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São Rafael e os jovens
M. Díez

O recurso a São Rafael tem a sua raiz na Sagrada Escritura, que conta como o velho Tobit pede ao Arcanjo São Rafael que se encarregue do seu filho Tobias, para “o acompanhar e lhe servir de guia” (Tb 5,10), numa longa viagem, durante a qual o jovem conhecerá os desígnios de Deus sobre a sua vida.
A tarefa pastoral que a Obra desempenha ao serviço da Igreja pode resumir-se em ensinar, a muita gente, que todos os momentos e circunstâncias da vida se podem converter em ocasião de amar a Deus, e de servir, com alegria e simplicidade, as almas. Embora o Opus Dei e os seus apostolados estejam abertos a qualquer pessoa, o trabalho com os jovens, esperança da Igreja, será sempre uma prioridade (1).
O objectivo
O objectivo essencial e imediato da obra de São Rafael é proporcionar formação cristã e humana, tanto a universitários e estudantes de escolas secundárias, como a jovens de diversas profissões e condições sociais. De maneira prática, adequada às circunstâncias pessoais de cada um, ajuda-se a aprofundar nas riquezas da fé e nas consequências de levar uma vida de acordo com o Evangelho e com os compromissos baptismais. Trata-se, afinal, de facultar à gente jovem o desenvolvimento das suas capacidades humanas e espirituais e que as ponha ao serviço de Deus e dos outros: formar filhos da Igreja fiéis, cidadãos exemplares, cristãos livres e consequentes na sua vida profissional, familiar e social.
"A formação dos fiéis leigos tem como objectivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade sempre maior para a viver no cumprimento da própria missão [...]. Na vida de cada leigo há, além disso, momentos particularmente significativos e decisivos para discernir o chamamento de Deus e para acolher a missão que Ele confia. Entre estes estão os da adolescência e da juventude”(2).
Um encontro pessoal com Jesus
O trabalho de São Rafael facilita aos jovens um encontro pessoal com Jesus e, como consequência, que cada um descubra novos horizontes vitais e corresponda ao seu chamamento na Igreja. Esta tarefa sobrenatural de formação está impregnada de respeito pela liberdade, característico do espírito do Opus Dei, e pretende despertar nos jovens o ideal de um compromisso cristão plenamente vivido. “Uma educação verdadeira deve suscitar a valentia das decisões definitivas, que hoje se consideram um vínculo que limita a nossa liberdade, mas que, na realidade, são indispensáveis para crescer e alcançar algo grande na vida, especialmente para que amadureça o amor em toda a sua beleza; por conseguinte, para dar consistência e significado à nossa liberdade” (3).
Boas pessoas
Através dos diversos meios de formação, ensina-se aos jovens que, como Jesus, perfectus Deus, perfectus homo (perfeito Deus, perfeito Homem), para chegar à santidade, têm de ser muito humanos. Ser bons filhos de Deus implica ser bons estudantes, bons profissionais, bons filhos, bons irmãos, bons amigos. Com exemplos práticos, explica-se o modo de exercitar as diversas virtudes do cristão, que não é outra coisa senão identificar-se com os sentimentos que teve Jesus: espírito de serviço, generosidade, amabilidade na convivência, alegria, fortaleza, temperança, sinceridade, etc. Em particular, recorda-se frequentemente o valor humano e sobrenatural do estudo – que é "obrigação grave" (Cfr. Caminho, 334), e que devem exercitar a justiça e a caridade no cumprimento dos seus deveres.
Ao mesmo tempo, fala-se da responsabilidade de adquirir uma sólida formação profissional, com o desejo de servir melhor a sociedade. Como resultado do espírito de santificação através do trabalho corrente, nos centros de São Rafael cria-se um ambiente de laboriosidade e de aproveitamento do tempo.
Juntamente com as virtudes humanas, ajuda-se a descobrir e a crescer em amizade com Jesus no meio dos afazeres quotidianos. Neste sentido, um primeiro aspecto que se ensina é que a vida cristã exige uma formação doutrinal sólida que começa pelo estudo – ou pela revisão – do Catecismo da Igreja Católica.
Igualmente se explica, desde o princípio que “a vocação cristã, pela sua própria natureza, é também vocação para o apostolado”. Portanto, o verdadeiro progresso na vida espiritual – que se resume no progresso na virtude da caridade – manifesta-se num apostolado intenso com parentes, amigos e companheiros: rezar pelos que nos rodeiam, interessar-se pela sua situação cristã e humana, e procurar aproximá-los de Deus, excedendo-se em delicadeza. En fim, a todos se transmite um profundo sentido do amor cristão.
Difundir no mundo um clima de autêntica caridade
“O principal apostolado que os cristãos têm de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé, é contribuir para que dentro da Igreja se respire um clima de autêntica caridade”. Esta caridade que impregna toda a formação que se proporciona nos centros de São Rafael, vive-se através da amizade humana e sobrenatural. “Para que este nosso mundo siga por um caminho cristão – o único que vale a pena –, temos de viver uma amizade leal com os homens, baseada numa prévia amizade leal com Deus”(Forja, 943).
A amizade, além de meios sobrenaturais, exige tempo e generosidade. “Quando te falo de ‘apostolado de amizade’ refiro-me a amizade ‘pessoal’, sacrificada, sincera: de tu a tu, de coração a coração”(Sulco, 191.). Supõe abertura da mente e do coração e também um “esforço cordial para compreender as convicções dos nossos amigos, embora não cheguemos a partilhá-las, nem a aceitá-las”(Sulco, 746).
(1). Cfr. Concilio Vaticano II, Declaração Gravissimum Educationis, nº 2.
(2). João Paulo II, Exortação apostólica Christifideles laici, nº 58.
(3). Bento XVI, Discurso aos participantes da IV Assembleia eclesial nacional italiana, Verona, 19-X-2006.
Artigoo completo em pdf, em espanhol
Fonte: www.collationes.org
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