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Nossa Senhora de Fátima

Viagens marianas (4)

Etiquetas: Nossa Senhora, Portugal
Fátima era, em 1917, um pequena localidade rural com cerca de 2500 habitantes, em plena serra de Aire, na zona central de Portugal, a 120 km de Lisboa. Numa das casinhas vivia Lúcia de Jesus (22-3-1907, 13-2-2005), e perto viviam os seus primos Francisco (11-6-1908, 4-4-1919) e Jacinta (10-3-1910, 20-02-1920).
Jacinta e Francisco foram beatificados pelo Papa João Paulo II, que presidiu à cerimónia no dia 13 de Maio de 2000, no próprio Santuário de Fátima. No 10º aniversário desta beatificação, a 13 de Maio de 2010, o Papa Bento XVI aí presidiu também às cerimónias.


Apesar de terem outros irmãos, gostavam de brincar os três. Lúcia começou a ajudar os pais guardando o rebanho de ovelhas. Deixaria assim as brincadeiras que fazia com os primos. Estes, tanto pediram aos pais que eles acabaram por os deixar ir também com o seu rebanho. Um dia, na Primavera de 1916, na Loca do Cabeço apareceu-lhes um Anjo que lhes ensinou a rezar: “Meu Deus eu creio adoro espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram não esperam e não vos amam”. Animou-os a rezar e a oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores. No Outono desse mesmo ano, o Anjo traz uma Hóstia e um Cálice na mão. Ajoelhou-se e rezou com eles: “Santíssima Trindade, Pai Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue e Alma de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Depois deu-lhes a comungar o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Desde este momento, Francisco quis ser o consolador de Jesus e Jacinta, por seu lado, tornou-se uma apóstola incessante da conversão dos pecadores. Rezava também muito pelo Santo Padre.

No ano seguinte, ao meio-dia de 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria, viram aparecer sobre uma azinheira “uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o Sol”. Pediu-lhes que voltassem ali seis meses, no dia 13, à mesma hora. Disse-lhes para rezarem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. No dia 13 de Junho pediu-lhes novamente que rezassem o Terço e que aprendessem a ler. Disse-lhes que a Jacinta e o Francisco iriam em breve para o Céu. A
Lúcia ficaria para estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria – e mostrou-lhes o seu Coração rodeado de espinhos. A 13 de Julho mostrou-lhes o inferno “para onde vão as almas dos pobres pecadores”. Nessa altura, o governo de Portugal era atrozmente anti-religioso, e dada a repercussão que os acontecimentos iam tomando, no dia 13 de Agosto, o administrador do Concelho de Ourém retém presos os três pastorinhos até ao dia 15 de Agosto. Nesse mês a aparição da Virgem deu-se no dia 19. No dia 13 de Outubro havia já uma multidão de cerca de 70 mil pessoas. “A Senhora vestida de branco mais brilhante que o sol” disse então que era a Senhora do Rosário e renovou o pedido de rezarem o Terço todos os dias. Pediu também que fizessem ali uma capela em sua honra. Nessa altura a chuva intensa parou e, durante cerca de 10 minutos, observaram-se alguns fenómenos extraordinários a que popularmente se chamou “o milagre do Sol”. Desde então as três crianças viveram intensamente as indicações de Nossa Senhora. A Jacinta e o Francisco adoeceram e vieram a morrer pouco depois, oferecendo todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores e para consolar Jesus. Lúcia ingressou mais tarde num convento de Doroteias e depois no Carmelo de Coimbra, tendo morrido com fama de santidade no dia 13 de Fevereiro de 2005. O seu corpo foi trasladado em 19-02-2006 para a basílica de Fátima onde estão, agora, os corpos dos três videntes.
Jacinta e Francisco foram beatificados pelo Papa João Paulo II, que presidiu à cerimónia no dia 13 de Maio de 2000, no próprio Santuário de Fátima.


Em Maio de 1967
São Josemaria Escrivá foi pela primeira vez a Fátima a 6 de Fevereiro de 1945 – dizia que “tinha sido a Virgem Santíssima que lhe tinha aberto as portas de Portugal”[1]. De facto, foi a pedido da irmã Lúcia, então a viver em Tuy, que veio a Portugal e, concretamente, a Fátima, em Fevereiro de 1945, quando não tinha planeado essa visita para tão cedo. Voltou depois por diversas vezes a este santuário mariano, impulsionado pelo seu grande amor a Nossa Senhora.

Em 9 de Maio de 1967, foi a sua oitava visita. Celebrava-se nesse ano, a 13 de Maio de 1967, o 50º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima aos três pastorinhos e o Santo Padre Paulo VI iria presidir às celebrações. A Igreja atravessava então uma fase difícil e São Josemaria rezava incessantemente para que se resolvessem os problemas que existiam, recorrendo à intercessão da Virgem Maria. Nesse ano saiu de Roma numa viagem de penitência e oração. Chegou ao santuário mariano de Lourdes a 22 de Abril. Aí invocou o auxílio e a protecção de Nossa Senhora. Rumando a Fátima, atravessou Espanha onde se encontrou com membros e amigos do Opus Dei, em reuniões de ambiente familiar, em várias cidades.
Chegou a Lisboa a 8 de Maio. No dia seguinte, logo de manhãzinha, seguiu para Coimbra. Aí visitou a irmã Lúcia no Carmelo dessa cidade). No início da tarde partiu para Fátima. Acompanhavam-no D. Álvaro del Portillo (seu primeiro sucessor), D. Javier Echevarría (actual Prelado do Opus Dei) e um pequeno grupo de sacerdotes e leigos[2]. O carro em que viajavam, dificilmente abria caminho por entre a multidão de peregrinos que iam a pé, pela mesma estrada, também para Fátima (não havia então auto-estrada até lá). De terço na mão, sob uma chuva miudinha, iam em verdadeiro espírito de penitência e oração, como ali pedira Nossa Senhora, 50 anos atrás. S. Josemaria sentiu-se comovido com a Fé daquelas pessoas e ouviram-no dizer: “Deus vos abençoe pelo amor que tendes à sua Mãe”. Assim que chegaram a Fátima, dirigiu-se de imediato à capelinha e ajoelhou-se aos pés da imagem de Nossa Senhora. Com um recolhimento que nada fazia distrair, numa atitude em que transparecia o diálogo amoroso de um filho com a sua mãe, rezou – pedia-lhe pelas intenções da Igreja. Após alguns instantes dirigiu-se à Basílica para fazer a visita ao Santíssimo Sacramento. Escreveu depois alguns postais para o Papa e para os seus filhos (assim tratava os membros do Opus Dei) nos vários cantos do mundo onde já se encontravam.

Qual Precursor, vinha abrir o caminho ao “doce Cristo na Terra” como gostava de chamar ao Santo Padre com palavras de Santa Catarina de Sena. Deixou Portugal a 12 de Maio para que os seus filhos e amigos se sentissem livres de ir também juntar-se ao Papa Paulo VI, nas celebrações do cinquentenário das aparições. Aí puderam ouvir o próprio Papa dizer, na homilia da Santa Missa celebrada no Santuário: “A nossa primeira intenção é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. (…) O Concílio despertou muitas energias no seio da Igreja; abriu perspectivas mais amplas no seio da sua doutrina, chamou todos os seus filhos a uma consciência mais clara, a uma colaboração mais íntima, a um apostolado mais activo. Desejamos firmemente que esses grandes benefícios e essa profunda renovação se conservem e desenvolvam. Que grande prejuízo seria, se uma interpretação arbitrária e não autorizada pelo Magistério da Igreja transformasse esse despertar numa inquietação dissolvente da sua configuração tradicional e constitucional, substituísse a teologia dos verdadeiros e grandes mestres por ideologias efémeras particulares, que querem eliminar da norma da fé tudo aquilo que mentalidades actuais muitas vezes privadas de luz verdadeiramente racional, não compreendem, não aceitam!”[3].

S. Josemaria voltaria posteriormente mais vezes a pedir a intercessão de Nossa Senhora ali, no Santuário de Fátima, a última em 1972.

1. Hugo de Azevedo, “Uma luz no mundo”, Lisboa, Ed. Prumo, 1988
2. Manuel Martínez, Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei: peregrino de Fátima, Lisboa, Diel, 2002
3. Paulo VI, Homília, Fátima, 13-V-1967

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