Documentação
Relatos
A Fundação do Opus Dei
Josemaria Escrivá veio viver para Madrid em Abril de 1927. Em Madrid - disse em certa ocasião - recebi a minha missão, sinto-me com direito, por essa e outras razões, madrileno.
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Rua de García de Paredes:
A fundação do Opus Dei
No n.º 45 da rua de García de Paredes está a Basílica da Milagrosa dos Padres Vicentinos. Na Casa Central dos Padres Vicentinos, cuja primeira pedra foi lançada no dia de S. José de 1883 e agora é ocupada pela casa de saúde da Milagrosa, Josemaria Escrivá fundou o Opus Dei no dia 2 de Outubro de 1928.
A Casa Central dos Padres Vicentinos era um amplo edifício de tijolo, de quatro andares, em volta de um pátio-jardim interior, com quartos simples e austeros que davam para longos corredores. Adossada a essa construção, no início da rua de García de Paredes, encontrava-se a igreja de S. Vicente de Paulo, hoje da Milagrosa, acabada de construir em 1904. Por detrás havia «uma grande horta cheia de fertilidade, verdura, matizes e frescura, com vários canteiros, caminhos e veredas, com frondosas árvores, umas de fruta, outras de jardim» (Cf. Guía de Arquitectura y Urbanismo de Madrid. Nos anos quarenta este edifício sofreu uma profunda transformação, e uma boa parte da antiga construção é agora um hospital. O restante, reestructurado e ampliado, é actualmente a residência da Comunidade dos Padres Vicentinos que atendem a Basílica anexa da Milagrosa. Com o passar dos anos, estes grandes espaços abertos, de hortas e jardins, que se estendiam até Cuatro Caminos, alternando com espaços e zonas edificadas, foi sendo urbanizada).
De 30 de Setembro a 6 de Outubro de 1928, S. Josemaria fez aí um retiro, com outros cinco sacerdotes. Levantavam-se às cinco da manhã, e iam para os seus quartos às nove da noite. Durante o dia: exames de consciência, missa, práticas, ofício divino…
Na Terça-feira de manhã, 2 de Outubro, festa dos Anjos da Guarda, depois de celebrar a missa, estava o Pe. Josemaria no seu quarto a ler as notas que tinha trazido consigo. De repente, recebeu uma graça extraordinária, entendendo que o Senhor lhe dava resposta às insistentes petições Domine, ut videam! e Domine, ut sit!.
Três anos mais tarde, descreverá o essencial do sucedido: Recebi a iluminação sobre toda a Obra, enquanto lia aqueles papéis. Comovido ajoelhei-me –estava sozinho no meu quarto, entre uma prática e outra – dei graças ao Senhor, e lembro-me com emoção do repicar dos sinos da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos.
À luz potente e inefável da graça, foi-lhe mostrada a Obra no seu conjunto, «vi» é a palavra que usava sempre ao definir este facto. Foram instantes de uma grandeza indescritível. Diante de si, no interior da sua alma, aquele sacerdote em oração viu o panorama histórico da redenção humana, iluminado pelo Amor de Deus. Nesse momento, captou de forma indizível o conteúdo divino da excelsa vocação do cristão que, no meio das tarefas terrenas , era chamado à santificação da sua pessoa e do seu trabalho. Com essa luz, viu a essência da Obra – instrumento ainda sem nome -, destinada a promover o desígnio divino do chamamento universal à santidade, e a forma como irradiavam das entranhas da Obra instrumento da Igreja de Deus – os princípios teológicos e o espírito sobrenatural que renovariam as gentes. Com imenso pasmo, entendeu, no cerne da sua alma, que essa iluminação não era apenas uma resposta às suas petições, mas também um convite à aceitação de um encargo divino.
Ao quarto do sacerdote em oração, chegava o jubiloso repicar dos sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos, no bairro vizinho de Cuatro Caminos. Este som ficou-lhe gravado para sempre no espírito: Ainda me ressoam aos ouvidos – dizia em 1964 – os sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos , festejando a sua Padroeira.
Nos pequenos acontecimentos do dia-a-dia, feitos com perfeição, nos trabalhos e dificuldades, nas alegrias, numa actividade profissional bem executada, no serviço à sociedade e ao próximo, há sempre um tesouro escondido. Porque o trabalho profissional e as relações sociais constituem o âmbito e a matéria que os cristãos devem santificar, santificando-se no desempenho das suas obrigações familiares e cívicas. No chamamento universal à santidade está consequentemente ímplicito o valor santificador do trabalho oferecido a Deus, o valor cristão das actividades seculares que nos libertam deste mundo sem deixarmos de estar bem imersos nele. E assim a alma aproveita tudo isso para se santificar, para se divinizar.
Nesta vida vulgar, enquanto vamos andando pelo mundo fora com os nossos companheiros de profissão ou de ofício – como diz o refrão castelhano, cada ovelha com a sua parelha, assim é a nossa vida -, Deus Nosso Pai dá-nos ocasião de exercitarmos todas as virtudes, de praticar a caridade, a fortaleza, a justiça, a sinceridade, a temperança, a pobreza, a humildade, a obediência…
De modo que as ciências e a arte, o mundo da economia e da política, o artesanato e a indústria, os trabalhos domésticos e qualquer outra profissão honesta deixam de ser indiferentes ou profanos. Porque qualquer actividade, vivificada em união com Cristo, feita com espírito recto, de sacrifício, de amor ao próximo e de perseverança, com intenção de dar glória a Deus, fica enobrecida e adquire valor sobrenatural.
Aquele jovem sacerdote seria o arauto da nova mensagem para a humanidade. Uma mensagem velha como o Evangelho e como o Evangelho nova. No entanto, na melhor das hipóteses, via-se como um burrinho humilde e desprezível sobre o qual tinham lançado, de repente, uma carga preciosa e pesada. Um peso formoso, partilhado pelo Senhor, que se tinha metido até ao mais fundo da sua alma. Era assim que, em rigor, o Pe. Josemaria sentia a sua vocação.
Se me perguntardes como se nota o chamamento divino, como é que uma pessoa se apercebe, dir-vos-ei que é uma visão nova da vida. É como se se acendesse uma luz dentro de nós; é um impulso misterioso, que impele o homem a dedicar as suas mais nobres energias a uma actividade que, com a prática, ganha corpo de ofício. Essa força vital, que tem qualquer coisa de avalancha irresistível, é aquilo a que outros chamam vocação.
A vocação leva-nos – sem disso nos apercebermos – a tomar uma posição na vida, que manteremos com entusiasmo e alegria, cheios de esperança até ao próprio momento da morte. É um fenómeno que comunica ao trabalho um sentido de missão, que enobrece e dá valor à nossa existência. Jesus mete-se na alma com um acto de autoridade, na tua, na minha: o chamamento é isso.
Esses dias de retiro nos Padres Vicentinos coroaram o reconhecimento da mão providencial do Senhor, que fora preparando a pedra fundacional por meio de graves acontecimentos que obrigaram a família a peregrinar de Barbastro para Logronho, de Logronho para Saragoça e de Saragoça para Madrid. A essa luz, a sua vida adquiriu um colorido totalmente novo. Deus trouxera-o para a Vila e Corte a fim de o mergulhar a fundo nos problemas da humanidade:
Ontem à tarde, andando pela rua – escrevera nos seus Apontamentos -, considerava que Madrid foi o meu Damasco, porque foi aqui que me caíram as escamas dos olhos da minha alma […] e foi aquí que recebi a minha missão.
Examinou os meios materiais de que dispunha para essa missão e apercebeu-se da sua nudez. Ao longo da vida, o Senhor fora-o despojando por completo de todos os impedimentos. Estava sozinho, tendo como única bagagem os meus vinte e seis anos e o meu bom humor, diz-nos fazendo o inventário. (E noutra ocasião: Começámos a trabalhar na Obra quando o Senhor quis, com uma carência absoluta de meios materiais: vinte e seis anos, a graça de Deus e bom humor. E basta.)
Uma placa recorda o lugar da fundação do Opus Dei
No ano 2000, Os Padres Vicentinos da basílica da Milagrosa colocaram uma placa no interior do templo em que se recorda que S. Josemaria Escrivá recebeu ali, em 1928, a inspiração divina de fundar o Opus Dei
O texto da placa, precedido do selo da Obra, diz: “No dia 2 de Outubro de 1928, quando fazia um retiro espiritual nesta casa dos Padres Vicentinos, o Beato Josemaria Escrivá de Balaguer recebeu no coração e na mente a semente divina do Opus Dei: «Recebi a iluminação sobre toda a Obra: comovido ajoelhei-me –estava sozinho no meu quarto – e dei graças ao Senhor, e lembro-me com emoção do repicar dos sinos de Nossa Senhora dos Anjos».
Durante esses dias, S. Josemaria estava a fazer um retiro espiritual com outros sacerdotes na Casa Central dos Padres Vicentinos, edifício junto à basílica, nessa altura igreja de S. Vicente. Deus fez-lhe ver o Opus Dei quando, depois de ter celebrado a Missa, revia no seu quarto as notas em que tinha reunido as inspirações e graças recebidas durante dez anos e que se concretizariam nesse dia 2 de Outubro.
LUGARES PRÓXIMOS RELACIONADOS COM A HISTÓRIA DO OPUS DEI
Rua de Diego de León
Este edifício alberga uma cripta onde repousam os restos dos pais do Fundador do Opus Dei.
O Fundador começou a viver nesta casa a 31 de Janeiro de 1940. Pouco tempo depois, a mãe e os irmãos do Fundador passaram a residir também na mesma casa.
Nesta casa faleceu a mãe do Fundador, Dolores Albás, a 22 de Abril de 1941.
Entre os episódios que sucederam neste centro deu-se numa noite em que as preocupações não o deixavam dormir. Sentindo-se ferido na sua honra de sacerdote por tantas injúrias, levantou-se da cama. Havia um oratório muito perto. Saiu do quarto e prostrando-se diante do sacrário, disse a Nosso Senhor: Jesus, se Tu não necessitas da minha honra, para que a quero eu? A partir desse momento, podiam dizer dele o que quisessem. Fazia de conta que já não a tinha.
Tornou a deitar-se. Tranquilo, porque tinha deixado nas mãos de Deus o que as pessoas pudessem pensar acerca dele.
Rua de Alcalá- “El Sotanillo”
Subindo pela rua de Alcalá em direcção à Porta de Alcalá, atravessando para o outro passeio, encontramo-nos no antigo local de El Sotanillo, que estava situado no nº 31, muito perto já da Praça da Independência.
Nos primeiros tempos do Opus Dei, quando S. Josemaria nem sequer tinha uma sede, costumava ir a este café (que já não existe) com as pessoas com quem se dava apostolicamente.
Vázquez de Prada conta: “Este estabelecimento – chocolataria, cervejaria, café, tudo ao mesmo tempo-, estava situado num local muito central: na rua de Alcalá, entre Cibeles e a praça da Independência. A entrada dava para a rua, mas tinha de se descer uns quantos degraus, pois ocupava uma semi-cave.
O Pe. Josemaria sentia-se muito à vontade no ambiente de El Sotanillo, rodeado dos seus jovens amigos. E Juan, o proprietário, e o filho Àngel acostumaram-se à presença do sacerdote acompanhado de estudantes. Quando um dos dois o via entrar, passava a palavra, em voz alta: «Já chegou com os seus discípulos»”.
Porta de Alcalá e Parque do Retiro
Outro monumento emblemático de Madrid: a Porta de Alcalá na Praça da Independência.
Nesta praça, no nº 75 da rua de Alcalá, nasceu Álvaro del Portillo.
A Porta de Alcalá é, a par da Fonte de Cibeles, um dos monumentos mais conhecidos de Madrid. É obra de Francisco Sabatini, construída em 1771. É uma das grandes portas ornamentais que foram construídas durante o reinado de Carlos III. Comemora a entrada de Carlos III na capital.
Parque do Retiro
A designação “Retiro” provém do “Cuarto Real”, zona de retiro espiritual, construída por mandado de Filipe II para servir de aposento durante a Quaresma, a fim de aí rezar e preparar a Semana Santa. De princípio tinha o nome de Quarto Real de S. Jerónimo. Mais tarde, o Duque de Olivares deu-lhe o nome de Casa Real do Bom Retiro, antecedente do nome actual.
S. Josemaria reunia-se para conversar neste parque com os primeiros membros do Opus Dei e com as pessoas com quem se relacionava apostolicamente. Isidoro Zorzano conta: “De princípio não tínhamos onde estar com o Padre. Sentávamo-nos num banco de passeio. Depois, íamos ao Retiro que era um lugar mais tranquilo... e aí fazíamos planos”.
S. Josemaria, em Fevereiro de 1932, escrevia que algumas vezes ia a este Parque: “No Sábado passado fui ao Retiro, do meio-dia e meio à uma e meia (...) e pus-me a ler o jornal. A oração vinha com tal ímpeto que, contra a minha vontade, tive de pôr de lado a leitura”.

Descarregar textos de S. Josemaria sobre o chamamento à santidade (formato pdf).
Rua de García de Paredes:
A fundação do Opus Dei
No n.º 45 da rua de García de Paredes está a Basílica da Milagrosa dos Padres Vicentinos. Na Casa Central dos Padres Vicentinos, cuja primeira pedra foi lançada no dia de S. José de 1883 e agora é ocupada pela casa de saúde da Milagrosa, Josemaria Escrivá fundou o Opus Dei no dia 2 de Outubro de 1928.

Igreja actual da Milagrosa
A Casa Central dos Padres Vicentinos era um amplo edifício de tijolo, de quatro andares, em volta de um pátio-jardim interior, com quartos simples e austeros que davam para longos corredores. Adossada a essa construção, no início da rua de García de Paredes, encontrava-se a igreja de S. Vicente de Paulo, hoje da Milagrosa, acabada de construir em 1904. Por detrás havia «uma grande horta cheia de fertilidade, verdura, matizes e frescura, com vários canteiros, caminhos e veredas, com frondosas árvores, umas de fruta, outras de jardim» (Cf. Guía de Arquitectura y Urbanismo de Madrid. Nos anos quarenta este edifício sofreu uma profunda transformação, e uma boa parte da antiga construção é agora um hospital. O restante, reestructurado e ampliado, é actualmente a residência da Comunidade dos Padres Vicentinos que atendem a Basílica anexa da Milagrosa. Com o passar dos anos, estes grandes espaços abertos, de hortas e jardins, que se estendiam até Cuatro Caminos, alternando com espaços e zonas edificadas, foi sendo urbanizada).
De 30 de Setembro a 6 de Outubro de 1928, S. Josemaria fez aí um retiro, com outros cinco sacerdotes. Levantavam-se às cinco da manhã, e iam para os seus quartos às nove da noite. Durante o dia: exames de consciência, missa, práticas, ofício divino…

Capela na igreja de Nossa Senhora dos Anjos que lembra a fundação do Opus Dei
Três anos mais tarde, descreverá o essencial do sucedido: Recebi a iluminação sobre toda a Obra, enquanto lia aqueles papéis. Comovido ajoelhei-me –estava sozinho no meu quarto, entre uma prática e outra – dei graças ao Senhor, e lembro-me com emoção do repicar dos sinos da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos.
À luz potente e inefável da graça, foi-lhe mostrada a Obra no seu conjunto, «vi» é a palavra que usava sempre ao definir este facto. Foram instantes de uma grandeza indescritível. Diante de si, no interior da sua alma, aquele sacerdote em oração viu o panorama histórico da redenção humana, iluminado pelo Amor de Deus. Nesse momento, captou de forma indizível o conteúdo divino da excelsa vocação do cristão que, no meio das tarefas terrenas , era chamado à santificação da sua pessoa e do seu trabalho. Com essa luz, viu a essência da Obra – instrumento ainda sem nome -, destinada a promover o desígnio divino do chamamento universal à santidade, e a forma como irradiavam das entranhas da Obra instrumento da Igreja de Deus – os princípios teológicos e o espírito sobrenatural que renovariam as gentes. Com imenso pasmo, entendeu, no cerne da sua alma, que essa iluminação não era apenas uma resposta às suas petições, mas também um convite à aceitação de um encargo divino.

Lembro-me com emoção do repicar dos sinos da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos, dizia S. Josemaria Escrivá.
Um desses sinos encontra-se actualmente no Santuário de Torreciudad
Um desses sinos encontra-se actualmente no Santuário de Torreciudad
Ao quarto do sacerdote em oração, chegava o jubiloso repicar dos sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos, no bairro vizinho de Cuatro Caminos. Este som ficou-lhe gravado para sempre no espírito: Ainda me ressoam aos ouvidos – dizia em 1964 – os sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos , festejando a sua Padroeira.
Nos pequenos acontecimentos do dia-a-dia, feitos com perfeição, nos trabalhos e dificuldades, nas alegrias, numa actividade profissional bem executada, no serviço à sociedade e ao próximo, há sempre um tesouro escondido. Porque o trabalho profissional e as relações sociais constituem o âmbito e a matéria que os cristãos devem santificar, santificando-se no desempenho das suas obrigações familiares e cívicas. No chamamento universal à santidade está consequentemente ímplicito o valor santificador do trabalho oferecido a Deus, o valor cristão das actividades seculares que nos libertam deste mundo sem deixarmos de estar bem imersos nele. E assim a alma aproveita tudo isso para se santificar, para se divinizar.
Nesta vida vulgar, enquanto vamos andando pelo mundo fora com os nossos companheiros de profissão ou de ofício – como diz o refrão castelhano, cada ovelha com a sua parelha, assim é a nossa vida -, Deus Nosso Pai dá-nos ocasião de exercitarmos todas as virtudes, de praticar a caridade, a fortaleza, a justiça, a sinceridade, a temperança, a pobreza, a humildade, a obediência…
De modo que as ciências e a arte, o mundo da economia e da política, o artesanato e a indústria, os trabalhos domésticos e qualquer outra profissão honesta deixam de ser indiferentes ou profanos. Porque qualquer actividade, vivificada em união com Cristo, feita com espírito recto, de sacrifício, de amor ao próximo e de perseverança, com intenção de dar glória a Deus, fica enobrecida e adquire valor sobrenatural.
Aquele jovem sacerdote seria o arauto da nova mensagem para a humanidade. Uma mensagem velha como o Evangelho e como o Evangelho nova. No entanto, na melhor das hipóteses, via-se como um burrinho humilde e desprezível sobre o qual tinham lançado, de repente, uma carga preciosa e pesada. Um peso formoso, partilhado pelo Senhor, que se tinha metido até ao mais fundo da sua alma. Era assim que, em rigor, o Pe. Josemaria sentia a sua vocação.
Se me perguntardes como se nota o chamamento divino, como é que uma pessoa se apercebe, dir-vos-ei que é uma visão nova da vida. É como se se acendesse uma luz dentro de nós; é um impulso misterioso, que impele o homem a dedicar as suas mais nobres energias a uma actividade que, com a prática, ganha corpo de ofício. Essa força vital, que tem qualquer coisa de avalancha irresistível, é aquilo a que outros chamam vocação.
A vocação leva-nos – sem disso nos apercebermos – a tomar uma posição na vida, que manteremos com entusiasmo e alegria, cheios de esperança até ao próprio momento da morte. É um fenómeno que comunica ao trabalho um sentido de missão, que enobrece e dá valor à nossa existência. Jesus mete-se na alma com um acto de autoridade, na tua, na minha: o chamamento é isso.
Esses dias de retiro nos Padres Vicentinos coroaram o reconhecimento da mão providencial do Senhor, que fora preparando a pedra fundacional por meio de graves acontecimentos que obrigaram a família a peregrinar de Barbastro para Logronho, de Logronho para Saragoça e de Saragoça para Madrid. A essa luz, a sua vida adquiriu um colorido totalmente novo. Deus trouxera-o para a Vila e Corte a fim de o mergulhar a fundo nos problemas da humanidade:
Ontem à tarde, andando pela rua – escrevera nos seus Apontamentos -, considerava que Madrid foi o meu Damasco, porque foi aqui que me caíram as escamas dos olhos da minha alma […] e foi aquí que recebi a minha missão.

Uma placa lembra o local da fundação do Opus Dei. O texto da placa diz: “No dia 2 de Outubro de 1928, quando fazia um retiro espiritual nesta casa dos Padres vicentinos, o Beato Josemaria Escrivá de Balaguer recebeu no coração e na mente a semente divina do Opus Dei: «Recebi a iluminação sobre toda a Obra: comovido ajoelhei-me –estava sozinho no meu quarto – e dei graças ao Senhor, e lembro-me com emoção do repicar dos sinos de Nossa Senhora dos Anjos»”.
Uma placa recorda o lugar da fundação do Opus Dei
No ano 2000, Os Padres Vicentinos da basílica da Milagrosa colocaram uma placa no interior do templo em que se recorda que S. Josemaria Escrivá recebeu ali, em 1928, a inspiração divina de fundar o Opus Dei
O texto da placa, precedido do selo da Obra, diz: “No dia 2 de Outubro de 1928, quando fazia um retiro espiritual nesta casa dos Padres Vicentinos, o Beato Josemaria Escrivá de Balaguer recebeu no coração e na mente a semente divina do Opus Dei: «Recebi a iluminação sobre toda a Obra: comovido ajoelhei-me –estava sozinho no meu quarto – e dei graças ao Senhor, e lembro-me com emoção do repicar dos sinos de Nossa Senhora dos Anjos».
Durante esses dias, S. Josemaria estava a fazer um retiro espiritual com outros sacerdotes na Casa Central dos Padres Vicentinos, edifício junto à basílica, nessa altura igreja de S. Vicente. Deus fez-lhe ver o Opus Dei quando, depois de ter celebrado a Missa, revia no seu quarto as notas em que tinha reunido as inspirações e graças recebidas durante dez anos e que se concretizariam nesse dia 2 de Outubro.

Rua de Diego de León
Este edifício alberga uma cripta onde repousam os restos dos pais do Fundador do Opus Dei.

O edifício da rua de Diego de León em 1940 e na actualidade.
O Fundador começou a viver nesta casa a 31 de Janeiro de 1940. Pouco tempo depois, a mãe e os irmãos do Fundador passaram a residir também na mesma casa.
Nesta casa faleceu a mãe do Fundador, Dolores Albás, a 22 de Abril de 1941.
Entre os episódios que sucederam neste centro deu-se numa noite em que as preocupações não o deixavam dormir. Sentindo-se ferido na sua honra de sacerdote por tantas injúrias, levantou-se da cama. Havia um oratório muito perto. Saiu do quarto e prostrando-se diante do sacrário, disse a Nosso Senhor: Jesus, se Tu não necessitas da minha honra, para que a quero eu? A partir desse momento, podiam dizer dele o que quisessem. Fazia de conta que já não a tinha.
Tornou a deitar-se. Tranquilo, porque tinha deixado nas mãos de Deus o que as pessoas pudessem pensar acerca dele.
Rua de Alcalá- “El Sotanillo”

Nos primeiros tempos do Opus Dei, quando S. Josemaria nem sequer tinha uma sede, costumava ir a este café (que já não existe) com as pessoas com quem se dava apostolicamente.
Vázquez de Prada conta: “Este estabelecimento – chocolataria, cervejaria, café, tudo ao mesmo tempo-, estava situado num local muito central: na rua de Alcalá, entre Cibeles e a praça da Independência. A entrada dava para a rua, mas tinha de se descer uns quantos degraus, pois ocupava uma semi-cave.
O Pe. Josemaria sentia-se muito à vontade no ambiente de El Sotanillo, rodeado dos seus jovens amigos. E Juan, o proprietário, e o filho Àngel acostumaram-se à presença do sacerdote acompanhado de estudantes. Quando um dos dois o via entrar, passava a palavra, em voz alta: «Já chegou com os seus discípulos»”.

Porta de Alcalá e Parque do Retiro
Outro monumento emblemático de Madrid: a Porta de Alcalá na Praça da Independência.
Nesta praça, no nº 75 da rua de Alcalá, nasceu Álvaro del Portillo.

Parque do Retiro
A designação “Retiro” provém do “Cuarto Real”, zona de retiro espiritual, construída por mandado de Filipe II para servir de aposento durante a Quaresma, a fim de aí rezar e preparar a Semana Santa. De princípio tinha o nome de Quarto Real de S. Jerónimo. Mais tarde, o Duque de Olivares deu-lhe o nome de Casa Real do Bom Retiro, antecedente do nome actual.
S. Josemaria reunia-se para conversar neste parque com os primeiros membros do Opus Dei e com as pessoas com quem se relacionava apostolicamente. Isidoro Zorzano conta: “De princípio não tínhamos onde estar com o Padre. Sentávamo-nos num banco de passeio. Depois, íamos ao Retiro que era um lugar mais tranquilo... e aí fazíamos planos”.
S. Josemaria, em Fevereiro de 1932, escrevia que algumas vezes ia a este Parque: “No Sábado passado fui ao Retiro, do meio-dia e meio à uma e meia (...) e pus-me a ler o jornal. A oração vinha com tal ímpeto que, contra a minha vontade, tive de pôr de lado a leitura”.
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