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A primeira Mulher do Opus Dei: "Primeiro os fundamentos, depois virá o resto"

Mª Ignacia García Escobar teve plena consciência de estar a “fazer” a Obra de Deus na sua cama do hospital: É preciso alicerçá-la bem. Para isso procuremos que estas fundações sejam de granito, não nos aconteça como aquele edifício de que fala o Evangelho: foi construído na areia. Antes de tudo as fundações depois virá tudo o resto.
A partir do dia 14 de Fevereiro de 1930, Mons. Josemaria Escrivá iniciou a fundação da Secção Feminina do Opus Dei. O trabalho foi mais demorado porque, por delicadeza e prudência, não podia ter, com as mulheres que se sentiam atraídas pela mensagem da Obra, o mesmo relacionamento que tinha com os homens (e sempre assim seria: concretamente nunca viveu num Centro da Secção Feminina).
Por outro lado, naquela época, as raparigas – que mais facilmente se poderiam sentir atraídas por este novo espírito – tinham pouquíssima liberdade. Eram obrigadas a dar aos pais todo o tipo de explicações: onde iam, com quem, fazer o quê, a que horas voltariam… E, naquela altura, a Obra juridicamente não existia: atravessava os delicados momentos do início da sua gestação.
9 de Abril de 1932
Todavia, atendeu sacerdotalmente, com zelo extraordinário, Maria Ignacia García Escobar, uma das primeiras associadas do Opus Dei, que morreu santamente no Hospital del Rey, a 13 de Setembro de 1933. Sofreu muito porque padecia de tuberculose intestinal e teve de ser operada várias vezes. É emocionante ler os cadernos de notas que Maria Ignacia escreveu, ao estilo da clássica literatura espiritual espanhola, nesse hospital de doentes incuráveis. Tinha pedido a admissão na Obra no dia 9 de Abril de 1932 – “um nova época de amor”, anota no seu caderno uns dias depois – mas, antes dessa data já oferecia pela intenção de S. Josemaria a febre, as múltiplas indisposições, dores intensas que, por exemplo, a impediam de escrever durante semanas seguidas. María Ignacia Escobar teve plena consciência de que estava a fazer a Obra de Deus dali, da sua cama de hospital: “É preciso alicerçá-la bem. Para isso procuremos que os fundamentos sejam de granito para que não nos aconteça o mesmo que àquele edifico de que fala o Evangelho, foi construído sobre areia. Primeiro as fundações depois, virá o resto.“
O sofrimento dos doentes daquele hospital foi o fundamento inamovível do Opus Dei. Maria Ignacia rezava pela Obra desde que, nos últimos meses de 1931, o Pe. José María Somoano lho pedira:
– Maria: é preciso rezar muito por uma intenção que é para o bem de todos. Esta petição não é de dias: é um bem universal que necessita de orações e sacrifícios agora, hoje, amanhã e sempre.
O Pe. José María Somoano encorajava muitos doentes a oferecerem os seus sofrimentos por aquela intenção: por ela sofriam indisposições, ofereciam operações dolorosíssimas, ou comiam mesmo sem apetite. "De noite – escreve María –, quando as dores não me deixam dormir entretenho-me a lembrar a Nosso Senhor a sua intenção".
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