cristo que passa, nn. 166-167

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