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Testemunhos

Isto foi escrito a pensar em ti e em mim

Chelita Amato de Oliveira, advogada, Uruguai

1 Janeiro 2009

Etiquetas: Santidade, Trabalho, Vida corrente
Num dia chuvoso, a correr atrás de um táxi para ir ao hospital a fim de estar com o pai que se encontrava em fase terminal, um vizinho deu-lhe uma estampa de S. Josemaria. Com o passar dos anos, dar-se-ia conta de que o seu trabalho, o do marido, os filhos e a vida cristã eram uma e mesma coisa.

Sou advogada, há 25 anos casei e há 23 trabalho em instituições bancárias. Há 24 anos que estou casada e tenho 7 filhos que vão desde os 21 aos oito anos. Fui filha única, e Deus recompensou-me com uma família numerosa.

Conheci a Obra como que em duas etapas. Há muitos anos, quando faltava pouco tempo para me casar, o meu pai adoeceu com um cancro que se desenvolveu muito rapidamente. Como filha única, assumi a responsabilidade de cuidar dele. Um dia, pouco tempo antes de o meu pai falecer, saia de casa desesperada porque ia chegar tarde e não encontrava táxi, chovia… Nessa altura, mesmo os problemas mais insignificantes, como o de não encontrar um táxi, transtornavam-me, sentia-me mal, preocupada porque ainda para mais a minha mãe estava com falta de saúde. Era uma etapa difícil da minha vida. Bem, nesse dia, chego à esquina e encontro-me com um vizinho que vivia em frente da minha casa, um rapaz mais ou menos da minha idade, que viu a minha expressão de angústia. Enquanto eu mandava parar um táxi - chovia a cântaros -, ele ofereceu-me uma estampa do fundador do Opus Dei, e disse-me: “reze-lhe, é um santo, um grande santo, reze-lhe pelo seu pai”.

Logo que ma deu, guardei-a. Recordo que nessa noite peguei nela e li-a pela primeira vez e estive a rezar pela madrugada adentro. Devo tê-la rezado centenas de vezes pedindo não a cura, mas que morresse tendo recebido os sacramentos, que morresse em paz, e também pedia a Deus, por intermédio desse sacerdote até esse dia desconhecido, que mantivesse a calma, porque me sentia transtornada, porque tudo se me apresentava negro. Ao fim de pouco tempo, sabia a oração da estampa de cor. O meu pai morreu confortado com os sacramentos, e eu fiquei com uma tranquilidade absoluta, com uma serenidade total para tomar as decisões que se devem tomar depois da morte de uma pessoa tão querida. Sentia uma paz que me assombrava e convenci-me que se tratava de um favor. Depois, deixei de rezar a estampa e continuei a fazer a minha vida, fiquei noiva, casei-me, e passaram muitos anos.

Quando estava à espera do meu primeiro filho, ficámos amigos de um casal que estava empenhado numa actividade com casais novos em que se tratavam temas referentes ao casamento e à educação dos filhos. As pessoas que a organizavam inspiravam-se no espírito do Opus Dei. Passado algum tempo alguém me convidou para ir a um centro do Opus Dei, e reencontrei-me de novo com aquela estampa.

Através daquele casal veio ter às minhas mãos um livro sobre a santificação do trabalho. Recordo que naquela altura andava muito atarefada, e aproveitei para ler o livro que me tinham emprestado. Recordo que me chamou tanto a atenção que disse ao meu marido: “Tens de ler isto, pois parece escrito para ti e para mim”, embora me parecesse mais adequado para ele, pois é “uma máquina que eu tenho ao meu lado”. Aprendera que um cristão deve procurar a santidade, mas este sacerdote – Josemaria Escrivá de – compendiava-o de uma forma absolutamente revolucionária: a possibilidade de ser santo através do nosso trabalho era como resgatar a grandeza da vida corrente: levantar-se, preparar o pequeno-almoço, as refeições, levar a cabo as tarefas do dia-a-dia. Que tudo isso fosse matéria de santificação, que fosse um passaporte para ganhar o céu, parecia-me de loucos. Quando li isto pela primeira vez, parecia-me que fora escrito para nós os dois.

A minha realidade laboral existiu desde a nossa vida em comum, desde quando nos casámos. Uma pessoa lá vai conseguindo repartir-se, desmultiplicar-se, mas, graças a Deus, as coisas aparecem uma a uma, os filhos vêm um a um, as responsabilidades vão-se somando aos poucos, a pessoa vai-se acomodando e Deus vai ajudando.

O grande milagre que o pensamento transmitido por São Josemaria operou na minha vida foi o de que tudo isto não representava uma parcela mais a somar a todas as minhas responsabilidades. Certa vez, um sacerdote disse-me que tudo o que a Obra me dá e aquilo a que uma pessoa se compromete com o Opus Dei, é como uma empregada quando vai fazer as compras, os recados: uma pessoa não pensa que a empregada é um peso, mas sim que ajuda a trazer as compras, a fazer os recados. Eu não poderia fazer o que faço na minha vida se não vivesse esta espiritualidade.