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São Josemaria Escrivá, Mestre de oração na vida corrente

D. Javier Echevarria

Etiquetas: Javier Echevarría, Oração, Vida corrente
Capa da publicação
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Artigo de D. Javier Echevarría: São Josemaria Escrivá, Mestre de oração na vida corrente (I) publicado em ”Magnificat”, Outubro de 2006


Entre os mestres de espiritualidade da história da Igreja, S. Josemaría Escrivá ocupa um lugar próprio por vários motivos. Antes de tudo, por se tratar de um santo dos nossos dias (foi canonizado por João Paulo II, no ano de 2002), que difundiu o chamamento universal à santidade, de uma maneira concreta, entre milhões e milhões de cristãos.

Para alcançar a santidade é imprescindível manter uma relação habitual com Deus ou, dito de outro modo, rezar. Mas este meio não consiste apenas em desfiar súplicas; consiste em falar com Deus, exercitando todas as capacidades humanas: a alma e o corpo, a cabeça e o coração, a doutrina e os afectos. Ser santo significa parecer-se com Jesus Cristo: quanto mais o imitarmos, nos assemelharmos a Ele, desenvolvendo com a graça e o nosso esforço a identificação sacramental recebida no Baptismo, tanto mais alcançaremos uma maior santidade, uma maior identificação com o Mestre. Daí a importância dessa “conversa habitual” com Ele. "Santo, sem oração?", interroga-se S. Josemaria num dos seus livros mais difundidos. E responde concisamente: "Não acredito nessa santidade" (Caminho, 107).

Contemplativo itinerante

Deus concedeu ao Fundador do Opus Dei, entre outros, o dom de ensinar de uma maneira prática que os homens e as mulheres que crescem no seio das actividades terrenas – no trabalho, na família, nos mais variados e honrados ambientes profissionais e sociais – podem e devem aspirar à santidade sem descuidar os afazeres temporais; pelo contrário, hão-de servir-se precisamente dessas ocorrências para procurar Deus, encontrá-Lo e amá-Lo. Por isso mereceu que a Santa Sé o chamasse contemplativo itinerante no Decreto que reconhece que praticou, com grau heróico, todas as virtudes cristãs, passo anterior à canonização.

Este resumo do que foi a vida de S. Josemaria comporta consequências muito importantes. Em primeiro lugar, que não há nenhum género de vida – desde que não se oponha à lei de Deus – que não possa ser santificado; que não se nega a ninguém a graça para chegar a ser verdadeiramente contemplativo; que é possível manter a presença de Deus no meio das tarefas mais absorventes, relacionarmo-nos com Ele no ruído do mundo, sem abandonar o lugar que cada um ocupa na sociedade. Em conclusão: Comportar-se como um homem ou uma mulher de oração não está reservado só a quem – acolhendo um chamamento especial – segue a vida sacerdotal ou religiosa. A vida contemplativa, precisamente por se tratar de um requisito no caminho da santidade, apresenta-se como um caminho ao alcance de todos nós.

S. Josemaría Escrivá foi chamado por Deus, não só para proclamar esta mensagem, mas também para a ensinar a assumir, sem diminuir qualquer uma das suas exigências. O seu exemplo, os ensinamentos que transmite nos seus escritos e sobretudo a realidade de inúmeras pessoas que se inspiram no seu espírito para se santificarem no seio dos assuntos terrenos, constituem uma expressão clara da validade do que afirmou depois do Concílio Vaticano II sobre o chamamento universal à santidade. Também reflectem um modo concreto de pôr em prática a proposta de João Paulo II, rumo ao novo milénio, quando exortou os cristãos a aprofundarem a “arte da oração” para aspirarem a uma “medida elevada” da santidade na situação de cada dia.
Antes de mostrar alguns pontos fundamentais dos ensinamentos sobre a oração deste mestre de vida cristã, recordo o princípio de uma homilia proferida com o significativo título “Vida de oração”. Escreve S. Josemaría: "Sempre que sentimos no nosso coração o desejo de melhorar, de responder mais generosamente ao Senhor, e procuramos um guia, um norte claro para a nossa existência cristã, o Espírito Santo traz à nossa memória as palavras do Evangelho importa orar sempre e não cessar de o fazer (Lc 18,1). A oração é o fundamento de todo o trabalho sobrenatural; com a oração somos omnipotentes e, se prescindíssemos deste recurso, nada conseguiríamos" (Amigos de Deus, 238).

D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei