Testemunhos

Um golo dedicado a Deus
Ignacio González , futebolista profissional e estudante
1 Janeiro 2010
Pode dizer-se que joguei futebol desde sempre, desde que comecei a andar. O meu pai estimulou-me muito porque era um grande desportista e aficionado pelo futebol. Joguei nos infantis no Clube “Poco Sitio” e também nos campeonatos inter-escolas com a camisola de Monte VI, a instituição escolar onde fiz os meus estudos. Sempre me encantou o desporto e em 1992 juntamente com uns amigos apresentei-me no “Danúbio” para ser admitido a provas: aceitaram-me e em 1993 comecei a jogar na sétima divisão.A verdade é que o ambiente do futebol era diferente dos ambientes que eu conhecia. É um pouco estranho porque nos damos conta de que a alguns só lhes interessa jogar e depois na vida fazem o que lhes apetece. Isto levou a que os meus companheiros me perguntassem com frequência coisas como: por que ia à Missa, ou porque me confessava e se alguma coisa em concreto era pecado “para mim”.
Na verdade é que muitos me ouvem com respeito e valorizam o que eu lhes contava de Deus e da Igreja. Com outros custa mais, porque não têm referências claras a nível da família ou dos amigos, e para alguns vale tudo, principalmente na vida nocturna.
Também alguns me disseram que não acreditam porque “as igrejas estão cheias de ouro”, ou que “o Papa vive em palácios luxuosos” ou outras frases feitas deste estilo. Apesar disso, penso que no fundo gostam de ter um amigo que crê em Deus e que tem convicções firmes. Contudo na equipa actual do “Danúbio” tenho um companheiro que vai à Missa. E, quando jogamos aos domingos, o técnico, no sábado à tarde, deixa o treino para ir assistir à Missa.
Na minha casa o ambiente foi sempre o de uma família cristã, e recebi dos meus pais a mensagem de São Josemaria, e também do Colégio Monte VI e do Flama Clube, pelo qual também alinhei muitas vezes na equipa de futebol. Penso que deveria estar no terceiro ano quando o meu pai me disse que tinha de me lembrar de Deus também no campo de futebol. Que lhe dedicasse os golos, ou que os oferecesse por alguma coisa concreta. Pouco tempo depois, o professor de religião disse-me a mesma coisa. Esta coincidência impressionou-me tanto que nunca mais a esqueci.
São Josemaria dizia que tínhamos de santificar o trabalho, e o meu trabalho hoje é o futebol, e foram poucos os jogos em que não me lembrei de Deus. Recordo que os golos que metia nas competições infantis ou nos juniores do “Danúbio” os oferecia a Deus pela Gabriela, uma amiga da minha irmã Federica, que esteve muitos anos doente e que agora está no Céu. Às vezes acontecia-me, e continua acontecer-me, que me esqueço de oferecer os golos, ou os lances durante um jogo de futebol, e isto desgosta-me um pouco, mas no fim ofereço tudo. Com efeito, muitos amigos gracejam porque, depois de um golo que meti ao “Defensor”, que foi um empate à última hora e um golo importantíssimo, disse a duas estações de rádio que me entrevistaram que dedicava a Deus aquele golo. Mas foi assim que me.
No futebol não há só golos para dedicar, tive que passar por maus momentos e também então me lembrei de que São Josemaria dizia que era preciso ir para a frente, com espírito desportivo, que se aplica, às mil maravilhas, ao meu trabalho. Sucedeu-me, por exemplo, ao subir de categoria, o ter de jogar com pessoas que conheço mal, e isso custa-me, porque sou um pouco tímido. A verdade é que estou muito mais à vontade se jogo com amigos ou velhos companheiros, e nesses primeiros jogos e primeiros treinos pedia ao Senhor de tudo um pouco, pedia-lhe até que me ajudasse a gritar para que me dessem mais passes.
Também me tem ajudado o facto de procurar santificar o meu trabalho quando há pré-temporadas duras ou quando estou no banco dos suplentes. Fazer tudo face a Deus é como que um estímulo para não deixar cair os braços, para continuar a correr ou para estar à espera da oportunidade de jogar, que, graças a Deus, tenho agora.
Tenho muito presente ainda a recordação de quando, em 1997, D. Javier Echevarría, o Padre, veio ao Uruguai. Lembro-me de um encontro com jovens onde lhe faziam perguntas. Eu contei-lhe que jogava futebol e que tinha muitos companheiros que não acreditavam em Deus. Em concreto, perguntei-lhe que podia fazer para os aproximar de Deus e do Opus Dei. O Padre deu-me uma resposta muito curta: “Apostolado”. Foi a única coisa que me disse, mas a mim serviu-me de muito, e levou-me a procurar ajudar mais os meus companheiros de equipa. A vários convidei-os para assistirem a umas palestras no centro do Opus Dei e foram durante algum tempo. Estou convencido de que aproximá-los de Deus é das melhores coisas que posso fazer por eles. Muito mais do que bons passes ou golos para a equipa.

Lista de conteúdos
- O melhor co-guionista de rádio
- Nasci para algo de concreto?
- Um golo dedicado a Deus
- D. Jacinto Botelho
- O meu trabalho não depende das flutuações da bolsa
- Que aconselha a um casal recém-casado?
- Conjugar o binómio trabalho-família é um desafio constante
- Entrevista a Pippo Corigliano
- Sou a janela dos meus filhos
- Sou marido e pai. Também tenho uma vocação
Português





Oração
RSS
FACEBOOK
YOUTUBE